2018/03/27

Mobileye conseguiu detectar peão no vídeo do atropelamento da Uber


O caso do atropelamento pelo carro autónoma da Uber continua a receber críticas vindas de todos os lados, e agora até a Mobileye mostra que o seu sistema seria capaz de detectar a pessoa na estrada mesmo usando o vídeo de baixa qualidade que foi revelado.

O estado do Arizona já suspendeu a autorização da Uber para testar carros autónomos até que tudo fique esclarecido; e todos continuam a aguardar que a Uber esclareça múltiplas questões, nomeadamente, se estaria ou não a utilizar o LIDAR no veículo em causa, e também disponibilizar vídeos das câmaras que alimentam o sistema de condução autónoma e não o vídeo de qualidade reduzida captado por uma dash cam.

No entanto, é este vídeo que a Mobileye utilizou para demonstrar que não havia desculpa para não se ter detectado a pessoa a atravessar a estrada.


A Mobileye é uma empresa que há muito se dedica a criar sistemas de assistência à condução baseada em câmaras (era a que a Tesla utilizava até ao fatídico acidente que vitimou o condutor) e que o ano passado foi comprada pela Intel. Embora os seus sistemas estejam longe de ser perfeitos - daí o acidente do Tesla acima referido - a empresa decidiu aplicar o seu sistema de reconhecimento às imagens do vídeo da Uber visto num monitor, e onde o sistema reconheceu a pessoa 1 segundo antes da colisão. Não seria tempo para travar a tempo, mas poderia ter chegado para desacelerar o suficiente para evitar a morte da pessoa que atravessava a rua.


Embora não sirva de muito e esteja longe de ser uma demonstração "científica", serve no entanto para lançar ainda mais dúvidas sobre a capacidade do sistema da Uber, que nem sequer tentou accionar os travões nos últimos instantes. Aliás, o sistema anti-colisão que vem de origem nos Volvo utilizados deveria ter sido capaz, só por si, de ter detectado e tentado evitar a colisão; sendo que estaria desligado para que o carro autónomo ficasse sob controlo do sistema "mais capaz" de condução autónoma, que conta com mais câmaras e sensores para desempenhar essa função.

Vamos esperar que as imagens dessas câmaras e do LIDAR sejam revelados, e que seja esclarecido o que falhou neste caso. Mesmo não se ilibando a culpa da pessoa ao atravessar a estrada onde não devia e sem prestar atenção ao trânsito; este é um caso onde se deve exigir que a tecnologia seja capaz de fazer mais do que até um condutor humano seria capaz - e que, como muitos especialistas têm dito, era algo que estava perfeitamente dentro das capacidades da tecnologia actual e dos sistemas que estavam disponíveis neste veículo.

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