2021/02/18

Fusão de dados possibilita um Big Brother real

A ficção apresentada em séries como Person of Interest aproxima-se cada vez mais da realidade, graças à agregação e fusão da recolha de dados que vai facilitando a criação de um Big Brother.

Vivemos literamente na era da informação, e isso significa que praticamente tudo o que se faz esteja a ser monitorizado de uma forma ou de outras, gerando petabytes de informação a cada dia. O simples acto de transportar um smartphone no bolso significa que temos operadores que sabem a localização de todos os seus clientes, 24 horas por dia; enquanto os fabricantes dos sistemas operativos e apps sabem quando os ligamos, desligamos, que apps utilizamos e quando, com quem comunicamos, e toda uma série de coisas mais que podem ser inferidas e que provavelmente nem se fazia ideia: como o célebre caso da Google deduzir que filmes vimos no cinema com base na localização.

A isto somam-se muitas mais informações, desde os momentos em que passamos por pórticos de pagamento nas estradas, quando se entra num centro comercial e por onde se anda, câmaras de vigilância, etc. etc. Algo que relembra que o grande problema de tudo isto não é o recolher a informação - o que já é feito, há muito - mas sim transformar toda esta imensidão de dados em algo que seja útil. E é nessa área que várias empresas estão a actuar, com resutados que são simultaneamente surpreendentes e preocupantes.

Estas empresas estão a fazer algo idêntico a coisas que se viam em séries como Person of Interest, em que todo este manancial de dados fica à disposição de um investigador (por agora ainda não é uma A.I, mas lá chegaremos), permitindo combinar e relacionar informações de múltiplas fontes. Por exemplo, em caso de um assalto, será possível recorrer analisar que smartphones estavam na área e determinar quais seriam presenças anómalas que não tinham por hábito estar nesse local, ou que revelem um padrão suspeito - como lá tendo estado uns dias antes a inspeccionar o local - e de seguida acedendo às imagens das câmaras de vigilância nas proximidades por altura do acontecimento. Com sorte, poderão captar o rosto do assaltante ou o seu veículo, permitindo dar seguimento a pesquisas por reconhecimento facial, ou descobrir o local onde esse carro costuma passar mais tempo (muitos carros de polícia estão equipados com câmaras que registam todas as matrículas dos carros com que se cruzam, marcando a sua localização).
É um cenário incrível e que todos gostaríamos de ver em funcionamento para apanhar criminosos; mas cujo maior problema é o imenso potencial para abuso, caso não haja o devido controlo no acesso a este tipo de poder. Um poder que, mesmo em menor grau, já parece ser demasiado tentador para ser resistido, como Edward Snowden revelava, ao falar de funcionários da NSA que usavam as capacidades de espionagem para saber onde estavam as suas namoradas ou ex-companheiras, ou para "espreitar" informação privada de vizinhos ou outras pessoas sobre as quais sentissem curiosidade.

Talvez o caso só fique mesmo resolvido quando se tratar de um A.I. a analisar os dados, em vez de humanos ciumentos e ganaciosos. Mas depois, também como a série Person of Interest antecipou; nada nos garante que essa A.I. não venha a sofrer das mesmas imperfeicções dos humanos que a criaram.

1 comentário:

  1. No ultimo parágrafo dizes tudo. Não me parece é que uma I.A. venha a ser a solução para esses problemas.

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