2018/09/06

O efeito nefasto dos filtros automáticos do copyright na música clássica


Numa altura em que estamos novamente prestes a enfrentar nova votação que pode obrigar à criação de filtros automáticos nos uploads para reconhecimento de conteúdos "protegidos", eis que nos chegam mais alguns casos que demonstram como isso irá falhar desastrosamente.

Ainda não chegamos ao ponto, pretendido por alguns, de ter filtros automáticos nos uploads a censurar preventivamente tudo o que seja considerado como potencial violação dos direitos de autor, mas não faltam exemplos de como isso irá correr mal - como é demonstrado desde já pelos actuais sistema de reconhecimento de conteúdos à posteriori.



Um músico que tentava publicar uma interpretação sua de uma música de Bach, cujos direitos de autor há muito expiraram (ou não estivesse morto há mais de 250 anos) foi confrontado com a mensagem de que o seu vídeo supostamente violava os direitos de autor pertencentes à Sony Music!

E se pensam que isto é um caso isolado, infelizmente não é. Um professor de música alemão pôs à prova o sistema ContentID utilizado no YouTube para reconhecimento de conteúdos, publicando vídeos com músicas clássicas. A esmagadora maioria foi penalizada indevidamente como estando a violar direitos de autor, o que pode resultar na remoção do conteúdo, ou na apresentação de publicidade a render a favor de quem diz deter os direitos de autor. Pior ainda, um utilizador pode ficar permanentemente banido do serviço, se receber três "chumbos" devido ao envio de conteúdos... pelo que, entre o tempo perdido a tentar justificar que se tem direito a utilizar algo livre de direitos, um qualquer deslize ou desatenção ao tratar de todo o processo pode significar o fim de uma canal com anos de história.

Se este tipo de abusos já acontece em sistema que permite que os utilizadores façam o envio de conteúdos; imaginem só como será na eventualidade disso ser aplicado a toda e qualquer plataforma que permita o envio de conteúdos dos utilizadores.

10 comentários:

  1. O pessoal também é ignorante e culpa empresas como a Sony por isto quando eles não têm nada a ver com o assunto.

    Aquilo é um algoritmo que procura e bloqueia automaticamente, a culpa é inteiramente do YouTube/Google por fazer um programa que não funciona e nunca funcionou mas nunca quiseram saber disso.

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    1. Não, a Sony é que usou a ferramenta para dizer que aquela música era sua; quando na realidade não detém os direitos sobre a mesma.
      Seria a mesma coisa que dizeres a uma ferramenta de validação de conteúdos que foste tu que escreveste os Lusíadas, e todos os que usassem excertos do mesmo deveriam pagar-te.

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    2. Convém não misturar alhos com bugalhos.

      A Sony não tem direitos de autor sobre uma partitura de Bach que morreu há mais de 250 anos.
      A Sony tem direitos de autor sobre uma interpretação de um artista/orquestra que gravou.
      Se usar o Shazam não se engana - artista, album, faixa, sai tudo ali certinho. Não acredito o artista do post e as suas variações se confundissem com a gravação da Sony.

      Então, há um problema de tecnologia obsoleta que a Google/Youtube/Sony têm que resolver.

      "Ah, não se faz nada para evitar chatices a alguém o melhor é deixar tudo na mesma". Esta posição até percebo o alcance.

      Outra posição, que também quer deixar tudo na mesma mas finge que não, diz "Ou então que se vá para cima dos prevaricadores, mas não se toque no cabelo de um inocente". Não sei se já perceberam que, por esta via, as plataformas, como a Google/Youtube, têm que identificar rigorosamente os utilizadores (o que é praticamente impossível e a que também chamariam censura). Só assim alguém que se sinta lesado pode exigir responsabilidades.

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    3. Ok, vamos ao seguinte caso: tu és um pianista e tocas essa música "tal como está na pauta" e fazes uma gravação para a Sony, que a regista. Eu sou outro pianista, que toca essa mesma música "tal como está na pauta", num piano idêntico.
      Queres uma tecnologia milagrosa que distinga ambas - mas que ao mesmo tempo seja robusta suficiente para detectar a "tua" música caso um pirata decida aplicar-lhe um ligeiro efeito de alteração de pitch ou velocidade, para a poder "piratear" sem ser detectado? Pois... acho que já começas a perceber porque é que este tipo de coisas será simplesmente impraticável. (E não será com "têm que resolver", que as coisas se resolvem - se isso funcionasse também poderíamos aplicar a mesma coisa à Siri e Alexa e Google Assistant funcionarem em português de Portugal - resolvam isso! - e olha que seria tecnicamente mais simples do que esse ilusão do sistema milagroso de detecção de conteúdos "perfeito".)

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    4. Eu não toco tal como está na pauta e tu não tocas como está na pauta.

      Tratando-se de uma orquestra é possível que 20% das notas nem sejam tocadas. No caso de um pianista também não toca as notas todas e não as toca da mesma maneira que outro. Se a tua questão é saber se existe a tecnologia que distinga interpretações distintas - existe, a Google/Youtube é que não a usam. O Shazam, para o mesmo artista, que grava a mesma música em albuns diferentes, o não tem qualquer dificuldade em identificar o álbum.

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    5. Shazam, pois não... até consegue identificar uma música que seja eu a tocar ao piano, ou a assobiar ou cantar; ora imagina isso aplicado aos filtros automáticos!

      O problema não está em identificar correctamente a música "correcta"; está em todos os casos que vai identificar *indevidamente* o que não devia identificar.

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  2. Esta caça às bruxas é tão ridicula

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  3. Bom dia , eu tenho um canal no youtube aonde fala e tento explicar como usar o Linux de uma forma simples, mas não faço vídeos há 4 anos por falta de tempo, ontem recebo uma mensagem da Google exactamente com esta tipologia descrita aqui no artigo, fui ver é de um vídeo de 2012 aonde eu na intro fiz uma brincadeira simulando o inicio de um filme da serie star wars, ainda por acaso não fui ver se fui banido ou não , o meu canal apesar de não ter carregado nenhum conteúdo novo em 4 anos tem mais de 400 mil visualizações e nos seus tempos áureos mais de 5000 subscritores, sendo conteúdo open source e que serve como aulas para muita gente, espero que o não tenham suspendido, por uma brincadeira .

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  4. Faltou-me acrescentar que sempre fui contra esta caça as bruxas, vivemos tempos muito estúpidos em todas as vertentes, nalguns casos como este que aqui é descrito no artigo é um retrocesso civilizacional que é muito preocupante se encararmos todas as medidas que ainda andam para trás e para a frente e que a serem aprovadas vão distorcer completamente a WEB como a conhecemos e temo que isto sejam passos de ainda outros mais restritivos que se pretendem dar .

    Cumprimentos a todos

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