2021/04/01

Hackers chineses estão a vender horas de vídeos de câmaras de segurança

Na China, o fenómeno Big Brother está a tornar-se numa oportunidade de negócio, com hackers a venderem milhares de horas de vídeos gravados de câmaras de segurança, ou o acesso em directo às mesmas.

Não faltam casos que nos relembram os riscos de usar câmaras de vigilância ligadas à internet, muitas vezes com vulnerabilidades que fazem com que tenham literalmente as portas abertas para toda e qualquer pessoa que as queiram espreitar. Há uns anos falamos de um site que se dedica a mostrar câmaras inseguras pelo mundo, incluindo dezenas de câmaras em Portugal.

Mas na China já se avança para uma fase comercial, com fórums onde se vendem e trocam vídeos captados de câmaras de vigilância em casa de pessoas insuspeitas, ou em hotéis, ou ainda de câmaras escondidas em locais públicos, com o valor dos vídeos a variar conforme aquilo que se pode ver - e com os vídeos que incluem nudez ou actos sexuais a terem preços mais elevados. Ainda assim, mesmo vídeos completamente banais, que se limitam a mostrar famílias na sua rotina diária, têm bastante procura, com alguns hackers a revelarem que já venderam vídeos desses milhares de vezes, com preços que variam entre os 3 e os 6 euros.
Poderá ser um simples caso da "oferta" surgir em resposta à "procura" de todo um sector voyeur da sociedade, que programas como o Big Brother televisivo fizeram questão de demonstrar que afinal pode estar bastante mais enraizado do que se pensa. Mas, obviamente, que se torna numa situação inaceitável quando põe em causa a privacidade das pessoas, que não fazem ideia de que estão a ser vedetas de vídeos que nem sabem que estão a ser vendidos.

Não posso deixar de pensar que a coisa até se possa tornar numa oportunidade de negócio real, com uma qualquer startup que até ofereça câmaras gratuitas para quem quiser, pagando uma mensalidade aos utilizadores em função do número de subscritores que tiverem, e ficando com uma comissão. Se isso tem funcionado para o sector do entretenimento para adultos, ou para os canais do Twitch e YouTube, porque não para aqueles que não se importarem de expor publicamente tudo o que fazem em suas casas?

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