2021/08/08

Carta aberta apela à Apple que abandone planos de espiar fotos dos utilizadores

As críticas aos planos da Apple de espiar as fotos dos utilizadores continuam a aumentar, e agora surge uma carta aberta que apela a que reconsidere.

São já cerca de 5 mil entidades e indivíduos que subscrevem esta carta, que aponta vários pontos problemáticos que levantam sérias preocupações quanto a esta tecnologia. É que se por agora é dada a justificação do combate ao abuso sexual de menores, nada impede que a tecnologia seja ajustada para perseguir qualquer outro tipo de conteúdos - e vários especialistas alertam que o sistema que visa proteger as crianças, vai acabar por penalizar imensamente milhares delas, ao denunciar aos pais as suas tendências sexuais, e que são ainda muitos os pais e países que recorrem a métodos extremos para lidar com coisas como a homossexualidade.

Em países como a Arábia Saudita a Apple não pode fornecer o serviço Facetime por usar encriptação e isso ir contra as leis; com este novo sistema a Apple passa de se manter firme aos seus princípios para uma posição de facilitador da monitorização em larga escala de todos os seus utilizadores. Tal como com a desculpa do terrorismo, usada para violar a privacidade de milhares de milhões de pessoas, com a expectativa de apanhar alguns poucos indivíduos, os benefícios estão longe de justificar os riscos.

O que é certo é que esta questão está longe de estar terminada. Agora que avançou com esta ideia, serão muitos os governos e entidades a salivar com as potencialidades (abusivas) desta tecnologia e farão todos os possíveis para que a Apple a disponibilize. Mesmo que a Apple eventualmente acabe por reconsiderar por pressão da comunidade e especialistas de privacidade, poderá já não ir a tempo para impedir que o "mal já tenha sido feito".

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