2018/11/13

Análise ao BlackBerry KEY2


Os smartphones da BlackBerry encontraram uma nova vida por intermédio da TCL e a adopção do Android, e o KEY2 é o mais recente modelo que tenta combinar a tradição da marca com os requisitos que se esperam de um smartphone moderno.


O mercado dos smartphones há algum tempo que entrou numa espiral de monotonia, parecendo que todos os novos modelos são apenas versões ligeiramente melhoradas dos anteriores, com as diferentes marcas a apostar em pequenas evoluções do hardware ao invés de arriscarem em produto verdadeiramente inovadores, com características diferenciadoras.

A aposta da BlackBerry no mundo Android acabou por ser uma lufada de ar fresco, mantendo a aposta nos teclados físicos tão associados a esta marca. Foi assim com o BlackBerry KEYOne, e volta a ser o caso com o KEY2.

O BlackBerry KEY2



O KEY2 é um herdeiro natural do KEYOne. A TCL analisou em detalhe os aspectos menos positivos do KEYOne, tendo corrigido a maioria das falhas que lhe eram apontadas. Apresenta um equipamento mais fino e leve, com um novo teclado, elemento que continua a ser o maior destaque neste smartphone. O ecrã não sofreu alterações, mantendo as 4.5" numa relação 3:2, continuando por isso muito longe dos ecrãs "full-screen" que hoje em dia são cada vez mais comuns.




No que ao hardware diz respeito, o KEY2 apresenta um Snapdragon 660 da Qualcomm, processador que garante uma boa relação desempenho/autonomia, 6GB de RAM e 64GB para armazenamento. A bateria tem 3500mAh, o que permite uma utilização despreocupada do smartphone.

As câmaras foi uma das áreas onde a TCL apresentou novidades. Na traseira temos uma câmara dupla de 12MP, uma com abertura f/1.8 e outra com f/2.6, para fotografias com efeito bokeh. Na frente um sensor de 8MP, com as selfies nocturnas a terem o auxílio do LCD para simular o efeito de um flash. No vídeo, as câmaras traseiras permitem captar vídeo de 4K@30fps, já a câmara frontal fica-se pelos 1080p@30fps.




O teclado



O teclado retro-iluminado apresenta algumas novidades, face ao que a marca apresentou no KEYOne. O tom brilhante das teclas, deu lugar a um acabamento fosco, com a superfície dos botões a ficar menos escorregadia. A dimensão de cada tecla aumentou em 20%, tornando o teclado mais confortável para quem tenha dificuldade em lidar com estes pequenos botões.

A maioria das teclas tem dois caracteres associados, o principal a branco e o secundário a cinza, com este último a estar acessível através da tecla "ALT". A tecla shift dá acesso às letras maiúsculas, que também podem ser obtidas com uma pressão mais longa sobre a tecla.


Na fila inferior, à esquerda da barra de espaços, o acesso ao microfone e número zero. Uma pressão longa dá acesso à barra de funções especiais, na zona da sugestão de palavras (logo por cima dos botões de navegação) onde podermos encontrar os emojis, zona de navegação e copy/paste e ainda o histórico do clipboard. Estas funcionalidades também podem ser chamadas através do ícone que se encontra à esquerda na linha com as 3 sugestões.



Do lado direito da barra de espaços temos ainda a tecla "sym", que activa o teclado virtual com os símbolos; e a speed key, que dá acesso aos atalhos, configuráveis pelo utilizador, que podem chamar aplicações ou executar acções pré-configuradas.



As possibilidades são efectivamente imensas e permitem que, com um pouco de configuração, se possam realizar muitas das operações mais rotineiras com um simples toque nas teclas deste KEY2.




Em utilização




O KEY2 apresenta-se a correr Android Oreo 8.1, não havendo ainda uma data para a chegada do novo Android 9 Pie. Tendo em conta a prestação da TCL na actualização do KEYOne, não vale a pena estar a contar com uma actualização a curto prazo.



O mesmo já não se passa com as actualizações de segurança, com o KEY2 a ter nesta altura um patch com data de Outubro. Não chegou tão rapidamente como desejável, mas acabou ser disponibilizado antes de a Google lançar o patch de Novembro, pelo que acaba por ser um desempenho positivo.

As aplicações disponibilizadas neste KEY2, continuam a marcar a diferença pela positiva. Foram pensadas para quem tem de trabalhar em mobilidade, permitindo uma rápida edição dos documentos.




Temos o Locker para restringir o acesso a aplicações e conteúdos, o Password Keeper para nunca mais se esquecerem das vossas palavras passe, o DTEK que o centro de toda a segurança do smartphone e o HUB para gerir as notificações das contas de email e redes sociais. O Power Center gere o desempenho do equipamento e a dupla Privacy Shade/Redactor permite a leitura e edição dos documentos em segurança. Fica de fora desta lista o mítico BlackBerry Messenger, uma app que acabou por ser vítima das coisas políticas da empresa.

O Notable e o Notes são duas aplicações extremamente práticas para tirar notas, sendo que no caso do Notable, é possível adicionar grafismo ao texto. Já o Notes tem por objectivo a edição de texto "pura e dura". Foi precisamente com esta app que escrevi esta análise, pois pretendia testar e o teclado durante um longo período.

A curva de aprendizagem é bastante exigente, pelo que o utilizador se vê obrigado a empenhar-se decisivamente em busca da mestria de escrita num teclado físico. Os primeiros tempos não vão ser fáceis, mas a eficiência vai melhorando ao longo do tempo.


A câmara



Este KEY2 passa a recorrer a uma dupla câmara de 12MP, uma com abertura f/1.8 e outra com f/2.6, sendo esta última utilizada o zoom e efeito desfocado no fundo da imagem.

BlackBerry KEY2

Está dupla permite obter imagens de boa qualidade, mas está sempre dependente da iluminação da zona a fotografar. Fotos em interiores, podem apresentar algum ruído e menor definição nos detalhes da imagem.


A interface está organizada em duas zonas principais. À esquerda, definições, modo HDR, formato de imagem, temporizador e flash. Do lado direito, filtros de imagem, tipo de fotografia /vídeo, botão de disparo, mudança de câmara e acesso à biblioteca de imagens captadas.

Hoje em dia, é comum ter acesso a um modo Pro, que permite a definição manual dos parâmetros da fotografia. O KEY One apresentava está funcionalidade, pelo que considerei muito estranho o facto de este KEY2 não apresentar um modo Pro.

Na verdade, o KEY2 tem um modo Pro disponível, mas para terem acesso ao mesmo terão de o activar previamente nas definições. Ao activarem está funcionalidade, passam a contar com mais um ícone no ecrã, ao lado do flash. Ao tocarem neste ícone, são apresentados os diferentes parâmetros para captura da imagem, havendo sempre a possibilidade de escolher o modo auto.


No que diz respeito ao vídeo, o KEY2 permite gravar a 720p e 1080p ao 60fps, com o 2160 (4K) a ficar limitado a 30fps, algo que é norma, até nos smartphones topo de gama. A estabilização de imagem, só vai até aos 1080p a 30fps.


O facto de podermos filmar a 4K é naturalmente interessante, mas o KEY2 vem com uma limitação que restringe a gravação em 4K a um máximo de 5 minutos. Se necessitarem gravar um vídeo ininterrupto durante mais tempo, será necessário escolher uma resolução inferior.


Apreciação final




O teclado físico volta a estar em grande plano neste BlackBerry KEY2, algo que irá agradar aos fãs da marca, proporcionando uma utilização precisa e agradável ao toque. Todo o smartphone trabalha em função deste elemento, sendo exemplo disso o ecrã, que continua a apresentar uma resolução abaixo do normal nos dias que correm. Um teclado deslizante por baixo do ecrã poderia ser uma opção interessante, no sentido de permitir um ecrã de maior dimensão sem abdicar do teclado físico - quem sabe se poderá ser a opção escolhida para o KEY3? :)

A actualização do hardware vem corrigir um dos pontos menos positivos do KEYOne, com o desempenho a subir para um nível bem mais adequado ao preço a que o equipamento é comercializado. O Snapdragon 660 é muito competente e, mesmo num cenário mais intensivo, vão ter bateria para mais de um dia de utilização.

O pacote de actualizações disponibilizado pela BlackBerry continua a acrescentar valor ao produto, apresentando várias opções para aumentar a produtividade. Quando me propus a escrever este artigo no smartphone, pretendia avaliar isso mesmo. As conclusões são bastante positivas, com o Note a mostrar-se uma boa opção para a escrita, faltando-lhe apenas a função de voltar atrás (undo), algo que poderá ser catastrófico nalguns cenários. O restante conjunto de apps é também bastante útil, tanto em termos de produtividade como no que à segurança diz respeito, algo que é inclusivamente uma das bandeira da TCL para a comercialização do KEY2.

Em termos globais, o BlackBerry KEY2 é uma evolução natural do seu antecessor, constituindo-se como uma opção bastante sólida para os amantes dos teclados físicos. É por isso merecedor de um distinto "Quente" - sem que deixemos de referir a recomendação por outras propostas, caso o teclado físico não seja uma prioridade.

O BlackBerry KEY2 já está disponível no nosso país, com um preço 629.99 euros.



BlackBerry KEY2
Quente


Prós
  • Teclado físico
  • Qualidade de construção

Contras
  • Preço
  • Formato do ecrã




BlackBerry KEY2

Quente (4/5)

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