2021/01/03

Uber e Glovo fazem os possíveis para evitar "empregados" na Europa

As plataformas de trabalho "à vontade" estão a fazer todos os esforços para escaparem à possibilidade de serem forçadas a classificar os trabalhadores como empregados.

Uber, Glovo, e outras plataformas vieram transformar o dia a dia de muitas pessoas; tanto para quem usa os serviços como cliente, como para quem trabalha para elas. No entanto, são também recorrentes as acusações de que estas plataformas são quase uma "exploração", com os seus algoritmos obscuros a poderem servir como aperitivo para atrair novos trabalhadores no início, mas depois reduzindo o número de serviços e dinheiro que poderão fazer. Preocupações que no outro lado do Atlântico já fizeram com que estas empresas fossem forçadas a classificar os trabalhadores como funcionários e não apenas como "sub-contratados", e que as empresas esperam conseguir evitar na Europa.

Para que a eventualidade de classificação de trabalhadores como funcionários das próprias plataformas, com todo o conjunto de requisitos, protecções e regalias associadas, as plataformas dizem estar dispostas a ceder em alguns aspectos, como oferecer uma garantia de pagamento mínimo para os trabalhadores em função do horário. No entanto, muitos dos funcionários não se mostram convencidos, dizendo que essas promessas podem parecer bem na teoria, mas não ter impacto real na prática, limitando-se apenas a um pequeno sub-grupo de trabalhadores que consiga entrar nos "contratos" que forem disponibilizados.

Se o objectivo é realmente garantir condições mínimas e dignas para os cidadãos e trabalhadores, talvez fosse altura da UE investigar um pouco mais em profundidade a real viabilidade - ou inviabilidade - de certos tipos de negócio, especialmente quanto têm um tal impacto tranversal em toda a sociedade e também na economia. A Uber é um serviço que é apreciado por muitos, mas que enquanto empresa tem perdido milhares de milhões atrás de milhares de milhões, todos os anos (há até quem a acuse de ser apenas uma máquina de lavar dinheiro de investidores da Arábia Saudita). Não seria conveniente que as autoridades competentes averiguassem se realmente há um modelo de negócio sustentável na base destas empresas, ou se não passam de fraudes de proporção bilionária?

4 comentários:

  1. "A Uber é um serviço ... tem perdido milhares de milhões atrás de milhares de milhões, todos os anos"
    Como é isso possível?
    Nunca usei (pois nunca precisei), mas tenho ideia que a UBER é só um "organizador" das viagens...

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    1. Não há praticamente nenhuma, se alguma, tech startup que não perca milhões todos os anos durante muitos anos. Só como exemplo o Twitter só teve o primeiro ano com lucro à 2 anos ou assim. Depois de 12 ou 13 anos de existência.

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  2. Pois, arquitetura financeira tem dessas maravilhas... Uma empresa que começa a ter dívidas no final de pouco tempo abre insolvência, falência e fecha porta, enquanto outras que tem milhares de milhões de prejuízo (também não percebo como se tem prejuízo nestas empresas) encontra "investidores" para injetar dinheiro... sinceramente ainda não percebi....

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    1. Em português tradicional, chama-se a isso "fezada".

      Enquanto existirem otár.... oops, quero dizer, investidores que acreditem no projeto e tenham dinheiro para enterrar ali, a coisa pode declarar negócio (ainda) deficitário, pois haverá sempre dinheiro fresco a entrar vindo dos otár... oops, investidores.

      Na verdade, essa é (também) a história da Amazon.

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