2020/12/12

O blockchain anti-fakenews de Miguel Sousa Tavares

O blockchain acaba o ano de 2020 em grande, com direito a explicação estapafúrdia em contexto anti-fakenews por Miguel Sousa Tavares.

Numa altura em que a credibilidade dos orgãos de comunicação social tradicionais é posta em causa - e precisamente no contexto das fakenews - temos uma pequena pérola de desconhecimento total que apenas contribui para essa perda de credibilidade. No programa Dia de Cristina, assistimos a um triste episódio de Miguel Sousa Tavares a falar, como se soubesse, de algo sobre o qual demonstrou nada saber: a tecnologia blockchain.

Diz-nos o popular comentador que a tecnologia blockcahin vai resolver, já no ano que vem, o problema das fakenews. E o que é que o blockchain vai fazer em concreto? Diz-nos ele: "O blockchain vai até à raiz das fake news e vai anulá-las em cadeia. 'Block', de bloquear. 'Chain", de cadeia."


Acho que é melhor nem querer saber se ele se referia a cadeia no sentido de sequência, ou de cadeia no sentido de prisão, já que as probabilidades são a de que ele escolheria a opção errada!

Ora bem, não sou das pessoas que tem por hábito apontar a ignorância de outras pessoas, pois ninguém sabe tudo e todos nós estamos cá para aprender. O que se pode, e deve, criticar, é quando temos casos como este, em que alguém que não faz a mínima ideia daquilo sobre o que está a falar, o faz como se estivesse 100% seguro de que está a dizer, contribuindo assim para a desinformação global.

Não, blockchain não tem nada a ver com o bloqueio de cadeias. Trata-se apenas e somente de um sistema que é capaz de assegurar a integridade de um conjunto de registos, de forma a que seja possível assegurar que não houve alterações em registos anteriores. Ou seja, imaginando-se isto aplicado a um extracto bancário ou declaração às finanças, impediria - ou permitiria detectar - caso alguém decidisse ir aos registos do ano passado e alterar alguns valores. Têm uma excelente explicação técnica por Mark Russinovich que por cá publicamos em 2017, e que se tivesse sido vista por Miguel Sousa Tavares, teria permitido evitar este triste episódio.

28 comentários:

  1. Ele demonstrou uma enorme ignorância, mas pode ter-se baseado nisto:

    https://www.computerworld.com/article/3481633/how-blockchain-will-kill-fake-news-and-four-other-predictions-for-2020.html

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  2. Nunca fui fã do Miguel devido à sua arrogância...mas desta veza não foi arrogância, foi ignorância...

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  3. A arrogância torna-o ignorante.

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  4. É sempre (pouco) engraçado ver os blogueiros a atacar o pessoal ligado à comunicação social. A raiz do que disse MST:

    "Blockchain autentica conteúdos

    Em 2023, até 30% das notícias mundiais e conteúdos de vídeo serão autenticados como reais por blockchain, combatendo a tecnologia profundamente falsa.
    Embora notícias falsas existam há séculos, as redes de media sociais aceleraram a taxa como essa desinformação deliberada pode ser espalhada. Além das notícias tradicionais, a tecnologia está a ser usada para criar áudio e vídeo falsos convincentes. No entanto, organizações e governos estão agora a recorrer à tecnologia para ajudar a combater notícias falsas, por exemplo, usando a tecnologia blockchain para autenticar fotos e vídeos de notícias, já que a tecnologia cria um registo imutável e compartilhado de conteúdo que idealmente pode ser visto pelos consumidores."
    https://www.gartner.com/smarterwithgartner/gartner-top-strategic-predictions-for-2020-and-beyond/

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    1. A falácia de usar blockchain para garantir autenticidade de notícias... E se a notícia que for autenticada pelo blockchain for de si já uma fakenews? Digamos, ao estilo de alguém que nos explica com toda a certeza que o blockchain é de bloquear cadeias?

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    2. Depende do codigo/protocol que for implementado. O voto, a confirmação e a inteligencia artificial tratarão da sua veracidade que será imutavel no passado e no futuro. É pura matemática.. e do que sabemos da matemática é que é 100% correta, certo? :)

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  5. Não condeno (muito) o MST. É arrogante mas toca em assuntos que poucos se atrevem em antena aberta para o grande público.

    Nos comentários anteriores já se explicou onde é que ele foi buscar inspiração para tentar descrever aquilo que a tecnologia pode permitir se os meios de comunicação aderirem.

    Agora, a verdade é que a terminologia e o próprio conceito que está por trás da Blockchain necessita de muito mais trabalho da parte da comunidade para que o comum dos mortais não desespere ou se perca no meio de tanta complicação.

    Simplificação procura-se.

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  6. Há sempre muita dificuldade em dizer "não sei". Quem não o disser, não abre a sua mente ao conhecimento, condenando-se à ignorância e a inventar. A tecnologia Blockchain, em termos práticos, já existe há mais de 10 anos (surgiu com o advento do Bitcoin e das criptomoedas), logo não é uma nova tecnologia desenhada para travar as fake news, apesar de o poder fazer. Blockchain é uma tecnologia muito poderosa e revolucionária; e sim, até pode mudar o mundo, a começar pelos mercados financeiros. Se fosse usada tecnologia Blockchain nas votações que se têm verificado mais duvidosas, tudo seria mais claro e isento de fraude. E na mitigação das fake news também, por isso o Miguel Sousa Tavares não está inteiramente errado, mas não pode de forma alguma definir uma tecnologia simplesmente pela tradução do acrónimo, inventando para dar uma resposta. Não dar uma resposta, quando não se sabe, não é mal nenhum e também é uma resposta. Informação deturpada e/ou sem um estudo aprofundado é tão, ou mais perigosa do que as tão faladas fake news. Por isso, sendo uma figura pública da informação, o Miguel Sousa Tavares deveria ter um pouco mais de cuidado com isto.

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    1. MST sabia do que estava a falar. Traduziu "block" por bloquear, quando a tradução habitual é bloco (que não diz nada a ouvinte do programa da Cristina) - e foi um algazarra.

      Mas o conceito ficou bem expresso - a autenticidade de uma foto ou de um vídeo pode ficar bloqueada, no sentido em que o código encriptado que autentica não pode ser alterado sem que se note, recorrendo à tecnologia blockchain (designadamente, pela existência de múltiplos servidores, desconcentrados, para garantir a autenticidade).

      Há uma segunda derivada nesta história, nem sempre mencionada neste caso do MST, e habitual nos blogueiros - e se a tecnologia blockchain for usada para detetar conteúdos sujeitos a direitos de autor?

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    2. Há falar, e há a forma como se fala. Não custava nada admitir que há limites ao que se sabe e não passar a fronteira de querer fazer passar a ideia de que se sabe o que se está a dizer quando na realidade não se sabe.

      De resto, é fácil atirar (inserir a tecnologia do momento) como solução para tudo. Temos DRM há décadas e a pirataria continua a existir; e tecnologia blockchain só é válida se for distribuída - senão, tem apenas a validade da confiança que se quiser depositar na empresa que estiver a manter o (seu) blockchain e que vale apenas tanto quanto qualquer outra pseudo-garantia que queira dar (e em grande parte dos projectos de empresas privadas, é isso que acontece).

      Isto aplicado à autenticidade das notícias tem valor bastante limitado; e não percebo como é que vai impedir ou minimizar fakenews, quando a grande maioria das fakenews continua a ser disseminada até mesmo quando vem com carimbo de ser "fake" - um pouco ao estilo do que acontece com os terraplanistas, ou anti-vaxxers, ou conspiracionistas anti-5G. O problema das fakenews é um problema social, e de pouco vai servir que exista uma tecnologia que possa validar que a notícia da fonte X está autenticada, se depois um screenshot com photoshop em cima, continuar a ser espalhado por milhões de pessoas que não querem saber se é autêntica ou não, desde que vá de encontro ao que querem acreditar.

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    3. Ah, já estamos a chegar ao que interessa ;-)
      Gozam com o MST no vídeo por traduzir "block" por bloquear (os ouvintes iam perceber muito se traduzisse bloco ...) quando afinal a algazarra é por outra coisa:
      "O c*br*o vem falar na m*r*a do blockchain para autenticar conteúdos multimédia, que não vai servir para nada para diminuir as fakenews, vai servir é para detetar conteúdos com direitos de autor".
      Obviamente que a tecnologia blockchain só funciona se for amplamente distribuída e acessível.
      Obviamente que muitos nem querem saber se a notícia é autêntica ou foi manipulada.
      Mas chegámos a um ponto em que é fácil manipular um vídeo, a partir de um vídeo autêntico, em que se põe Joe Biden e Kamala Harris a "dizer" como falsificaram a votação. E nos vídeos as pessoas tendem a acreditar porque estão a ver e a ouvir. Tecnologia blockchain, demonstra-se que o vídeo é falso. Acaba-se o assunto para quem interessa, sendo certo que os trampistas acreditam no que quiserem.
      E alguém anda a tratar disso, como referiu MST, e está nos links dos comentários.

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    4. Não, não é “o que interessa”; são coisas distintas. A origem da notícia é alguém ter falado de algo que não dominava/percebia como se percebesse - bastava ter dito que não sabia os detalhes técnicos e não havia problema nenhum.
      O blockchain ser a solução para todos os males do mundo e educar automaticamente todos os que escolhem acreditar em fake news de forma deliberada ou inconsciente, isso ficará por comprovar.

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    5. É ridículo quando o assunto são as fakenews põr-se um vídeo/gift a repetir uma interpretação para chegar a uma audiência televisiva: "block (bloquear), chain (cadeia)", que nem sequer está errada - bloqueia-se o código altamente encriptado de autenticação, de forma a não ser alterado sem que se dê logo por isso. Se tivesse dito na televisão "block (bloco), chain (cadeia)" dava uma ideia melhor da tecnologia?

      E acrescentar em tom de chacota: "Acho que é melhor nem querer saber se ele se referia a cadeia no sentido de sequência, ou de cadeia no sentido de prisão, já que as probabilidades são a de que ele escolheria a opção errada!". Traduz a mesma lógica: "Nós os blogueiros é que somos a verdadeira e necessária fonte de informação! Esses gajos da comunicação social são uns lorpas! A comunicação social devia ser extinta!"

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    6. Claro que está errado, mas qual "nem sequer está errada"... Uma coisa é dizer que se vai usar blockchain para fazer X. Outra é tentar explicar que daí vem o nome block chain, de bloquear cadeia. Não vem, não tem nada a ver, e nunca vai ter. O idiota basicamente mostrou que leu uma noticia que não entendeu e vomitou-a num programa de revistas cor de rosa como um especialista no assunto, o gajo claramente acha que blockchain foi algo criado para aquilo, ele não sabe o que é, por isso não devia andar a tentar ensinar os outros.

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    7. Apesar de eu achar que ele é mais um opinante que um comentador, só te estas a esquecer é que ele se apresenta como um alguém bastante credível, como pessoal da nossa praça respeitada pelas suas opiniões, visões e postura perante vários temas ao longo dos anos. Ele apresenta-se como conhecedor, como alguém que "ha anos escreve" sobre fakenews, e depois diz uma m*rda destas. Informa mal o público perante uma pessoa que não o pode questionar de forma informada sobre o que acaba de dizer.
      Ele demonstra-se ignorante primeiro porque não sabe nada sobre o assunto, segundo porque ele próprio está a dar uma fakenews, daquelas que ele tanto abomina e acha que o blockchain vai "blockear"!

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    8. Eu só gostava de saber é quantos é que aqui falam da aplicação da tecnologia blockchain para impedir que fotos e vídeos manipulados passem por autênticos - dando origem a fakenews - estão de facto por dentro do que se está a fazer a este nível.
      Se não estão, qual é admiração de uma pessoa qualquer, seja o MST, apreenda o essencial - e consiga transmiti-lo, mas não esteja por dentro dos detalhes e cometa algum engano?
      Quando se está a referir a cadeia, neste contexto e pegando num exemplo acima: uma agência noticiosa publica um vídeo de de Biden e Harris a Falar (o vídeo tem o código de autenticação keychain da agência). O pessoal do Trampas manipula o vídeo e põe-os a "dizer" como "roubaram" as eleições. O vídeo é distribuído pela cadeia das redes sociais e blogues dos trampas de lá e de cá. Qualquer pessoa que esteja interessada (os trampas não estão) em confirmar se o vídeo é autêntico, ou pode fazê-lo, seja em que ponto da cadeia o tenha visto. Isto bloqueia as fakenews, em qualquer ponto da cadeia.
      Se por bloquear quiserem adivinhar que ele quis dizer qualquer coisa como "apagar, fazer com que deixe de estar disponível" estejam à vontade.
      Agora, isto é como nas discussões para se perceber que informação as pessoas dispõem para fundamentar as suas opiniões e porque é que divergem na apreciação dos factos (e qual é a parte em que concordam e a parte em que divergem) - quem levantar a voz perde a razão.
      No caso, quem se esqueça dos factos e passe para a parte subjectiva: gosto/não gosto do MST, o que é que disse ou opinou antes, o idiota que foi vomitar para uma revista cor de rosa - perde a razão. Pode dizer, pelo meio, alguma coisa acertada, mas já não interessa.

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    9. Estás a olhar para as árvores e continuas sem ver a floresta. O que está em causa não é o blockchain, nem as suas inúmeras aplicações, ou pontos fortes, ou pontos fracos.
      O que se criticou foi ter alguém a falar de algo que não sabia, a dizer coisas erradas, e a dizê-las de forma convicta como se estivesse garantidamente certo. Bem podes ir buscar as raízes e suposições daquilo que ele eventualmente poderia querer dizer; mas não invalida o que ele efectivamente disse nem a forma como o disse.

      Num mundo alternativo:
      "Estão a desenvolver uma tecnologia chamada blockchain que será aplicada ao combate das fake news.
      - E como é exactamente que isso funciona?
      Não estou por dentro dos pormenores técnicos de como o sistema funciona, mas permitirá verificar se uma notícia ou imagem foi alterada ou modificada."

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    10. Árvore, floresta?
      É mais a história de "Cada macaco no seu galho".
      "O macaco do MST devia-se deixar ficar no seu galho e não se armar em tecnólogo! Da tecnologia blockchain percebemos nós e os nossos comentadores! Quando todos os ouvintes do Programa da Cristina queriam saber o que é o blockchain (queriam lá saber de fakenews!) foi lá enganá-los!"
      Misturada com a história: "O sucesso é como um peido, só quando é nosso é que cheira bem".

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    11. Lá estás tu a complicar o que é simples. Tudo se resume a ter a decência de admitir o que não se sabe, e não querer fazer passar a ideia contrária.

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    12. Quanto ao "cheiro", faz-me lembrar aquele episódio de que primeiro era uma falácia alguém acusar que a Apple estava a abrandar secretamente os iPhones, apenas para uns meses depois, afinal não só ser verdade, mas era até um grande favor que a Apple estava a fazer aos clientes.

      Aqui, desculpas um comentador por falar do que manifestamente não sabe, arranjando todas as dissertações sobre o que ele quereria dizer... mas coitado, se fosse um "blogueiro" a dizer algo, já não tem direito a qualquer margem de manobra, ou análise profunda às raízes do que queria dizer. É aquilo a que se chamará "dois pesos e duas medidas", ou talvez ter dificuldade em chamar as coisas pelos nomes quando não vão de encontro às convicções pessoas, mesmo quando estão comprovadamente erradas?

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    13. Do abrandamento do iPhone ninguém percebia nada do que se estava a passar - nem tu.
      A generalidade dos iPhones (falemos do 6, como o meu) não teve qualquer abrandamento. Em alguns teve - mas ninguém sabia como, nem porquê. Era uma história sem sentido e a Apple deixou o pessoal à nora, muito tempo, a inventar teorias e a contraditar outras.
      E sim, a solução - finalmente - implementada é um favor aos clientes e devia ser seguida pelas outras marcas.

      Quanto aos "cheiros", não vejo outra forma de interpretar: "Acho que é melhor nem querer saber se ele se referia a cadeia no sentido de sequência, ou de cadeia no sentido de prisão, já que as probabilidades são a de que ele escolheria a opção errada!"

      Conviria que os "blogueiros" não escrevessem para "blogueiros", tipo uma "subcultura tech de iluminados", mas para pessoas normais que leiam e apreciam os, bons, textos da comunicação social e dos "blogueiros".

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    14. Para quem não percebia o que se estava a passar com os iPhones, foi uma sorte do caraças acertar naquilo que a Apple lá acabou por admitir. Como diria um célebre repórter "E esta, hein?"

      Eu não escrevo para blogueiros (estás cá tu a comprová-lo, como mero exemplo) nem para "iluminados"; muito pelo contrário, escrevo para todos os que queiram ler, e que admitam que se está cá para aprender, todo e cada dia, sem manias nem medos de admitir que não se sabe tudo, e que todos podem errar. A única coisa que promovo por cá, é precisamente isso, que todos tenham a lucidez de aprenderem o que não sabem, e de pensarem por si próprios.

      E para quem tanto despreza blogueiros, agradeço o esforço que fazes por cá ires permanecendo e tanto tempo nos dedicares com os teus comentários.

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    15. O meu iPhone 6 não teve abrandamento - o teu teve.
      Tiveste uma sorte do caraças em acertar em que alguma coisa se passava (diga-se de passagem que, assim, também eu).
      O que é que, em concreto, tinha acontecido - soubeste quando os outros, quando a Apple anunciou.

      Eu não desprezo blogueiros. Há é poucos bons. Agora que os há, iluminados e aziados com a comunicação social, há. Por-se uma alma a fazer um vídeo/gif - "Não liguem ao que ele está a dizer sobre fakenews, ouçam bem como é que ele traduz "block" e "chain"" - é só um exemplo.

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    16. sarcasm on

      Tens toda a razão.
      Para saber o que o é o blockchain basta ouvir a entrevista ou fazer como o MST e fazer a tradução literal ...

      Sarcasm off

      @Carlos Martins
      Gabo-te a paciência para lidares com pessoas que têm "uma visão muito particular do mundo".
      Tal como para o ppl das conspirações, os factos são irrelevantes para eles. O que interessa é a "verdade".

      O dilema é : respondo de forma a que quem não conhece possa ficar contextualizado ou dou a relevância que merece (nenhuma).

      ...sinceramente... não sei.

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    17. Surreal como alguém tenta reduzir um conjunto de erros que só demonstram ignorância, à má escolha na tradução da palavra block.

      "As fake news estão a tornar-se, como eu já tinha escrito há anos, uma ameaça à democracia, estão pressionadíssimos e estão a desenvolver uma tecnologia, que é o blockchain. O blockchain talvez vá, já no ano que vem, conseguir bloquear as fake news"
      O blockchain não é uma tecnologia que "estão a desenvolver". O block chain é uma forma de armazenamento sequencial de informação que define que uma modificação num registo do meio da sequência obriga à atualização dos registos subsequentes, e foi definido há mais de 10 anos.


      "O blockchain vai até à raiz das fake news e vai anulá-las em cadeia. 'Block', de bloquear. 'Chain", de cadeia."
      Ignorando a tradução... a raiz das notícias são as informações e factos. Essas informações ou factos não vão ficar registados, o que ficam são os relatos dessas informações ou factos. A validade desses relatos vai depender sempre de "quem" permitir acrescentar o relato à sequência. Para além disso, "quem" permitir acrescentar, pode igualmente permitir modificar, se bem que com o conhecimentos das entidades envolvidas. Logo, por definição, não há raiz, nem há bloqueios.


      Por outro lado, o problema das fake news nunca foi o formato para armazenar ou transmitir informação. Não temos casos de notícias adulteradas de fonte fidedignas, as pessoas é que tomam qualquer fonte de informação como fidedigna e uma tecnologia destas. Para além disso, os meios de comunicação estão cada vez menos exigentes e qualquer pedaço de informação que apareça nas redes sociais, mesmo sem forma de verificação, é transformado numa notícia.

      A garantia de integridade na forma de armazenamento e transmissão de informação, nada pode fazer em relação à estupidez da humanidade.

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  7. Os jornaleiros precários andam por aqui. Isto agora de se ter um blog com notícias ou comentar notícias é catalogado de ilícito. Como que quem tem um blog faça parte de uma entidade a abater. Isto deve ter sido partilhado algures e agora estão a cair em cima do Carlos, coordenados e a deturpar o que aqui foi dito. Não é a questão se a tecnologia pode ser utilizada para autenticar notícias (passando a ter um selo digital que as dê como válidas/verdadeiras). Mas sim, como é que aplicam o blockchain a alguém que decide escrever qualquer coisa? Cada uma que só visto.

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  8. Credibilidade dos orgão de comunicação. Mas de quem? Do Sousa Tavares que a unica especialidade é dos JB lá e casa. E a C Ferreira que se muda para a Tvi para a ser a maior acionista da mesma. Essa malta tem credibilidade aos montes.

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