2012/09/06

Novos Kindle da Amazon: PaperWhite e Fire HD


A Amazon já apresentou a sua nova família de Kindles... e embora não se tenha concretizado o rumor de um smartphone da Amazon, há bastantes novidades bem interessantes.  A apresentação foi longa mas estudada ao pormenor - poderia até dar a ideia de que estavamos numa apresentação de uma certa marca com uma maçã como logotipo - e parece-me que conseguiu fazer passar todos os pontos essenciais a que se propôs, e de forma exemplar.

Actualização: vídeo da apresentação adicionado no final do post.

A Amazon começou por relembrar que é fornecedora de conteúdos, que podem ser usados de forma universal em praticamente todos os dispositivos - e criticou os restantes fabricantes "de gadgets", dizendo que não foi por acaso que o Kindle Fire se tornou no tablet mais vendido do mercado (tirando o iPad). Dizem que os consumidores não são burros, e que estão fartos de gadgets - o que querem é um serviço completo e integrado, que vá evoluindo e melhorando com o tempo e que não se esqueça deles.

Mas como nem só de conteúdos se pode viver... passemos ao Hardware:

Kindle Paperwhite


Tal como já tinha vindo a público anteriormente, o Kindle evolui para uma nova versão com um ecrã luminoso Paperwhite. Um ecrã que não "ofusca", tem maior resolução maior contraste, maior densidade, e que ainda assim tem autonomia para 8 semanas, com a iluminação sempre ligada.


Graças à resolução e constraste superior, o Kindle Paperwhite pode apresentar tamanho de letra mais pequenos e tipos de letra mais trabalhadas. Também apresenta o tempo estimado que falta de leitura para chegarem ao fim do capítulo ou livro. Igualmente interessante é o X-Ray, que permite analisar os livros ao pormenor, permitindo ver - por exemplo - o nome dos presonagens mais mencionados, e mostrar a sua frequeência ao longo do livro, assim como informações adicionais sobre cada um.


Como sempre, a Amazon não deixou de dizer que há mais de 180 mil livros exclusivos para o Kindle, para além dos restante milhões de livros, e que todos eles estão ao alcance de qualquer pessoa com um Kindle, com que conta com espaço gratuito de armazenamento na Cloud da Amazon.



Mas, como sempre... tudo isto pouco ou nada diz ao consumidor final até ao momento em que se ficam a conhecer os preços... e tal como tem vindo a ser tradição na Amazon, estes são bem competitivos: o novo Kindle Paperwhite custa $119, com a versão Paperwhite 3G a custar $179. Ambos ficam disponíveis a partir de 1 de Outubro e podem ser encomendados desde já.

E porque a gama não ficaria completa sem um modelo mais acessível, a Amazon mantém um Kindle económico (sem o ecrã iluminado), que tem contraste melhorado, novos tipos de letra e maior velocidade a "virar as páginas"... e que fica disponível por apenas $69 dólares. Este modelo fica disponível já a 14 de Setembro.



Kindle Direct Publishing


De seguida Jeff Bezos relembrou a quantidade de autores que foram rejeitados dezenas de vezes antes de verem as suas histórias publicadas e tornarem-se sucessos mundiais. Com Kindle Direct Publishing, a Amazon coloca ao alcance de qualquer pessoa a possibilidade de editar os seus livros, ficando imediatamente disponíveis para os milhões de Kindles em todo o mundo. Tudo isto é feito sem custos para os autores, recebendo 70% do preço do livro.

Para demonstrar o sucesso que isto tem sido, e a qualidade das obras que surgem no KDP, 27 livros do Top 100 são livros publicados via o Kindle Direct Publishing.

A verdadeira "App Store" para livros, que dá a possibilidade a qualquer aspirante a escritor de se poder tornar num sucesso mundial sem ter que lidar com agentes ou editoras.


Kindle Singles e Kindle Serials


Porque nem sempre um escritor tem que escrever um livro, temos também os Kindle Singles, para histórias mais curtas - e também temos uma nova modalidade, os Kindle Serials; edições sequenciais com episódios, em que basta comprar "um" para ter acesso a todos os episódios futuros (que vão sendo adicionados automaticamente ao final da história anterior.)

E daqui passamos para...

O Novo Kindle Fire


Com um processador mais rápido, o dobro da memória e mais autonomia, a Amazon melhora o bem sucedido Kindle Fire... e define novamente uma nova referência no preço. Se o Kindle Fire original foi o sucesso que foi ao chegar ao mercado a $199, este novo Kindle Fire poderá fazer o mesmo... com um preço ainda mais reduzido de $159.

Mas há mais...


Novos Kindle Fire HD


E tal como era esperado, a Amazon passa a ter também Kindles Fire mais modernos, os HD, do qual se destaca o maior, com ecrã de 8.9"... e que ecrã! Este Kindle Fire HD vem equipado com um ecrã LCD IPS de 1920x1200! Um ecrã com um polarizador especial que aumenta a qualidade da cor, e que também elimina os espaço entre o sensor touch e o LCD para minimizar os reflexos indesejados. O processador é um OMAP4470 da TI, mais veloz que o Tegra 3.


A Amazon novamente apontou o dedo aos fabricantes de tablets que simplesmente se têm limitado a copiar aquilo que já está feito, e seguir em frente com as novidades:
  • Qualidade sonora - em vez de uma única coluna de som monofónica, o Kindle Fire HD conta com duas colunas stereo.
  • WiFi - para maximizar o desempenho WiFi, o Fire HD conta com WiFi de 2.4 e 5Ghz e duas antenas (MIMO)

De seguida, a oportunidade para gozar um pouco com os equipamentos que vêm equipados com apenas 8GB de espaço.


Com os conteúdos HD a ocuparem substancialmente mais espaço, a Amazon diz que ter apenas 8GB "é para esquecer", não dando para ter alguns livros, um jogo e um filme em HD (e têm razão). Portanto, o Fire HD vem com 16GB, para dar mais alguma tranquilidade aos utilizadores.

E como o software também é importante...


Também os audiobooks passam a poder estar sincronizados com as vossas leituras, via o Whispersync for Voice; e - talvez mais interessante ainda - temos o Immersion Reading, que vai seguindo um audiobook iluminando o texto do eBook de forma sincronizada, e assim permitindo uma melhoria na retenção dos conteúdos, quer para pessoas com dificuldades de aprendizagem... quer para todos os outros!


Se o X-Ray para os livros é excelente... a Amazon traz o mesmo conceito para os filmes, em parceria com o IMDB. O X-Ray for Movies permite que a qualquer altura possam pausar o filme e ver os actores que estão em cena, informações sobre os filmes em que entraram, adicionar os filmes à vossa lista de compras, etc.

Quanto aos jogos, temos agora o Whispersync for Games, para evitar que quando mudam de equipamento tenham que recomeçar os vossos jogos do zero. (Basicamente, a Amazon tem agora um "iCloud" bastante abrangente - ainda mais que o da Apple em certos aspectos).

As novidades seguem-se: cliente de email melhorado, sincronização de contactos e calendários, suporte para Gmail, Hotmail e Yahoo!, app específica para o Facebook, Skype HD para videochamadas (tem câmara HD frontal)


Gestão de múltiplos utilizadores, com a possibilidade de definirem tempos limite para os filhos (de forma individual), por exemplo: que podem ler durante tempo ilimitado, mas apenas ver filmes ou jogar por meia-hora. (Sem dúvida que os pais vão adorar esta funcionalidade... :)



Portanto, tudo coisas boas... mas o que começava a fazer alguma comichão era... e a que preço chegará isto?


O Kindle Fire HD de 7" com 16GB custará $199, e o Kindle Fire HD de 8.9" ficará por $299! (O de 7" fica disponível a 14 de Setembro, o de 8.9" só a 20 de Novembro.)

Não se esqueçam que estamos a falar de um tablet com resolução de 1920x1200... e que fica a preço inferior à maioria dos tablets actuais, com resoluções inferiores!


Para explicar estes preços, a Amazon diz que dá prioridade aos interesses dos clientes, e que só ganha quando eles ganham; que o seu objectivo é ganhar dinheiro com os clientes quando estes usam os seus equipamentos, e não quando eles os compram.


E quando se pensava que estava tudo visto, Jeff Bezos relembrou que prometeu apresentar os melhores tablets para todas as gamas de preços, e perguntou qual era o preço mais comum nos tablets actuais ($499).

Então... a Amazon pôs-se a imaginar: se conseguimos fazer um Kindle HD a $299... o que conseguiremos fazer por $499?

Cnnfesso que a esta altura a minha imaginação entrou em modo overdrive com o que dali poderia sair... mas infelizmente o que se veio a descobrir não foi assim tão excitante:


Trata-se do Kindle Fire topo de gama, o Kindle Fire HD 4G, que duplica o espaço para 32GB, e... tem 4G. (Penso que não compensará face ao Fire HD WiFi... mas isso caberá a cada um decidir.)

A acompanhar o 4G surge um pacote de dados da Amazon, que por $49.99 anuais, oferece 250MB de tráfego mensal, 20GB de espaço na cloud da Amazon, e $10 em crédito na AppStore. Um preço que poderá ser interessante (tirando o crédito de $10, dá $3.25 dólares mensais), mas que se torna um pouco ridículo ao oferecer apenas 250MB para um tarifário 4G.

250MB poderá dar para ler o mail, mas pouco mais. Veja-se 250MB /30 dias equivale a cerca de 8MB por dia... se visitarem 2 ou 3 sites carregados de imagens... já se foi.


Mas pronto não é por aí que estes novos Kindle deixam de voltar a abalar o mercado: tanto o novo preço base para um tablet ($159), os Kindle HD (o de 7" com 16GB a $199) e principalmente, o Fire HD de 8.9" que a $299... estará por esta altura a fazer com que muitos fabricantes estejam a praguejar por todo o lado.

De um momento para o outro, os tablets de 8.9" com ecrãs FullHD que tinham preços para cima dos $500 ficam cortados da equação... e na verdade, todos os outros. A Amazon tem uma posição privilegiada, pois pode dar-se ao luxo de praticar estes preços lucrando depois na venda dos conteúdos, numa escala que supera o iTunes da Apple (para além dos conteúdos digitais, a Amazon tem também milhões de artigos físicos disponíveis), e também o Google Play - e sem qualquer comparação com os simples fabricantes, que apenas lucram com a venda dos equipamentos... e que não poderão competir com estes preços.

Vamos lá ver de que forma é que a Apple e o Google reagem a estes novos Kindles... pois a coisa começa a aquecer. E será interessante também ver qual será a resposta da Microsoft, com os seus Surface RT que estavam prometidos como tendo preços "concorrenciais". Qualquer Surface com preço superior a $299 será suicído, e uma vez que por esse valor duvido seriamente que venha equipado com um ecrã de 1920x1200... a Microsoft vai ter que repensar muito bem a sua estratégia para cativar clientes. Será que espera que o nome Windows, por si só, será suficiente para que as pessoas justifiquem o diferencial de preço?... Não sei não. Mas cá estaremos para ver!



[fotos via The Verge]

11 comentários:

  1. A eterna pergunta: quando é chega a Portugal? :)

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    1. O Kindle Fire HD em Novembro, a totalidade dos conteúdos talvez nunca!

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    2. Mas qual é a lógica de não ter os conteúdos...?

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    3. As habituais chatices com as "regiões" e mercados dos direitos de autor e coisas que tais...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Eish, na europa so vai ter o KFHD 7" ?!?! E o de 8.9"?!?! Não vai tar à venda?!?!

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    1. O de 8.9" só vem para 20 de Novembro... ainda há tempo para chegar. :)

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  4. O Kindle paperwhite interessa-me bastante...

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  5. Anónimo7/9/12 14:32

    Um grande problema hoje em dia eh o facto de haver ainda regioes, e direitos de autor que tem que ser negociados pais a pais. Entendia se estivessemos numa pais de 3o mundo, mas pelo menos EUA/Canada/Comunidade Europeia e outros tantos de primeira linha (Brasil por exemplo) deviam arranjar um metodo automatico de que o que ha disponivel para uns, haver para outros a precos identicos. Hoje em dia o mercado eh global (internet, recepcao de tv por satelite, etc) e é cabal ainda nos dia de hoje vermos musicas/filmes/etc que so sao disponibilizados em alguns paises. Enfim... Seja como for se eu nao tivesse o iPad 3 saltava logo para o Kindle HD 8.9", se bem que nao tem o Google Play que tanta falta faz... PS: GPS tambem acho que nao tem...ou tem?

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  6. Dá para encomendar o Fire normal na amazon.co.uk?

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  7. Os do Google programam bem, os da Apple desenham bem, mas para negócio ninguém chega a estes da Amazon...
    O form-factor de 8,9 num tablet é certeiro. Nunca entendi como ainda ninguém tinha copiado a Samsung nesse aspeto.
    Com aquele ecrã e o ecossistema da Amazon, é um tablet irresistível... para os americanos.
    Acho até que vai roubar muitos iPad-fans que já perceberam que um tablet não dá para mais do que consumir conteúdos e têm na mão uma tábua grande de mais.

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