2021/12/06

ESA preocupada que Elon Musk domine o espaço

O director da Agência Espacial Europeia (ESA) veio alertar para os riscos de se facilitar a vida a pessoas como Elon Musk, deixando-as dominar o espaço com dezenas de milhares de satélites.

Josef Aschbacher não está impressionado pela forma como Elon Musk e a SpaceX têm estado a ocupar grande parte do espaço em órbita com milhares de satélites, como cada um deles a ocupar espaço e frequências que não poderão ser ocupados por projectos europeus. Diz até que, neste fase, se assiste quase a uma situação em que é a SpaceX e Elon Musk a ditarem as regras, tirando partido de uma situação inédita em que temos uma mesma empresa privada com capacidade para criar satélites e também os foguetes para os colocar em órbita, e a fazê-lo a um ritmo nunca antes visto na exploração espacial.
Advertências e preocupações que chegam numa altura em que a NASA prolonga o contrato com a SpaceX para o envio de astronautas até à ISS (Estação Espacial Internacional), também por não naver ainda nenhuma alternativa viável para que os potenciais concorrentes o façam (o projecto da Boeing continua atrasado, não devendo poder lançar astronautas antes de 2023, se não houverem novos incidentes).

É fácil entender a frustração de Josef Aschbacher. A indústria aeroespacial era um sector onde as coisas se passavam muito vagarosamente, demorando muitos anos a conceber um satélite, produzi-lo e lançá-lo, com uma frequência de alguns poucos por ano. A SpaceX chegou, e no espaço de tempo em que o James Webb se foi arrastando, criou foguetes reutilizáveis e está a criar uma mega-constelação de comunicações em órbita, lançando quase uma centena de satélites por semana - o que a curto prazo irá fazer com que Elon Musk seja responsável por ter mais satélites em órbita do que todos os que já foram lançados até então. Ainda assim, importa relembrar que também a SpaceX tem que seguir as regras da FCC e demais entidades competentes, e que já por diversas vezes tem sido obrigada a fazer ajustes e a abrandar as suas intenções - pelo que as coisas não são tão "à vontade de Elon Musk" como Josef Aschbacher poderá querer fazer crer.

Num mundo ideal, em vez de se terem 3 ou 4 constelações de satélites concorrentes, como as que estão planeadas, teríamos um esforço conjunto a nível mundial, para criar uma plataforma standard em que todos pudessem contribuir para um bem comum; mas como esse mundo ideal está longe de se concretizar... temos aquilo que é possível.

2 comentários:

  1. Ficaram deitados à sombra da bananeira e agora queixam-se.

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  2. É interessante que a ESA esteja dependente da NASA, da ROSCOSMOS e da SPACEX para lançar astronautas e ainda assim critique os feitos da SpaceX.
    No mesmo espaço de tempo em que a SpaceX nasceu e criou os seus foguetões, a ESA criou .... os melhores satélites de meteorologia, mas pouco mais ....

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