2021/06/18

Europa precisa de apostar no open-source para reduzir dependência nos EUA

A Europa tem uma dependência excessiva no software e serviços norte-americanos, e seria uma excelente oportunidade apostar no open-source como forma de a reduzir e fomentar os developers europeus.

Numa altura em que o sector industrial sofre com a escasses de chips, em parte provocada pela centralização da produção de chips numa região do globo (Ásia), poderá ser também tempo para se pensar na dependência na área do software. Hoje em dia, tanto os cidadãos europeus, como as empresas e até os próprios estados, estão incrivelmente dependentes de software norte-americano, começando pelos próprios sistemas operativos (Windows, macOS), como pelos inevitáveis "MS Office", e estendendo-se aos browsers e principais serviços online.

Embora tecnicamente sejamos aliados e não seja previsível haver qualquer situação de conflito (apesar das ocasionais descobertas de que o nosso aliado transatlântico afinal também nos espia), não deixa de ser uma dependência excessiva que dá um poder desproporcionado e uma enorme vantagem aos EUA caso, por qualquer motivo, decidam começar a fazer pedidos secretos às ditas empresas norte-americanas para cederem informações e proibindo-as de sequer divulgarem que o estão a fazer - como também tem acontecido.

O caso não seria assim tão difícil de resolver como possa parecer. Uma aposta no software open-source representaria um investimento que seria uma fracção do que a UE gasta em áreas de investigação - uma fracção até do que é pago para se manter o software proprietário que é usado (pelo que seria um investimento automaticamente recuperado) - tirando proveito dos imensos projectos já existentes, contribuindo para a sua melhoria, e também para o desenvolvimento de novos. As coisas base como o sistema operativo e browser seriam os dois primeiros passos, onde não existe falta de oferta na área open-source, e daí em diante poderia avançar-se para uma "cloud europeia" que fornecesse serviços que facilitassem a cooperação e uniformização dos estados europeus, além de poderem suportar serviços comerciais sem necessidade de se atravessar para o outro lado do oceano.

7 comentários:

  1. Urgente, sem a menor sombra de dúvidas.

    Curiosamente, o Linux e o LibreOffice são dois projetos de software livre com origens em solo europeu.

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    1. Apesar de concordar, existe a questão do treino do pessoal de non-TI no software livre ou em formatos não proprietários como docx,eu sei que existe o Google Docs,mas é norte-americano, o tempo que essas pessoas levariam a aprender a mexer no novo software vale a pena o custo-benefício,isso tinha de começar desde muito novos a mexerem neles,não é por acaso que existe ou existiram p.ex ofertas de office a preços reduzidos para fomentar a continuidade na utilização

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    2. Infelizmente não se trata apenas do office, mas também outras integrações com soluções ditas "enterprise" que serão muito difíceis de migrar para uma solução opensource. O problema do opensource para a maior parte das empresas passa pela questão da garantia e suporte, imaginando que eu tenho uma empresa de call-center ou algo do género e opto por toda uma stack open source, o suporte e qualidade fornecidos possivelmente ficariam possivelmente mais caros do que uma stack proprietária "off the shelf", infelizmente. Eu sou apologista do opensource, apenas uso software open source, mas compreendo a dificuldade de uma migração desta magnitude.
      Sei que a Europa chegou a investir no desenvolvimento de alguns projectos, tais como o Alfresco, e mesmo assim o que vi ficou aquém do esperado em termos de qualidade, infelizmente.

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    3. Desculpem, mas os comentários aqui demonstram o desconhecimento do open-source.
      Tirando as "soluções office", em que a usabilidade está ainda bastante atrás do office da microsoft (sendo que as alternativas ao powerpoint estão muito atrás), nas soluções empresariais é a microsoft que está atrás anos Luz.
      97% da infraestrutura da internet está assente sobre soluções open-source.
      E a questão do suporte é uma não questão... muitas das empresas que desenvolvem open-source têm soluções empresariais , sendo que das quais faz parte a assistência, com SLAs do melhor que existe na indústria.
      O caricato é que a própria microsoft utiliza diversos componentes open-source na sua infraestrutura.

      Por isso a desculpa da falta de assistência, de resiliência, falta de performance, imaturidade,etc .... são só desculpas para esconder a o desconhecimento ou então para venderem um producto qq .

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  2. Não esquecer que o software é só uma parte. O hardware é tão importante quanto o software mas muito mais difícil de se conseguir essa mudança.

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    1. A menos que estejamos a falar de maquinaria proprietária, tipo maquinaria industrial com software feito à medida, em que sim, isso aplica-se.
      Se estamos a falar de servidores, PCs, laptops, tablets, telemóveis... tudo isto tem a possibilidade de correr software open-source .... até o hardware da maçã.

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  3. Se dedicassem ao open source metade da malta que anda a vender e tapar buracos em solucoes proprietárias o open source assentes em standards abertos e interoperaveis, ganhava uma dimensão e evoluía a um ritmo que nenhuma empresa conseguia subverter.

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