2021/11/28

O absurdo das compras dos jogos digitais

As compras digitais têm sido subvertidas ao ponto de se tornarem menos versáteis que as compras físicas, e um campo onde isso mais se faz sentir é nos jogos.

Tirando algumas poucas excepções, o mundo da compra dos jogos digitais é uma verdadeira aberração, em que os editores esperam que um jogador compre um jogo para o jogar no PC, e volte a comprar para jogar numa PlayStation, ou Nintendo Switch, ou Xbox. O caso torna-se ainda mais caricato, pois estes mesmos editores fazem todos os possíveis por nos convencer que quando se compra um jogo não se está a comprar o jogo, mas somente uma licença para o podermos jogar - e se é esse o caso, se temos uma licença para jogar o jogo, ainda menos sentido faz estar a restringir esse direito por plataforma.

Há jogos que nos mostram um panorama melhor (embora pior noutros sentidos), em que podemos instalar um jogo gratuito em qualquer plataforma, fazemos o login na nossa conta, e temos acesso a todos os nossos conteúdos e compras "in-game"; mas nem todos os jogos se adequam a esse tipo de sistema como o Fortnite (que Tim Sweeney vai usando como exemplo) - e que também fica dependente da "boa vontade" do estúdio manter os servidores do jogo a funcionar; algo que garantidamente não irá durar para sempre, como demonstram os muitos jogos cujos servidores de autenticação já foram desligados ao longo das décadas, obrigando os legítimos compradores a terem que recorrer a cracks ou cópias pirateadas para poderem jogar o jogo que compraram.

Os editores e estúdios deveriam preocupar-se menos em gastar milhões de dólares em sistemas anti-pirataria - que não funcionam e infectam os PCs com verdadeiros spywares - e mais com a justiça de darem aos consumidores aquilo que estão a pagar o acesso ao jogo, que compraram legitimamente, e que deveriam poder aceder em qualquer plataforma à sua escolha, e com alguma garantia de que o poderão continuar a fazer daqui por 5, 10 ou 20 anos.


P.S. O mesmo se aplica aos filmes, onde os estúdios ao longo dos anos também nos tentam dizer que só compramos o direito de ver o filme, mas depois alegremente se tentam fazer cobrar pelos conteúdos em cada novo formato que vai saindo.

7 comentários:

  1. Discordo na parte que deveria dar a possibilidade de jogar em qualquer plataforma. Agora nem tanto (já que a base é a mesma) mas antigamente eram sistemas completamente diferentes o que implicava fazer um jogo para cada uma. E não esquecer que cada jogo tem de estar licenciado, pagar royalties...

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    1. Eu concordo em certa medida também:
      - no que não exige quase alteração nenhuma (CD & AAC; DVD & Blu-Ray; xbox & PS) as licenças deveriam ser automáticas.

      - nas que há muito trabalho envolvido (xbox & Switch; versão dos anos 90 & remate 2021) óbvio que se tratam de versões muito díspares e há que comprar uma nova licença.

      A questão mais absurda é que se eu comprar em formato físico (como antigamente) eu possuo a música, jogo ou filme e posso passar para as próximas gerações ou até vender; em formato digital se a plataforma faliu ou até eu quiser vender, em quase nenhuma está permitido. Ora aqui fazem muitíssimo dinheiro as plataformas e quem sai a perder é o cliente e lojas de usados. No final as leis europeias não nos defendem.

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  2. E o pior é pagar por um formato digital o mesmo que um disco cujos custos de fabrico e distribuição são muito maiores.
    E a maior parte dos jogos digitais vêm praticamente em fase beta o que é ridiculo. Patches no primeiro dia de lançamento e outras palhaçadas identicas...
    Mas a carneirada gosta de ser enganada e compra e ainda fazem as pre reservas de jogos que vivem apenas do hype e depois são autênticos "flops" cheios de bugs.

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    1. O problema dos jogos físicos, no que toca aos patches no lançamento ainda são piores. Muitas vezes quando fazes download do jogo no dia de lançamento, o patch "não" existe pois sacas uma build nova ao contrário da que encontras no jogo físico.

      Quanto ao preço, convenhamos que o custo de meter um jogo físico na rua é muito, muito baixo quando comparado ao preço de um jogo lançado recentemente. Assim sendo, não é difícil encontrar jogos online com preços mais simpáticos. Aliás, procura por exemplo o FIFA 22 para XBOX Series, e vê por quanto consegues comprar online. Se procurares bem, estamos a falar de uma diferença de quase 10€.

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  3. Pessoalmente não acho que a licença deva ser multi-plataforma. Desenvolver um jogo para a PS5, XBOX ou PC é consideravelmente mais barato que desenvolver um jogo para a Switch.
    Isso a acontecer faria com que o preço do produto final fosse mais caro. Por isso é que ao fim de 2 anos tens um jogo físico a metade do preço na XBOX ou PS5, mas na Switch o preço mantém-se lá em cima.

    O meu problema com os jogos físicos, não o seu preço, se é licença ou não, se pode ou não ser revendido (eu pelo menos não compro com essa intenção).
    O meu único problema com tudo isto é quando de repente alguém se lembrar de desligar os serviços de autenticação dos jogos e consolas. Basta ver o que a Sony tentou fazer com o acesso da PS3 à PS Store ou a Nintendo com o Wii à eStore.

    O que deveria existir era legislação que prevenisse este tipo de coisas. Pois a partir do momento que estamos a comprar um produto em formato virtual, a entidade que gere a plataforma deveria garantir acesso ao mesmo em perpetuidade, mantendo sistemas que permitam o acesso ao jogo. Isto ou permitindo ao cliente solicitar uma cópia física do jogo aquando do encerramento da loja virtual.

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    1. "O meu problema com os jogos *digitais* (...)"

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  4. Não tenho memória de gastar um cêntimo que fosse com jogos eletrónicos.

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