2018/08/15

Análise ao Motard Tracker - sistema de localização para motos

Para quem se desloca de mota, deixá-la estacionada em qualquer lado é sempre acompanhada de uma grande dose de receio de que, quando se regressar, apenas lá esteja o local. Felizmente os sistemas de localização para motos vieram trazer alguma tranquilidade adicional aos motards - como nos relata o nosso António Rodrigues.

Sendo um mercado em plena ascensão, com um crescimento na ordem dos 23,3% em 2017 e 8,9% no primeiro semestre de 2018, e tendo em conta que existem fortes condicionantes por parte das seguradoras no que toca a seguros com proteção contra roubo de motociclos, é natural que aumente igualmente a procura por soluções que dificultem um eventual furto e forneçam meios de detecção e recuperação dos mesmos. Uma dessas soluções passa por usar um Tracker GPS e é disso que falaremos em seguida.

GPS Tracking - o que é e para que serve?



No essencial, trata-se de registar periodicamente as coordenadas latitude e longitude, usando a bem conhecida tecnologia GPS. Com recurso a um chip GPS integrado, os trackers GPS registam periodicamente as coordenadas da localização onde se encontram, e fazem uso do mesmo para detectar e analisar movimento. Regra geral, complementam o GPS com outras funcionalidades com recurso a SMS e/ou 3G. As funcionalidades disponíveis dependem de cada modelo.

Existem modelos que só funcionam ligados à bateria da moto, outros usam bateria interna recarregável ou de duração prolongada fixa.

Os serviços associados variam desde a interação básica via SMS, uma app dedicada, ou um website como complemento. Por norma, soluções que contemplam todas as vertentes são as mais versáteis e completas, mas requerem a subscrição de um tarifário mensal ou anual. O custo varia de acordo com o tipo de utilização pretendido.

O objectivo principal de usar um Tracker GPS é o registo da localização, seja em diferido ou em tempo real, bem como emitir alertas automáticos por deteção de movimento ou sempre que o veiculo sai de uma área de segurança pré-definida. Podem oferecer ainda funcionalidades avançadas, como deteção de queda e ligações automáticas a números de emergência pré-definidos. Os mais avançados permitem obter informação e alertas através da leitura de vários sensores como odómetro, tacómetro, temperatura, acelerador e travão, mas sendo estas mais orientadas a gestão de frotas.

Aliás, grande parte das soluções com serviços de app + website associados e que podem ser usados para tracking de motociclos, são precisamente versões light de tracking de frotas. Funcionam, mas não são pensadas especificamente para motos.

A maioria dos veículos modernos já possui algum tipo de navegação integrada, mas as motos não. É aqui que entram os trackers de GPS: relativamente acessíveis, duráveis e que podem ser de inestimável valor ​​se sua moto for roubada.


Motard Tracker - pequeno mas versátil



Pequeno e discreto, mas com um conjunto robusto de funcionalidades & mecanismos de segurança, é indispensável não apenas para proteger a moto mas também como um precioso aliado em caso de acidente. Desenhado e comercializado pela True-Kare para o mercado nacional, o Motard Tracker é a mais recente aposta na área da proteção e segurança, especialmente orientada para uso em motociclos.

A Motard Tracker cedeu gentilmente uma unidade de testes que foi posta à prova durante um mês. Foi uma bela surpresa e já vamos saber porquê.



O dispositivo é entregue bem acondicionado em um suporte com espuma de proteção. Na embalagem encontramos o Tracker, o manual e garantia, a base de carregamento, carregador e cabo USB. Se optar por subscrição anual, recebe adicionalmente uma fita de suporte e uma bolsa com mangas de velcro.


O que contempla


O modelo em questão oferece as seguintes funcionalidades:
  • Localização por GPS
  • Áreas de Segurança
  • Deteção de Quedas
  • Botão SOS
  • Cartão SIM com Roaming (28 países)
  • Microfone e coluna de som
  • À prova de água
  • Não requer instalação
  • App e Website de monitorização
  • Base de carregamento USB
  • Plano mensal ou anual

O Motard Tracker tem duas funções principais: alertas automáticos em caso de roubo, e pedir socorro e obter rapidamente assistência médica em caso de queda ou acidente.

O dispositivo em si é de reduzidas dimensões sendo pouco maior que um vulgar comando de garagem, facilitando a ocultação dentro da moto. Como é à prova de água, não exige especial cuidado no posicionamento. A bateria interna pode ser recarregada na base ou com um simples cabo mini-USB em conjunto com o carregador, ou em alternativa ligado directamente a uma porta USB do computador - muito útil para quando estamos no trabalho e é necessária uma recarga.

E já que falamos de autonomia: nos nossos testes, e para um percurso diário citadino com algumas escapadelas ao fim-de-semana, a autonomia coincidiu com o anunciado tendo até por vezes superado.


As reduzidas dimensões obviamente não permitem que a carga dure por períodos muito longos. No entanto, temos à disposição três modos de operação e cabe ao utilizador decidir qual o compromisso ideal para o uso que pretende: registos mais apurados, menor autonomia, ou registo apenas quando é detectado movimento e autonomia máxima.

O modo “Sempre Ligado” mantém sempre activos o GPS e GSM/GPRS. Ganha-se detalhe na frequência de registo da localização à custa de uma autonomia máxima de 30 horas.

Já no “Modo inteligente”, apenas o GSM/GPRS estão sempre ligados. O GPS permanece desligado até ao momento em que detecta movimento. A bateria pode chegar aos 3 dias de uso, dependendo da atividade. Quanto mais usar a moto, menor será a duração da bateria. É possível obter uma autonomia superior ao modo anterior, mas apenas no caso de uso intervalado do género casa/trabalho, caso contrário, a autonomia será sempre inferior a 3 dias.

O “Modo de Hibernação” é o mais amigo da bateria - esta pode durar aproximadamente 1 semana ou mais, dependendo da atividade do utilizador. Neste modo, todos os módulos estão desligados durante a maior parte do tempo. Apenas quando é detectado movimento é que o GPS e GSM/GPRS são ligados. A falta de movimento dentro de um certo período volta a “hibernar” os módulos. Ganha-se maior intervalo entre recargas, mas apenas temos acesso à última posição conhecida que foi registada na última vez, antes dos módulos serem desligados, não sendo também possível usar o recurso “Pedir Localização”. Na versão actual da app/website, perde-se ainda a possibilidade de consultar o estado da carga da bateria, algo que sabemos irá ser corrigido na próxima actualização.

A recarga é relativamente rápida, em média 1h45 a 2h, e o estado pode ser consultado a qualquer momento na app ou no portal Web Self Care. Quando a carga fica com nível reduzido, o utilizador recebe um alerta para proceder à recarga assim que for possível.



Todas as configurações do dispositivo são efectuadas no portal dedicado Web Self Care. A app para Android e Apple iOS é o nosso ponto de ligação entre o tracker e a plataforma True-Kare. É através dela que recebemos alertas, consultamos o estado da ligação e dispositivo, e todos os eventos registados. Em relação a comunicações GSM/3G, aqui a palavra de ordem foi mais uma vez simplificar: o cartão SIM vem integrado na unidade, pré-configurado para usar os serviços da plataforma True-Kare.

Funciona em 28 países usando uma rede móvel exclusiva em roaming que pode alternar entre todas as principais redes, garantindo assim uma excelente cobertura - muito útil e um descanso para quem faz longas viagens com frequência. O custo das comunicações está incluído no pacote, com um plafond de 10 minutos mensais disponíveis para chamadas SOS (voz).



O proeminente botão central “SOS” quando pressionado por 3 segundos aciona uma chamada de emergência para os contactos configurados no website (telefone e email). Os contactos recebem por email as coordenadas GPS actuais, ou as últimas registadas caso não seja possível obter no momento (quando dentro de um edíficio, por exemplo). É estabelecida uma chamada, e pode escutar e responder em alta-voz através da coluna embutida, de forma a garantir que lhe prestam a melhor assistência possível. O Botão SOS pode ser utilizado em 28 países da UE sem custos adicionais.

O botão de chamada dedicado tem duas vertentes: iniciar uma chamada directa aos contactos pré-definidos (sem activar o modo SOS), e para ligar/desligar o Tracker quando pressionado em conjunto com o botão SOS. Uma vez que é possível definir múltiplos contactos de emergência, quando o SOS é activado o sistema vai ligar para todos os números por ordem de entrada. Caso o primeiro não atenda após X toques passa ao próximo da lista, e assim sucessivamente até que um dos contactos atenda.

Tirando partido do GPS, o equipamento é também dotado de um mecanismo de detecção de quedas bruscas, que acciona automaticamente o SOS. Funcionalidade muito útil, e especialmente importante em zonas menos povoadas, onde poderá passar muito tempo até que alguém se aperceba do acidente em que teve o azar de ficar inconsciente ou imobilizado. Pode representar a diferença entre ter assistência em questão de minutos ou passar uma noite em condições que podem ser bastante adversas. É estimado que, mesmo em ambiente citadino, um dispositivo com deteção de queda e acidente com chamadas automáticas para os serviços de emergência reduz o tempo de receber assistência em até 40%.

De referir que sempre que é detectada uma queda ou é pressionado o botão SOS será enviada uma mensagem SMS com as coordenadas da localização em forma de link para o Google Maps.


Em relação a proteção contra roubo a plataforma dá-nos a possibilidade de definir zonas de segurança (Geofence), isto é, delinear um perímetro no mapa em uma determinada zona. A partir desse momento, o Motard Tracker passa a registar e emitir alertas para a app sempre que a moto entrar ou sair da mesma. Desta forma, se for detectada uma saída de um perímetro de segurança, sabe imediatamente que a moto está a ser movimentada sem a sua autorização. É a altura para alertar as autoridades, fornecendo os dados de localização disponíveis na app ou no portal True-Kare.

Da mesma forma, e enquanto o dispositivo conseguir obter sinal GPS e a bateria não se esgotar, é possível acompanhar a localização da moto.


O serviço Motard Tracker exige a subscrição de um plano, e temos dois à escolha: Mensal ou Anual. Ambos semelhantes, apesar do plano anual exigir um investimento inicial um pouco mais elevado. Olhando apenas à taxa de serviço, temos valores de 5 eur/mês (mensal) ou 4 eur/mês (anual).

Refira-se que não são cobrados portes de envio, nem qualquer tipo de valor pelas comunicações GPRS do SIM integrado.


Antes de avançar, uma breve nota:
Os aspectos seguintes são enquadrados com a categoria do dispositivo enquanto comparado com outros semelhantes que existem no mercado. Optámos por não comparar com produtos como o D-Guard, por exemplo, pois pertencem a uma categoria diferente. Não apenas no preço, mas também no tipo de serviços, hardware e certificações que apresentam, em linha com trackers high-end de uso profissional.



Um mês de utilização - o que gostámos mais

Tendo já usado outros dispositivos semelhantes, a maioria importados da China, a surpresa começou logo na parte da necessária configuração inicial. Aqui não há comandos esquisitos a enviar por SMS para o tracker, ou manuais de instruções escassos, mal traduzidos e de difícil compreensão: todas as configurações são efectuadas através do website, de forma simples e actualização directa no dispositivo.

Definir contactos para recepção de alertas e localização em caso de emergência, ou áreas de segurança é tão simples como preencher um formulário ou picar pontos num mapa.

Da mesma forma, para pedir a localização em tempo real, consultar o histórico de eventos ou o estado actual do dispositivo, basta abrir a App no telemóvel ou consultar o Dasboard no website. Simples, rápido e confiável.


A título de comparação, na maioria dos trackers GPS a obtenção e consulta deste tipo de informação obriga ao envio de instruções especificas via SMS para o número configurado no cartão SIM do tracker. Ainda que alguns suportem essas operações através de apps dedicadas, não é tão simples e directo, especialmente para um leigo que não conhece os termos usados para cada configuração ou funcionalidade. Utilizadores menos versados em tecnologia rapidamente sentem alguma frustração - consequentemente, o índice de confiança acaba por ser algo baixo.

O Motard Tracker apenas faz uso de SMS para o envio de alerta em caso de queda e SOS. Não é usado para qualquer tipo de configuração, optando antes pelo GSM e GPRS sendo que não necessita de rede 3G para funcionar em pleno. A simplicidade de configuração obtida ao não optar pelos tradicionais comandos via SMS eleva imenso a fasquia de usabilidade.



O facto de incorporar o cartão SIM con tudo o que é necessário para funcionar, revela-se uma solução excelente! Evita a “chatice” de escolher uma operadora e tarifário, monitorizar e recarregar saldo, para garantir que o SIM da operadora tem sempre plafond suficiente para as necessárias SMS e comunicações GSM/GPRS.

Em operação, os dados de localização são recolhidos e transmitidos à plataforma em intervalos de 15 minutos, com leituras a cada 3 minutos. Nos nossos testes não detectamos discrepâncias maiores que o normal para a actual tecnologia GPS, no que toca à localização real em comparação com a assinalada no mapa. Há, no entanto, que ter sempre em consideração que a precisão da posição indicada pode variar um pouco dependendo do modo de operação definido em conjunto com os intervalos de registo. Assim, pode dar-se o caso de entrarmos em uma área de segurança que bloqueie o sinal GPS (garagem) e o último registo de posição ter acontecido à 3 minutos atrás. Nesse caso, a posição apresentada no mapa pode diferir da real em vários quilómetros, dependendo da velocidade a que circulamos. Além da velocidade elevada, existem outros factores condicionantes como edifícios muito elevados ou superfícies metálicas de grande dimensão - algo que na generalidade afecta todos os chips GPS nesta gama.

No nosso caso, apenas aconteceu uma vez. De todas as vezes que a moto foi utilizada, incluíndo saídas e entradas em áreas de segurança, a localização apresentada coincidiu sempre com a real, num raio de aproximadamente 30 ~ 60 metros em “Modo inteligente” de operação.

Muito bom é igualmente a facilidade de consultar tanto as últimas 10 posições como o histórico de registo das mesmas. Usando uma barra de deslocação horizontal é possível visualizar todos os detalhes das rotas percorridas.




Na mesma interface podemos solicitar a posição actual em tempo real, na opção “Pedir localização”. Esta opção força a actualização da localização com recurso ao GPS, se possível. Especialmente útil no caso da moto ter sido alvo de furto e pretendemos obter a posição actual sem ter que aguardar pela próxima detecção automática. No entanto, em modo de operação “Hibernação” não é possível, para já, concretizar esse comando - a obtenção das coordenadas fica dependente de ocorrer movimento.

Também gostámos da facilidade com que se esconde um dispositivo tão pequeno na moto. Rapidamente se dissimula algures dentro de alguma caixa ou embalagem insuspeita, até mesmo na mala, se for o caso. O facto de ser portátil, pequeno e alimentado por bateria tem ainda outras vantagens: apesar de ter sido pensado para usar em motociclos, pode obviamente ser usado em qualquer tipo de veículo.

Muitos motards são igualmente acérrimos practicantes de ciclismo, e o Motard Tracker acaba por ser excelente para colocar na nossa fantástica (e cara!) bike, quando vamos aquela maratona de 3 dias e a bicicleta tem que pernoitar algures na garagem do Hotel, ou dentro de uma carrinha de transporte. Ou até mesmo na estrada/trilho, onde podemos tirar partido da deteção de queda e botão do de emergência SOS.

Mais um ponto positivo para as ajudas/FAQs que se encontram na interface do Web Self Care, nas áreas mais complexas, como definir o modo de operação ou as áreas de segurança. Os menos versados nestas coisas encontram aí uma ajuda preciosa com explicações rápidas e concisas sobre cada opção.



Para terminar, os valores da subscrição do serviço. Em linha com outras soluções enquadradas na mesma categoria de hardware & software, consideramos que o preço mensal/anual está perfeitamente ajustado ao serviço que é prestado.

A título de comparação, a oferta da GPSWOX para as mesmas funcionalidades é semelhante. Se juntarmos à mensalidade do serviço um SIM com tarifário de dados 3G da UZO - o mais em conta que encontramos à data - o custo anual acaba por ser equivalente. No entanto, existem diferenças que consideramos importantes: estas soluções são generalistas, não oferecem um pacote integrado pois o utilizador é que deve escolher e comprar um Tracker GPS compatível. Não estando pensadas para motos implica prescindir da detecção de queda, por exemplo, para nomear uma limitação importante. Por norma, usam SMS para configurações e operação, como já descrito.

O custo unitário do dispositivo está dentro de um limite razoável, olhando ao tipo de chips GPS e GSM e comparando com os preços de mercado actuais.


Um mês de utilização - o que gostámos menos


Começamos com o que consideramos como o calcanhar-de-Aquiles do Motard Tracker: a autonomia. O que se ganha em portabilidade e versatilidade de utilização em diversos tipos de veículos, perde-se em autonomia. Ou seja, seria óptimo poder escolher entre modelos com mais autonomia vs. menos portabilidade, ou até mesmo aos always-on conectados em permanência à bateria da moto. Isto porque, dependendo da disponibilidade e perfil de utilização, no limite obriga a um carregamento diário. Não sendo um aspecto critico, mas tendo como objectivo primordial proteger a moto, o facto de termos que remover o dispositivo da moto durante ~2h para recarregar acaba por derrotar em parte essa premissa.

Consideramos também de certa forma uma limitação o facto de não contar com o sistema eCall. Ainda assim, é possível configurar como contacto de emergência o número do serviço nacional 112, o que já é uma excelente ajuda. Não foi possível testar esta vertente, por razões óbvias. Dica: configurar este número como o primeiro da lista nos contactos de emergência, pois é o que apresenta maior capacidade de resposta em tempo e meios.

Apesar de ser autónomo e enviar alertas imediatos para os contactos pré-definidos no portal, se não adicionar o 112 aos contactos de emergência há que ter presente que em caso de queda ou acidente ficamos dependentes da acção dos contactos - que pode demorar tempo precioso.

Em relação ao hardware não temos mais nada a apontar. Já quanto ao software, consideramos que há ainda muito para fazer e arestas para limar. Falando da app, apesar de conter a informação essencial - estado do dispositivo e localização - fica-se por aí: é parca em recursos. Esperávamos conseguir fazer a gestão de todos os parâmetros que existem no portal True-Kare, mas na versão actual tal não é ainda possível. Temos acesso ao Dashboard (estado & eventos), Emergência e Localização. A única opção disponível para edição é a que permite modificar os números de emergência SOS.

No mapa, além das acções do próprio Google Maps como Zoom e Street View, podemos consultar a posição actual e a definida como “Casa”, mas no nosso caso a opção “Áreas de segurança” não executa nenhuma acção nem apresenta no mapa as áreas definidas no Web Self Care. Temos informação de que é um bug identificado e será alvo de correcção na próxima versão da app.




No portal denominado Web Self Care, temos acesso a todas as configurações do serviço. Apesar de bastante completo no que toca às opções de configuração e dados de operação consideramos que tem duas coisas menos positivas. A primeira prende-se com a organização da informação. A forma como as opções se encontram segmentadas e agrupadas não faz muito sentido nem é muito intuitiva.

A título de exemplo, para chegar ao menu de configuração do modo de operação do Motard Tracker é necessário percorrer este caminho, a partir do Dashboard: Emergência > Localização > Opções avançadas. Que fica algures na página que apresenta o mapa, no meio de outras opções também elas dispersas no topo da página.

Da mesma forma, temos em grande destaque a página “Emergência > SOS” - que entendemos (e esperamos) que a informação seja alvo de actualizações muito pouco frequentes - em detrimento da página de tracking no mapa. Tal como encontramos alguns links repetidos e redundantes. Acreditamos que, na sua forma actual, o portal é uma versão reduzida de uma solução mais abrangente à qual foram removidas (escondidas?) opções, resultando assim numa versão menos optimizada e que acaba por não fazer tanto sentido no âmbito a que se propõe.



O segundo ponto menos positivo prende-se essencialmente com o estilo gráfico e interação de elementos apresentados tanto na App como no portal Web Self Care. Apesar de ser perfeitamente funcional e eficaz a responder ao pretendido, os utilizadores finais são cada vez mais exigentes na avaliação de soluções visualmente atractivas. Nessa vertente, perde pontos. O aspecto é claramente old-school, não apresentando o tipo de interacções rápidas e dinâmicas que se esperam de uma app ou site modernos. Os links repetidos e a mistura de frases em Português e Inglês também não ajudam.

Uma nota final sobre a Motard Tracker enquanto empresa e produto: é muito recente, está a crescer e evoluír, e por isso mesmo consideramos que o apontado acima é para ser encarado nessa perspectiva. Acreditamos que com o tempo e massa crítica irá melhorar, mas até lá cabe ao utilizador atribuír a devida importância aos prós e contras.

Aproveitamos ainda para deixar uma sugestão à Motard Tracker: se ponderam oferecer num futuro próximo versões com maior autonomia ou ligação à bateria, seria óptimo conseguir juntar o bluetooth à equação. Daí até à integração entre sistemas sonoros dentro do capacete e o SOS/voz seria um pequeno passo.


Limitações e um alerta à utilização


Não podemos deixar de referir as limitações deste tipo de sistemas enquanto dispositivo de segurança e barreira contra roubos. Como qualquer dispositivo de segurança, não há sistemas 100% seguros. Um Tracker GPS dá uma chance adicional à moto, mas existem sempre maneiras de contornar e ludibriar o sistema.

Queremos com isto alertar para o facto de ao usar o Motard Tracker não significa que fique automaticamente 100% seguro, e que a obtenção da localização e posterior recuperação da moto esteja sempre garantida.

Este dispositivo ajuda na grande maioria dos casos de roubos fortuitos, mas há que ter presente que quando os criminosos são profissionais e sabem como actuar, conseguem bloquear o dispositivo e tornar o mesmo inútil ou reduzir bastante a capacidade de acção. Se tiver a infelicidade da moto ser roubada e colocada dentro de um camião com caixa de metal, um tracker GPS pode não ajudar muito. Os criminosos podem também recorrer a tecnologia para tentar inibir o sinal GSM/GPS como os conhecidos “jammers”.

Em qualquer dos casos, o tempo de resposta especialmente das forças de segurança é crucial. O tracking preciso e imediato pode, pelo menos, registar os movimentos do veículo até a última posição visível, e isto pode revelar-se suficiente para uma recuperação com sucesso ou até mesmo ajudar a identificar o local de operações de uma rede criminosa.

Ainda assim, na generalidade os trackers GPS continuam a ser eficazes e a ter um papel bastante dissuasor, até porque o maior impedimento é uma moto com diversos mecanismos de segurança. A actividade é perigosa, e nenhum criminoso quer ser apanhado ou arriscar a ser seguido até ao sitio onde desmontam as motos. Por isso, grande parte das vezes ao observar segurança passiva ou quando suspeitam ou detectam um sinal GSM/GPS, tendem a largar a moto e procurar uma outra menos protegida.


Apreciação final


O Motard Tracker revelou-se um excelente aliado, pela sua versatilidade e facilidade de configuração e uso, pese embora uma autonomia e uma plataforma que podem ser melhoradas. A nossa experiência durante este mês de testes revelou-se bastante positiva. Se encara a segurança e proteção do seu investimento de uma forma séria, mas não quer ou não pode entrar em despesas desmesuradas com equipamentos profissionais high-end, esta é sem dúvida uma solução muito equilibrada entre funcionalidades versus custo. Existem muitas soluções no mercado, mas poucas serão pensadas para motociclos, nem ofecerem esta facilidade de configuração & operação.

Por isso mesmo, vou ali à Arrábida testar mais uma vez este Motard Tracker e aproveitar o tempo “quente” ;)


Motard Tracker

Quente


Resta-nos agradecer à Motard Tracker a gentileza de facultar a unidade para testes. Mais informação: www.motardtracker.com


Prós
  • Dimensão compacta
  • Eficaz e preciso
  • Custo competitivourto
  • SOS com deteção de queda
  • Pode ser usado com serviço 112
  • Zonas de segurança (Geofences)
  • Re-utilização, não limitado a motos
Contras
  • Autonomia
  • Não suporta sistema eCall
  • App e Website com aspecto datado
  • Website com navegação pouco intuitiva e confusa

Por: António Rodrigues



Motard Tracker

Quente (4/5)

4 comentários:

  1. Excelente produto mas a autonomia deixa mesmo muito a pensar :(

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  2. Tenho usado alternadamente entre o Smart mode e o Hibernate. Meto á carga entre de 3 a 6 dias. Pensei que ia chatear mais, mas é como um smartwatch ou algo assim, passa a ser rotineiro.

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  3. É referido que o equipamento não tem ligação ao sistema europeu "e-call" . Sabem quais são os sistemas de tracking (mesmo para carro) que tenham essa funcionalidade, idealmente juntando algum tipo de detecção de colisão (via um acelerómetro, por ex.) ? Obrigado

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  4. A imposição do eCall é para veículos a partir de 31 de Março 2018. Para usar em veículos mais antigos, encontrei o seguinte.

    Existe um dispositivo que dá pelo nome plug eCall telemático. Comercializado pela Bosh, usa uma ficha de 12 V (isqueiro). Quando é detectada uma colisão através de um sensor de aceleração, a informação é enviada para uma app no telemóvel (via Bluetooth). Esta alerta as equipas de emergência através de uma chamada telefónica. Funciona tal como o eCall instalado de origem.

    Não tenho a certeza, mas é possível que o MT talvez possa ser usado da mesma forma, através do recurso de deteção de queda em caso de colisão/acidente.

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