2021/12/07

A loucura de perder €500M em Bitcoin no lixo

Um britânico de 36 anos tem passado a última década em estado de desespero, ao saber que tem uma fortuna em Bitcoin no aterro local.

James Howells faz parte do grupo de pessoas para quem as Bitcoin se tornaram numa maldição. Depois de ter feito parte da primeira vaga de adeptos, quando a criptomoeda era desconhecida do público em geral e o seu valor era meramente ideológico, acumulou 8000 bitcoins cuja chave ficou guardada no disco do seu portátil. Um disco que acabou por ficar guardado numa gaveta após um acidente, tendo a pasta das criptomoedas ficado por lá esquecida, por ter mudado para um Mac, para o qual, na altura, não existia o software de Bitcoin - mal sabia ele o transtorno que não copiar esses dados lhe viria a trazer.

Anos mais tarde, em 2013, esse mesmo disco viria a ser um dos escolhidos para mandar para o lixo, entre outras "tralhas" que se acumulavam no seu escritório. Mas, pouco depois, os remorsos entraram em acção, não pelo conteúdo, mas pelo facto de não querer atirar material electrónico para o lixo comum. O disco foi retirado do saco do lixo, e acabou por ser entregue no aterro local com o restante material. Só que, contra todas as expectativas, aquelas critpomoedas que valiam "quase zero" (poucos anos antes alguém tinha comprado uma pizza por 10 mil bitcoins!) começaram a subir. Quando começaram a surgir nas notícias os primeiros casos dos jovens criptomilionários, a consciência começou a não o deixar descansar.

Quando as suas bitcoins atingiram um valor de cerca de 6 milhões de euros, confessou o sucedido à sua namorada, que o incentivou a ir ao aterro explicar a situação. Uma verdadeira missão impossível para o qual existia apenas uma réstia de esperança: o encarregado disse-lhe que as coisas eram enterradas de acordo com a sua classificação e, de uma área de centenas de milhares de metros quadrados, a zona alvo reduziu-se a uma zona com "apenas" 250 x 250 metros. O "X" que marca oi tesouro estava encontrado, mas para escavar numa zona de aterros teria que enfrentar a burocracia local em Newport para obter as devidas permissões.
Infelizmente para James, a receptividade do município tem sido nula, apesar dele já se ter disponibilizado para doar 25% do valor das suas bitcoins perdidas. Mês após mês, ano após ano, tem feito inúmeras tentativas para tentar concretizar o projecto de procurar um disco em toneladas de lixo enterrado, e vendo o valor dessas 8 mil Bitcoins aumentarem para valores astronómicos. Há poucas semanas, quando atingiu novo máximo histórico, o valor ascenderia a mais de 460 milhões de euros, e apesar de o "sobe-e-desce" das criptomoedas já ter subtraído alguns milhões desde então, James considera inevitável que o valor continue a subir até ao ponto do município deixar de poder ignorar a situação.

Até lá, James Howells vai-se mantendo um homem consumido por esta missão, que já lhe custou relações pessoais, e nada disposto a seguir o conselho de outras pessoas que se viram em situações idênticas: a de esquecer aquilo e seguir com a sua vida.


Não posso deixar de achar curioso que em séries como "The Curse of Oak Island" se acompanhe uma equipa há quase uma década, que todos os anos gasta milhões a tentar encontrar um misterioso tesouro que nem se sabe se existirá; enquanto aqui temos um caso em que se sabe garantidamente onde estará um "tesouro" de centenas de milhões de euros. Talvez venha a ser preciso criar um documentário para acompanhar este busca pelas Bitcoin perdidas para se chegar a um desfecho... Ou arriscar que isto se torne uma notícia recorrente quando o valor atingir os mil milhões, dois mil milhões, etc.

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