2018/06/21

Censura no Facebook mostra como será o futuro com os filtros nos uploads


Só se dá valor à liberdade quando se deixa de a ter, e infelizmente no Facebook vão aumentando os casos de censura que nos permitem antever como será o futuro da Internet pretendido pela Europa, com a aplicação dos filtros nos uploads.

Enquanto do outro lado do Atlântico se assiste a uma verdadeira tragédia humanitária, com os EUA de Trump a separarem as crianças dos pais que tentem entrar ilegalmente no país, vão-se espalhando imagens que nem sempre correspondem ao que parecem representar. Uma foto que tem sido frequentemente usada para ilustrar a situação é muitas vezes apresentada como sendo um exemplo das crianças enjauladas, mas a realidade é que se trata de uma foto tirada numa manifestação contra esta situação e não de uma criança realmente retirada aos pais.

Ou seja, a foto cumpre com o seu objectivo e alerta para o que está a acontecer, mas não é literalmente de uma das crianças retiradas aos pais (e o fotógrafo que a tirou sempre fez questão de dar o contexto em que a tirou, só que esse contexto perdeu-se pelo meio das partilhas na internet). Até aqui nada de novo, é algo que frequentemente acontece na internet e muitas vezes serve de base à proliferação das fake news - o problema é a forma como o Facebook tem estado a lidar com isto, e que nos mostra como o futuro da internet está em risco.

Um amigo que partilhou esta foto no Facebook com a devida explicação do que se passava, veio a descobrir que algum tempo mais tarde a sua publicação tinha sido removida, sem qualquer indicação ou explicação. E o mesmo aconteceu com vários dos seus amigos que também tinham feito o mesmo. A única indicação do que poderia ter sucedido surgiu mais tarde, quando o Facebook lhe apresentou na sua timeline uma referência às suas "guias de conduta" - sem que no entanto indicasse explicitamente que tinha removido uma publicação sua ou porquê.


Parece-me lógico assumir que o Facebook simplesmente considerou que esta foto estava a ser frequentemente utilizada fora do contexto, e assim tentou evitar a sua proliferação: silenciando por completo quando a foto estava a ser partilhada precisamente com o intuito de informar as pessoas relativamente ao assunto em causa!


Isto é apenas um pequeno exemplo que demonstra como uma pessoa pode rapidamente perceber que as suas plataformas "sociais" podem rapidamente deixar de ser aquilo que se esperaria delas e passarem a ser verdadeiras mordaças digitais que decidem o que pode, ou não, ser dito. E com a aprovação do artigo 13 e dos filtros nos uploads, preparem-se para ver estas situações multiplicarem-se no futuro.

5 comentários:

  1. Ontem o Trump assinou uma ordem executive para mater as famílias juntas. 8 anos de Barak Obama e a culpa agora é do Trump. Não se preocupem que todas porqueiras feitas pelos democratas, os republicanos estão agora corrigindo.

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    1. Será conveniente informares-te antes de vires espalhar essas coisas, que até os próprios políticos do partido de Trump já admitiram ser mentira. De qualquer forma, não será este o local ideal para discutir isso (estamos a falar do aspecto da censura tecnológica) pelo que agradeço que tenham isso em consideração.

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    2. http://www.dailymail.co.uk/news/article-2656622/Caged-diseased-Shocking-pictures-child-illegal-immigrants-flooding-border-Joe-Biden-calls-unrelenting-stream-migrants.html

      ver a data desta notícia… não me parece ser novidade

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  2. O Facebook anunciou medidas para impedir/reduzir as fake news e, no guia em que pede às pessoas que as identifiquem, refere relativamente às fotos:

    "False news stories often contain manipulated images or videos. Sometimes the photo may be authentic, but taken out of context. You can search for the photo or image to verify where it came from."

    Diariamente são postas a circular milhares de milhões de notícias, entre elas muitas falsas que até ajudam a eleger ou derrubar presidentes. Para fazer o filtro pede-se a participação das pessoas, usam-se algoritmos automáticos e peritos.

    Aparentemente, o caso em apreço fado como fake news, por causa da foto e os posts apagados.

    "Ah, mas eu quero pôr no Face o que quiser, é o assunto entre meu e os meus amigos, não interessa o que lá ponha, mesmo que seja fake. E se eu reproduzir uma fake news sem saber, só reproduzi o que diziam por lá uns milhões - não têm nada que me censurar". Isto é argumentação dos que estão contra o art. 13.

    Quem defender o art. 13 considera que as redes sociais são responsáveis pelo que lá se publica e têm que tomar medidas, como as que o Facebook anunciou para combater as fake news. "Ah, mas apagaram-me o post em que a notícia era verdadeira, só a imagem é que não era bem aquela, escolhia-a para dar um ar mais dramático". Não há sistemas perfeitos, mas para a outra vez é melhor escolher uma foto verdadeira.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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