2020/09/02

Apple e Google dispensam apps para alertas do Covid-19


Depois de todo o investimento feito na criação de uma app nacional de contact tracing que usa a API criada pela Apple e pela Google, eis que estas disponibilizam um novo sistema que dispensa a necessidade da app.

O sistema de contact tracing desenvolvido pela Apple e pela Google encarrega-se da gestão de identificar e registar os smartphones próximos de forma supostamente anónima, mas continuava a ser necessária uma app - que em Portugal é a Stayaway Covid - para tirar partido disso (que, na maioria dos casos faz com que a app se limite a ser um interface de acesso à API, embora cada país esteja livre para lhe adicionar a complexidade que assim entender.) Mas agora, isso deixa de ser necessário.

A Apple e Google expandiram o seu sistema de contact tracing, agora disponibilizando um Exposure Notifications Express, que na prática permite aos países aceder directamente ao sistema e lançar as respectivas notificações de alerta para os cidadãos, sem necessidade de criarem as suas próprias apps.

O sistema não impede que os países continuem a usar as suas próprias apps dedicadas, mas facilitará a vida a todos os que estiverem com dificuldades em criá-las.

Relembro que as críticas a este tipo de apps são muitas; e que temos assistido a verdadeiras barbaridades na comunicação social, de pessoas que dão a entender que a app funcionará como um sistema de alarme que imediatamente as alertará caso estejam na proximidade de uma pessoa infectada. Não é assim que a app funciona, e a app em nada evitará que se fique contagiado - nem tão pouco assinalará sequer situações em que tenham estado ao lado de alguém infectado, mas "apenas" por 5 ou 10 minutos.

Daí que, com app ou sem ela, o importante será manter todas as medidas preventivas: uso de máscara, lavagem e desinfecção das mãos e superfícies, distanciamento social, etc. Estamos prestes a entrar em época de regresso às aulas, e as próximas semanas irão ser críticas para se avaliar a evolução do Covid-19, para que se evite a necessidade de recorrer a medidas mais extremas como o confinamento que paralisou o país no segundo trimestre deste ano.


Nota: Parece que este novo sistema apenas dispensa as apps para efeitos de notificar quem esteve na proximidade de alguém infectado. Para alguém se marcar como estando infectado - usando um código fornecido pela DGS - parece que continuará a ser necessário usar a app específica de cada país.

7 comentários:

  1. Acho que só é possível ativar as notificações com a App instalada pelo menos no meu (iOS) não consigo ativar sem a App.

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    1. Fica logo activa ao configurar a mesma. Só recebe é notificação se for caso disso.

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    2. Eu activei nas settings sem ter a app instalada.

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  2. Fica logo activa ao configurar a mesma. Só recebe é notificação se for caso disso.

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  3. O que consegui perceber e o que deduzi:

    Passam a existir dois sistemas:
    - Em países com app: a Exposure Notification API
    - Em países sem app: a Exposure Notification Express

    Com app:
    1 - Os equipamentos (iOS e Android, versões recentes) trocam identificadores aleatórios
    2 - Os identificadores recebidos são armazenados no equipamento durante 14 dias
    3 - Periodicamente são descarregados do servidor os identificadores dos últimos 14 dias de quem teve teste positivo
    4 - São comparados com os identificadores guardados no equipamento
    5 - Se houver identificadores coincidentes a app dá-me o alerta
    6 - Se eu tiver testado positivo recebo um código de autenticação do médico
    7 - E, na app, autorizo o upload para o servidor dos identificadores que usei nos últimos 14 dias.

    Sem app não há 7. Sem 7 não são possíveis 3, 4 e 5
    Estive a ler as declarações, vagas, da Apple e da Google sobre o novo sistema e que se escreveu nos principais sites e as coisas não estão claras.
    Diz-se que quem estiver infetado pode gerar um ficheiro da autoridade de saúde do país. (A partir daqui é o que deduzi)
    Esse ficheiro permite fazer o upload dos identificadores que recebeu e estão armazenados no equipamento? O seja, em vez do upload dos identificadores que usou (7) o ficheiro permite fazer o upload dos que recebeu?
    Quem consulta o servidor, em vez de fazer o download dos identificadores dos infetados (3) faz o upload dos identificadores que usou?
    E é o servidor, controlado pela autoridade de saúde, que faz a deteção dos identificadores coincidentes e avisa quem quem fez a consulta?
    Se for isto parece-me fazível

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    1. Pois, as coisas não são muito claras.
      De qualquer forma, não me parece que não ter app instalada invalide o 3, 4 e 5, pois tudo isso pode ser feito sem qualquer envio de dados - é só receber. E de qualquer forma, as permissões podem ser penduradas no activar da funcionalidade do sistema, independentemente da app.

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  4. nada de novo ... fazia parte do calendário das 2 empresas. Era só ter lido as especificações ;)

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