2020/08/28

Análise ao Wiko View 4


A Wiko é uma das marcas com maior presença no segmento de smartphones de baixo custo, apresentando anualmente uma gama renovado de modelos que consegue cobrir uma alargada faixa de preços. As novas linhas apresentadas com a série View 3 continuam a marcar presença nos modelos de 2020, mas será o design motivo suficiente para garantir a escolha dos consumidores? É precisamente o que vamos abordar nesta análise ao mais recente View 4.


Unboxing



A traseira da caixa apresenta uma particularidade muito interessante, com um grafismo que mostra as principais especificações do smartphone. Para os consumidores menos informados, este é um aspecto que se poderá revelar bastante útil aquando da compra.



Dentro da caixa, em primeiro plano, o smartphone, o qual apresenta um autocolante que mais uma vez dá destaque às especificações, em particular à bateria, câmaras e memória RAM/armazenamento, aspectos que muitas vezes estão na lista de requisitos fundamentais do consumidor.


Por baixo da documentação de referência, o carregador, cabo usb e auriculares.


Estamos em 2020, mas em alguns aspectos a Wiko mantém-se presa ao passado, com o carregador a apresentar uma potência de carregamento de apenas 10W (5V/2A) e o smartphone continua a usar uma ficha micro-USB.


O Wiko View 4



Em termos de dimensões, este é um smartphone que se pode considerar grande, com dimensões de 8,85 x 165.7 x 75.8mm.


O corpo com as laterais arredondadas, que já por si não é propriamente fino devido à espessura do vidro traseiro e anel de protecção do ecrã, acaba por tornar o smartphone menos confortável na mão do utilizador. Apesar de apresentar um desgin interessante, estes dois aspectos acabam por comprometer o conforto em utilização, algo que não deveria acontecer.



Na frente (em cima ao centro) um furo no ecrã para a câmara frontal. Por cima desta, um pequeno recorte no ecrã revela a saída de som para as chamadas de voz.



As margens não são exageradamente grandes, com excepção da inferior, sendo que mesmo esta última acaba por estar dentro daquilo que actualmente é apresentado por muitas marcas.



A traseira apresenta um gradiente em tons verde e azul, o que proporciona efeitos bastante bonitos. Em cima, à esquerda, uma saliência com a ilha de câmaras, por baixo desta o flash e à sua esquerda o logótipo da marca.



Na lateral inferior, uma grelha para saída de som, a porta microUSB e um microfone.



Na lateral oposta, mais um microfone e ficha de 3,5mm. Se a porta micro-USB merece a nossa crítica, já esta ficha de som, mesmo em desuso, poderá ser interessantes para os consumidores que preferem utilizar auscultadores com fio.



Na lateral direita, temos ainda os habituais botões de power e volume.



Do lado esquerdo, o slot para os cartões SIM e SD e um botão para chamar o assistente da Google.


Em termos de hardware, não há lugar a luxos, com a Wiko a manter-se fiel à sua política de serviços mínimos. O processador continua a cargo da MediaTek, desta vez com um octa-core 6762D A25. O ecrã de 6,52" apresenta uma resolução HD+ (1600 x 720 pixels) com 269ppp e 450nits de brilho, algo que mesmo para um equipamento de gama média-baixa já é curto. Conta com 3GB e RAM e 64GB para armazenamento, bateria de 5000mAh, tripla câmara traseira com 13MP (principal) + 2MP(profundidade) + 5MP (114° super grande angular), câmara frontal com 8MP, WiFi apenas b/g/n, e Bluetooth 4.2.


Em utilização


Onde está o sensor de impressões digitais? Sob o ecrã? Embutido no botão de power? Então?

Feitas as configurações iniciais, foi este o primeiro impacto. Surpresa das surpresas, um dos elementos mais úteis na utilização do smartphone, foi simplesmente descartado. Por certo que a marca não contaria com a pandemia e a obrigação da utilização de máscaras, mas mesmo sem este infeliz evento, deixar o desbloqueio do smartphone exclusivamente a cargo da câmara frontal foi uma péssima decisão. A câmara necessita de boas condições de iluminação para ser eficaz e, tendo em conta a segurança que oferece, está longe de ser a opção mais indicada, com diversas marcas a fazerem alusão a isso mesmo aquando da configuração do reconhecimento facial.



Na verdade, após algum tempo de utilização e esquecendo temporariamente o desbloqueio do smartphone, este Wiko View 4 foi uma agradável surpresa. Com um hardware modesto acaba por se mexer muito bem, com a baixa resolução do ecrã a contribuir decisivamente para este agradável desempenho. Um ecrã tão alongado merecia desde logo uma resolução FullHD+, mas ainda não foi desta que o modelo intermédio da Wiko viu chegar esta melhoria no ecrã. O armazenamento não encanta mas também não desilude, acabando por cumprir com velocidades de 230MB/s em leitura e 130MB/s em escrita, permitindo a instalação de apps sem grandes demoras.

Uma palavra positiva também para a autonomia, com os 5000mAh a renderem facilmente mais de um dia de utilização intensiva, podendo inclusivamente prolongar-se muito para além disso com um padrão de uso menos intensivo.




Em termos de interface, a Wiko cedo percebeu qual o caminho a seguir, não entrando por devaneios que em nada contribuiriam para a melhoria da experiência de utilização. Optou por pegar no trabalho da Google para lhe adicionar um conjunto de funcionalidades que poderão ajudar o utilizador no dia a dia. O melhor de tudo é que a Wiko concentrou estas funcionalidades extra numa única entrada no menu das definições, contribuindo assim decisivamente para manter este menu devidamente organizado.


O bloatware está cada vez menos presente, contando-se pelos dedos de uma mão as apps que vêm instaladas de origem.



A marca apresenta algumas sugestões, mas sem que o utilizador seja obrigado a instalar as mesmas, opção que acaba por ser a mais interessante para ambas as partes.



Como de resto se esperaria, apresenta-se com Android 10, com um patch de segurança de Julho que demorou bastante a chegar, com o de Janeiro a ser o disponível durante largas semanas. É sem dúvida um aspecto a rever, com o facto de ser um equipamento low cost a não poder servir de justificação para esta situação.


As câmaras



A interface da câmara apresenta quatro zonas, da esquerda para a direita, em modo paisagem:
  • Modos de fotografia e definições, Inteligência artificial, filtros, HDR, formato da imagem e controlo do flash
  • Selecção da câmara principal ou ultra wide (e respectivo controlo do zoom) e acesso ao Google Lens
  • Efeitos para a face, fundo desfocado, fotografia, vídeo e modo noite
  • Selecção da câmara traseira/frontal, botão de disparo e acesso à galeria
Caso optem por um formato de imagem com ecrã completo, a interface vai cobrir cerca de 1/3 da área a fotografar, ficando o utilizador sem saber o que efectivamente está a fotografar. Uma redução desta área e sobretudo, um maior nível transparência, já permitira ver o que se está a fotografar.



Tendo em conta que estamos na presença de um smartphone que se encontra no mercado por 170€, as expectativas nunca podem ser muito elevadas. O equipamento tem apenas de cumprir os mínimos exigidos, sendo fácil de utilizar, garantindo igualmente imagens com uma qualidade minimamente aceitável.


Wiko View 4

Foi precisamente isso que este Wiko View 4 conseguiu disponibilizar, sendo que em condições de boa iluminação, é capaz de resultados bastante interessantes, com cores vibrantes. O efeito de fundo desfocado é bem conseguido, mas o elemento focado acaba por ficar com os limites pouco definidos.

A câmara frontal surge com um conjunto alargado de efeitos, ideais para quem gosta de brincar com as selfies. Os resultados não apresentando elevado detalhe, têm o condão de fugir ao alisamento da pele, algo que naturalmente se saúda.


Apreciação final




Embora este Wiko View 4 seja apenas uma revisão do modelo lançado no ano anterior, acaba por ser um smartphone com argumentos interessantes, sobretudo se tivermos em atenção o facto de custar menos de 200€. A questão é que, nesta altura, a concorrência está cada vez mais feroz e os modelos disponíveis neste segmento de preço já apresentam características superiores às deste Wiko, mantendo o mesmo nível de preço.



Se a este facto juntarmos a infeliz ausência do sensor de impressões digitais (segundo a marca, para garantir a bateria de 5000mAh), o Wiko View 4 acaba por perder algum fulgor, razão pela qual se fica por um sempre simpático "Morno", sendo por isso garante de um desempenho equilibrado sem contudo se destacar da concorrência.



Wiko View 4
Morno

Prós
  • Design
  • Desempenho equilibrado

Contras
  • Ecrã apenas HD
  • Sem sensor de impressões digitais
  • Ainda com micro-USB
  • Demora na actualização do patch de segurança



Wiko View 4

Morno (3/5)

1 comentário:

  1. Não seria uma boa review ao estilo dei canal do Jerry Rir? Fica aqui a idéia.

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