2018/02/28

Anacom chumba tarifários "zero-rating" da Vodafone, MEO e NOS


Depois de um prolongado silêncio, a ANACOM faz-se finalmente ouvir quanto ao crescente número de tarifários com oferta de dados diferenciado em função dos serviços, dando 40 dias aos operadores nacionais para que regularizem a situação.

Embora a ANACOM não proíba expressamente os tarifários zero-rating - aqueles em que os clientes tem acesso a um limite de dados para uso geral, mas onde algumas apps e serviços podem ter limites diferenciados ou tráfego "ilimitado" (por exemplo, ter 1GB de dados gerais mais 5GB para usar no YouTube) - refere que detectou situações irregulares em muitos dos tarifários nacionais, tanto a nível da gestão do tráfego de dados como a nível da sua utilização em roaming; dando 40 dias aos operadores para corrigirem os tarifários.

[alguns dos tarifários referidos pela ANACOM]


Em concreto, a ANACOM diz que é ilegal que os operadores discriminem os dados quando o limite de dados gerais chega ao fim, após o qual o operador poder limitar ou proibir esses dados enquanto permite os dados para serviços específicos (violação da neutralidade da net); e também que a oferta desses dados diferenciados não pode, na maioria (totalidade?) dos casos, ser utilizada quando o cliente está em roaming.

A primeira sugestão dada pela ANACOM é precisamente aquela pela qual há muito lutamos, de que os operadores deixem de fazer qualquer diferenciação em termos de dados / serviços, e que se limitem a oferecer uma quantidade de dados única, que o utilizador poderá usar como bem entender. Ou seja, em vez de oferecer 1GB + 5GB para certas apps, que ofereçam 6GB e fica o assunto arrumado.



Sem grandes surpresas, os operadores já vieram dizer, num comunicado conjunto, que esta decisão "prejudica os interesses dos consumidores" ao proibir ofertas que os mesmos procuram - num claro caso de amnésia colectiva: isto não é o que os consumidores querem, isto é apenas o que os operadores estão a disponibilizar e que se torna no "melhor possível". O que os consumidores querem é limites de dados generosos, sem discriminação de dados por apps ou serviços, e pena é que seja necessária a intervenção da ANACOM para que os operadores ouçam isso!

A decisão da ANACOM está disponível para consulta pública, com os operadores a terem 25 dias úteis para se pronunciarem oficialmente; depois seguem-se mais 25 dias úteis para a ANACOM analisar as respostas e tomar a decisão final; e só então se inicia o  ultimato" dos 40 dias para que os operadores façam as alterações necessárias - e que seguramente irá resultar em grandes dores de cabeça, por afectar milhões de contratos que agora irão ter as regras alteradas "a meio" (sendo eu próprio um dos afectados, pois estou num tarifário que também faz essa discriminação dos dados, e muito curioso estou para ver que proposta a Vodafone me irá fazer.)

Espero sinceramente que os operadores aproveitem para fazer o correcto e passem a disponibilizar a totalidade dos dados (gerais+específicos) para uso indiscriminado... e aproveito para agradecer à ANACOM por, mesmo tardiamente, ter vindo meter a "casa" em ordem, numa altura em que os operadores começavam a abusar cada vez mais nesta discriminação dos dados. É caso para dizer que estão agora a colher aquilo que plantaram...

27 comentários:

  1. Mudei para o Vodafone Up. Agora também estou curiosa com o que vai acontecer.

    ResponderEliminar
  2. As operadoras se oferecerem esses serviços diferenciados (a cada APP)é pq têm acordos comerciais com essas empresas. Ou pensam que eles oferecem tráfego ilimitado no Spotify (por exemplo) pq o Spotify tem bonitos olhos 🤩

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O tráfego não é ilimitado. Por exemplo, no caso dos Yorn x as apps que "não gastam dados" entre as quais o Facebook e Spotify têm um plafond de 10gb/mês. Se perguntar ao operador eles dizem isso...

      Eliminar
    2. Caso na Meo o plafond é de 20GB por mês para as apps fora os 5GB para Twitch e Youtube, Vamos sair prejudicados pelo que me apercebi irá acabar esses extras e teremos apenas os ridiculos 500mb , 1GB e 5GB, estando eles "oferecerem" agora as porcarias de contratos para aumentar internet e fidelizações. A meo propos-me 3GB por 12,99€ ou 5GB por 14,99

      Eliminar
  3. "Ou seja, em vez de oferecer 1GB + 5GB para certas apps, que ofereçam 6GB e fica o assunto arrumado"

    Tendo em conta o historial de desonestidade e desrespeito pelos clientes e ordens do regulador, muito provavelmente vão oferecer apenas 1 GB pelo mesmo preço e tentar desviar a ira dos clientes para a ANACOM.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cabe-nos a nós voltar a centrar a "mira" sobre o alvo correcto.

      Esta é a melhor oportunidade de sempre para exigir aos operadores que façam o que é correcto. Senão só vão é perder ainda mais (a longo prazo)... querem mesmo que os portugueses comecem a arranjar esquemas para usar tarifários muito mais vantajosos que existem noutros países, em roaming cá?

      Eliminar
    2. Muito gostam de falar em nosso nome, não é? Não dei autorização para isso :)
      Por isso, é que acho obsceno o que se passa no fixo, uma simples oferta ADSL 2P, hoje em dia, nem aceitam comprar, quando antigamente era só ir à loja e comprar um router.

      Querem é rendas.

      Eliminar
    3. Outros países? Portugal tem os melhores tarifários do mundo, aqui em Espanha paga-se 60€ por 3GB de net... Que mania dos portugueses falarem mal de Portugal, o que existe é uma procura dos espanhóis na zona fronteiriça por cartões portugueses... Isso sim...

      Eliminar
    4. Escolheste a fronteira errada, vai para a fronteira com França, vê os tarifários lá, e depois vem falar de Portugal... :)

      P.S. se quiseres, trocamos os nossos tarifários pelo preço dos combustíveis em Espanha... :)

      Eliminar
    5. Em Espanha tens o Vodafone Yu por apenas 10€ com 2GB, sendo que nao faltes com carregamente te add mais 1GB por mês.

      Eliminar
  4. ou seja, com isto as operadoras vão provavelmente passar os dados para 1gb, 2gb e 10 gb e acabaram-se as borlas ou seja o consumidor acaba por ficar a perder. mesmos que passe a dar os 1+5Gb ficávamos a perder porque atualmente eles dão 15Gb em todos os tarifários. 0.5, 1, 5gb para navegação geral 5Gb para youtube e spotify ou appleM e o resto para as apps.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não vai ser simples... há contratos com os clientes; não vão poder simplesmente "cortar" e dizer que fica assim...

      Eliminar
    2. Há questão aqui é que em 90% dos casos estes plafonds sao oferecidos em tarifários pré pagos não existindo por isso contratos

      Eliminar
    3. @Tyler Watson Existem sempre contratos, um contrato não quer dizer que assinaste alguma coisa, qualquer serviço prestado é um contrato, têm de manter as condições, têm de dar garantia, etc etc

      Eliminar
    4. Isso quando assinas algo. Se adquiriste um pre pago e nem sequer identificaste em teu nome, que garantias e que queres?

      Eliminar
  5. Com o zero rating quem perde é o consumidor. Com a neutralidade da Internet na ordem do dia, ler-se o comunicado da ANACOM é uma lufada de ar fresco, numa realidade dominada pela demagogia. Os miúdos só terem smart phones para as redes sociais é outro cancro

    ResponderEliminar
  6. Claro que há contrato, não há é fidelização

    ResponderEliminar
  7. Az operadoras lançaram um comunicado conjunto...?????

    Qual é mesmo a palavra de 6 letras que no dicionário que vem depois de carteira?

    ResponderEliminar
  8. Eu quero acesso livre à internet livre, não quero saber de borlas em certas aplicações.

    ResponderEliminar
  9. O zero-rating na sua forma original, como oferta adicional ao tarifário base (yorn X, moche, wtf) não me parece mal.
    O problema é terem começado agora a cobrar extra por pacotes de aplicações. Isso sim, abre precedentes perigosos.
    Quanto a mim é só proibir estes "aditivos" pagos e está feito.

    ResponderEliminar
  10. Venham lá mas é valores de dados consistentes com as velocidades que já conseguimos atingir em 4 G e tiro o chapéu a ANACOM por fazer um apelo a livre escolha de navegação na Internet, esqueçam os USA e as suas leis de carregar pela boca o canhão

    ResponderEliminar
  11. Ninguém leu como deve ser aquilo que a Anacom disse. E quando perceberem vão virar-se todos contra ela. O artigo da TVI24 explica claramente http://www.tvi24.iol.pt/economia/internet/anacom-da-40-dias-as-operadoras-para-acabar-com-tarifarios-ilegais

    O único problema para a Anacom é quando se esgota o plafond de dados geral, o consumo de dados seja barrado também ao tráfego de aplicações específicas. E propem várias alternativas, e nenhuma delas é acabar com os pacotes extra.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que está bem explícito:
      "Em concreto, a ANACOM diz que é ilegal que os operadores discriminem os dados quando o limite de dados gerais chega ao fim, após o qual o operador poder limitar ou proibir esses dados enquanto permite os dados para serviços específicos".

      no site deles: " objetivo desta medida é evitar a discriminação entre conteúdos e/ou aplicações que integram plafonds de dados gerais, e que estão sujeitos a bloqueios ou atrasos quando esses plafonds se esgotam, e os conteúdos e/ou aplicações que integram plafonds de dados específicos ou sem limites de tráfego, e que não estão sujeitos a qualquer bloqueio ou atraso quando se esgota o plafond geral de dados. Esta prática, que é proibida pelo Regulamento TSM, no seu artigo 3º, põe em causa a neutralidade da Internet."

      Eliminar
    2. Quanto às alternativas sugeridas pela ANACOM, é logo a primeira:
      "Uma das soluções poderá passar pela possibilidade de o plafond específico ser usado quando se esgota o plafond geral, para se poder continuar a aceder a qualquer aplicação ou conteúdo, mesmo fora do âmbito abrangido por esse plafond."

      ... O que resultaria na prática em ter a totalidade dos dados para usar como bem se entendesse - que é o que se quer.

      Eliminar
    3. LOL... sei não mas me parece quem quem vai perder neste caso é o consumidor...

      Eliminar
  12. Acho muito bem a intervenção da Anacom. Outra coisa gostava de ver a possibilidade de escolha de Gigas e Minutos nos Pacotes M4O M5O etc.
    Como a Nowo faz por exemplo. Não é justo estar a pagar 11 Euros para tantos gigas e minutos. Vou dar um exemplo...o meu pai com 60 anos justifica-se estar a pagar 11 euros para tanta regalia quem o meu pai nem se quer usa. Já era altura de fazerem pacotes assim. Quando mudei o cartao do meu pai para o pacote da Nowo onde esta a pagar 4 euros por 500 minutos que lhe chegam e sobram, ainda a meo me queria oferecer um pacote unlimited que net dava partilhar pela familia mais X minutos e sms e isto tudo por 8 euros...enfim

    ResponderEliminar

[pub]