2020/07/14

Um terço dos portugueses aceitaria ser monitorizado pelo Governo nas redes sociais


Surpreendentemente para um país saído de uma ditadura há menos de meio século, quase um terço dos portugueses aceitaria que o Governo monitorizasse a sua actividade nas redes sociais por questões de segurança.

Os dados resultam de um estudo feito pela Kaspersky (pdf link) relacionado com os sistemas de avaliação social, em que é atribuído uma pontuação a cada cidadão com base no seu comportamento online, e que tem proliferado noutros países (como a China) - podendo ditar coisas como o acesso ao crédito ou até o acesso às redes de transportes públicos.

Surpreendentemente, mais de 30% dos inquiridos portugueses disseram que não se importariam que o Governo monitorizasse a sua actividade nas redes sociais para efeitos de segurança - embora seja um valor inferior ao da média global dos resultados, que atingiu uns assustadores 51%.

Quanto aos motivos que levariam os utilizadores portugueses a revelar informação privada nas redes sociais, no topo com quase 80% encontra-se o desejo de reencontrar amigos de infância (o que ajuda a explicar porque motivo o Facebook teve a adesão que teve), seguido da obtenção de descontos online (mais de 50%), e obtenção de trabalho ou acesso a experiências exclusivas.


É também revelador que para muitos dos potenciais motivos indicados, o número de pessoas que é "indiferente" a revelar informação privada supera aquelas que se recusariam a fazê-lo. Um indicador que pode indicar que grande parte das pessoas já se terá resignado com a questão de que será praticamente impossível garantirem a sua privacidade se quiserem utilizar os serviços online sem cuidados especiais... ou então de que nem sequer estão conscientes do que isso significa.

Seja como for, esta educação social sobre os benefícios e riscos das redes sociais é algo a que se deveria começar a dar mais atenção, incluindo também formação para as questões do bullying, fake news, e formas de manipulação. E acima de tudo, nunca deixar esquecer como facilmente um estado de vigilância permanente sobre os cidadãos pode passar dos "benefícios de segurança" para uma ferramenta de opressão e controlo.

4 comentários:

  1. Enganam o gado com subterfúgios, em nome de uma falsa segurança. Criam problemas para posteriormente apresentarem soluções. As pulseiras oferecidas, passam mais tarde a ser algemas.

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  2. Qual é a fonte do gráfico apresentado?

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    1. "... dados resultam de um estudo feito pela Kaspersky (pdf link)"

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  3. Mas que raio?? um terço dos portugueses? Mas isto é alguma piada de péssimo gosto?
    Então entrevistam 10.500 pessoas de 21 países e tiram a conclusão que os portugueses... só se for daqueles que foram entrevistados (talvez uns 500), agora extrapolar para os portugueses todos é um abuso e deveria ser mesmo considerado crime.

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