2019/04/09

Análise ao Huawei Matebook 13

Com os smartphones e tablets a não dispensarem (ainda) a utilização de um portátil, vamos ver que tal se comporta o Matebook 13 da Huawei.


Embora a Huawei esteja presente um muitas áreas da tecnologia, o seu negócio na área mobile é bem mais recente. Ainda assim, fruto de um forte investimento em investigação e desenvolvimento, assim como um marketing agressivo, a marca chinesa conseguiu já atingir o segundo lugar da tabela, tendo ultrapassado a Apple.

No MWC 2016 apresentou o Matebook e, em 2017, diversificou a gama com os Matebook X, Matebook D e Matebook E. Mais recentemente, no MWC 2018, a Huawei lançou o Matebook X Pro, um modelo com hardware de topo, onde a sua câmara "pop-up" se tornou num dos elementos em destaque.

A estratégia utilizada para o desenvolvimento destes produtos foi em tudo semelhante à que a marca coloca em prática no segmento mobile, procurando inspiração em ideias bem sucedidas, que procura combinar com a inovação que chega dos seus laboratórios.


O Matebook 13



O Matebook 13 que temos em análise é disso exemplo, com este modelo a fazer lembrar as propostas de outras marcas. É um ultraportátil que se destaca pelo corpo em metal a enquadrar um ecrã com margens reduzidas, e um teclado que cobre a quase totalidade da largura do corpo do equipamento.

O ecrã IPS touch FullView 3:2 apresenta uma relação ecrã-para-corpo de 88%, graças a uma moldura lateral com apenas 4,4mm. A resolução 2160 x 1440 com 200 PPP garante uma boa definição de imagem e o brilho até 300 nits em conjunto com o contraste de 1000:1 permitem minimizar os efeitos dos reflexos nos locais com luz directa. Se gostarem de trabalhar ao ar livre não terão problemas com o Matebook 13, mesmo com o sol a incidir sobre o ecrã, bastando aumentar o brilho do ecrã (embora com as naturais consequências em termos de autonomia).


O processador fica a cargo da Intel, com a Huawei a apostar em duas versões: Core i5-8265U 8th Gen (1.6 GHz; Single core: 3.9 GHz; Dual core: 3.9 GHz; Quad core: 3.7 GHz) e Core i7-8565U 8th Gen (1.8 GHz; Single core: 4.6 GHz; Dual core: 4.5 GHz; Quad core: 4.1 GHz). A versão testada vinha equipada com o Core i7-8565U, mas em Portugal, e para já, apenas estará disponível a versão com o processador Core i5-8265U.

Em termos gráficos, além do GPU integrado no CPU, a Huawei disponibiliza ainda uma gráfica dedicada GeForce MX150 com 2GB de memória GDDR5 da NVIDIA. Confesso que não consigo entender esta opção, que é transversal aos grandes players do mercado de portáteis, pois a gráfica em questão pouco acrescenta ao desempenho que a gráfica do processador consegue disponibilizar, com a agravante de penalizar o consumo energético quando em utilização.

Os 8GB de RAM são suficientes para uma utilização despreocupada mas os 256GB do SSD já obrigarão a algum cuidado na instalação de aplicações. Mas nada como limpar as actualizações do Windows, para rapidamente se libertarem alguns gigabytes extra. A bateria de polímeros de lítio apresenta uma capacidade de 41.8 Wh, suficiente - segundo a Huawei - para cerca de 10 horas de reprodução de vídeo, com o brilho do ecrã a 50%. Quanto à portabilidade, mede 286 x 212 x 14,9 mm e pesa 1,3Kg, medidas que lhe garantem a classificação de ultra-portátil. O peso está contudo no limiar daquilo que se pode considerar um ultra-portátil, sendo que idealmente a Huawei deveria ter tentado reduzir algumas centenas de gramas a este portátil (talvez dispensando a utilização do GPU Nvidia adicional?)


Em utilização



O hardware deste Matebook 13 foi pensado para responder às necessidades de quem pretende uma máquina para trabalho de escritório, navegar na internet e consumo de conteúdos multimédia, tarefas que executa com distinção, não havendo lugar a atrasos na resposta do equipamento. Claro que é possível editar vídeo, sendo que se recomenda a utilização do carregador, visto esta tarefa ter um impacto bastante forte na autonomia.


O SSD PCI-e X4 apresenta um desempenho de nível superior, como poderão comprovar na imagem em cima, referente ao teste com a aplicação CrystalDiskMark, onde atingimos transferências de mais de 3.4GB/s em leitura e 2.5GB/s em escrita.


O sistema de ventilação permanece quase sempre desligado. Foi necessário correr uma série de testes de benchmark para que a ventoinha se fizesse ouvir. O ruído emitido pode ser considerado aceitável, sendo apenas mais notório tendo em conta que, durante a maior parte do tempo, permanece desligado e em silêncio.

A Huawei anuncia 35ºC como a temperatura máxima em operação, valor que poderá causar algum desconforto caso utilizem o Matebook 13 sobre as pernas. Esta situação também só se colocará quando o equipamento for sujeito a cargas elevadas de processamento, algo que numa utilização dita "normal", não irá acontecer.


Para ligar o portátil é necessário pressionar o botão de power durante uns dois segundos, não sendo suficiente um toque leve, o que acaba por evitar que se desligue acidentalmente o portátil ao tocar neste botão. O sensor de impressão digital é preciso na detecção, mas por vezes pode dar a sensação de ser relativamente lento, principalmente quando o portátil estiver em standby durante um longo período. Na verdade não é lento, apenas está dependente das "ordens" do Windows, facto que poderão confirmar suspendendo o Matebook e ligando-o de seguida.


O teclado "chiclete" (retro-iluminado) é fantástico. Apresenta um toque muito agradável, permitindo uma cadência de escrita bastante rápida. As teclas de função são partilhadas com o controlo de algumas funcionalidades, algo que é normal num equipamento com estas dimensões. As quatro teclas de cursor também são partilhadas com as teclas de navegação (home/end/page up/page down). Estranhamente, a Huawei optou por não identificar estas quatro funções, estando as mesmas no entanto disponíveis através da combinação das teclas de cursor com a tecla Fn.


O touchpad apresenta uma dimensão considerável em largura, mas em altura poderá revelar-se algo curto. É bastante preciso na navegação e permite utilizar os gestos disponibilizados pelo Windows 10, o que acaba por completar o ecrã touch.


O ecrã glossy apresenta uma boa qualidade de imagem e a regulação do brilho consegue contrabalançar o impacto da luz solar. O facto de disponibilizar detecção do toque (10 pontos) é um extra sempre bem-vindo, bastando apenas alguns dias de utilização para que não queiram dispensar esta funcionalidade.

Com o brilho nos 20%, WiFi sempre ligado, numa utilização baseada na navegação na internet, com 10 a 20 tabs abertas no Chrome (incluindo Gmail, Facebook, Tweetdeck), o Matebook conseguiu atingir uma média de 7 horas de autonomia, valor que considero ser o mínimo exigido a um produto desta categoria. Há contudo que ter em atenção que esta marca das 7 horas é bastante exigente, não havendo muitas máquinas que consigam obter este nível de desempenho para a mesma tipologia de utilização. Por esta razão, o Matebook 13 passa com aproveitamento neste teste de autonomia.


As ligações disponíveis são muito limitadas, ou não estivéssemos a falar de um ultrabook. Este Matebook 13 disponibiliza apenas uma ficha áudio de 3,5mm e duas portas USB-C, que apesar de terem o mesmo formato apresentam características diferentes.


O carregamento apenas pode ser feito através da porta USB-C do lado esquerdo, já um monitor terá que ser ligado à porta USB-C (DisplayPort) do lado direito. Para transferência de dados, podem utilizar as duas portas.


A lamentar o facto de ambas as portas serem apenas USB 3.1 Gen, não sendo compatíveis com ligações Thunderbolt 3 (40Gbps), pelo que se ficam pelos 5Gbps de velocidade máxima de transferência.


Para colmatar esta escassez de ligações, a Huawei fornece um Hub USB-C com o Matebook 13, com o qual passam a contar com uma porta HDMI, VGA, USB-C e uma porta USB-A.


O carregador que acompanha o portátil, permite efectuar o carregamento a 5-9-12V/2A, 15V-3A ou 20V/3,25A.


Desta forma, está assegurado um carregamento rápido, como foi possível verificar nos testes que efectuámos.


Se tiverem outros carregadores igualmente capazes de fornecer relações de carregamento como as acima apresentadas, poderão utilizar os mesmos para carregar o Matebook 13.


Igualmente interessante, é o facto de poderem carregar o Matebook 13 com um simples powerbank com 5V/2A. Claro que será um carregamento mais lento, mas tem a vantagem de poder ser utilizado em qualquer lugar.



PC Manager - a ponte para aceder aos conteúdos no smartphone



No que diz respeito ao software, o Matebook 13 apresenta-se livre de bloatware, facto que naturalmente se saúda. A Huawei optou por apresentar apenas o PC Manager, uma aplicação que concentra algumas ferramentas para gestão do portátil e também do smartphone, ou não estivesse a Huawei a apostar na convergência dos serviços.

No separador My PC, o utilizador tem acesso a uma ferramenta que analisa o estado do equipamento, sugerindo medidas correctivas, sempre que necessário. A gestão dos drivers é uma das opções disponíveis, pelo que esta acção deixa de ser uma preocupação.

O My Phone, acaba por ser a opção mais curiosa e interessante, podendo ser bastante útil em determinados cenários de utilização, facilitando o acesso e troca de ficheiros entre o Matebook e o smartphone.


Para ligar os dois equipamentos, basta activar a funcionalidade Huawei Share e pousar o smartphone no canto inferior direito do Matebook. Ao fim de alguns segundos, os dois equipamentos ficam com uma "ponte" estabelecida, com o ícone do PC Manager a dar conta disso mesmo, passando a apresentar um smartphone. Nesta altura, poderão retirar o smartphone e utilizar o PC Manager para interagir com o mesmo, enviando/recebendo imagens e vídeos.

Esta acção de troca de ficheiros, pode ainda ser mais simplificada, com o utilizador a ter apenas de seleccionar as fotos/vídeos no smartphone, tocando depois com este no Matebook 13. Os ficheiros passam automaticamente para o portátil, sem que seja necessário outra intervenção humana.

É igualmente possível passar ficheiros do Matebook 13 para o smartphone, sendo que neste caso, o utilizador não está limitado a fotos e vídeos, podendo enviar todo o tipo de ficheiros. Esta opção é bastante mais útil, não sendo fácil de perceber a razão que terá levado a Huawei, no caso do sentido inverso (smartphone => Mate book 13) a limitar a passagem de ficheiros, a imagens e vídeos.


Apreciação final



Este Matebook 13 é a clara demonstração de que a Huawei não veio passear para o segmento de mercado dos ultrabooks. É uma máquina com uma excelente qualidade de construção, transmitindo uma sensação de robustez, facto que se confirma quando em utilização.

Em termos de desempenho não há nada a apontar, mesmo nas situações mais exigentes, sendo que nestes casos, haverá que contar com o ruído do sistema de ventilação. O ecrã apresenta uma boa qualidade de imagem, com o brilho a permitir contrabalançar o efeito dos reflexos de luz. O teclado chiclete foi uma agradável surpresa, que agora me fará penar um pouco, no regresso ao portátil que utilizo no dia a dia. Uma nota final de destaque para o disco SSD, que apresenta um nível de desempenho de excelência, com velocidades que farão os electrões andar no red line.

A aplicação PC Manager é já bastante útil, facilitando a integração com o smartphone. Permite a troca simples e rápida de fotos e vídeos, que poderão ser editados comodamente no Matebook 13, sendo posteriormente devolvidos ao smartphone. É uma aplicação que já apresenta um bom nível de funcionalidades, tendo no entanto ainda espaço para melhorias, como é o caso da partilha de outros tipos de ficheiros entre o smartphone e o portátil.

Com um PVP a começar nos 999€ (versão i5 com SSD 256GB), este Matebook posiciona-se numa posição confortável para se bater com as propostas da concorrência, razão pela qual é merecedor de um muito desejado "Escaldante".


Huawei Matebook 13

Escaldante



Prós

  • Qualidade de construção
  • Teclado
  • Velocidade do SSD


Contras

  • Não tem portas Thunderbolt 3
  • Peso face à concorrência directa


Galeria de imagens









Huawei Matebook 13

Escaldante (5/5)

2 comentários:

  1. Bela maquina para eu instalar o Void Linux ou o MxLinux

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  2. Obrigado e parabéns pela análise.
    Estando em busca de um portátil leve mas com ecran mate o maior possível até aos 1,2kg para documentos, utilização de net e alguma edição de vídeos caseiros (gopro FullHD), este portátil faz mais ou menos barulho com as ventoínhas ligadas que os outros portáteis semelhantes? Que modelos concorrentes em características e preço até aos 1.100€ é que existem, sem ser os da Microsoft? E, por último, esta marca é de confiança, tendo em conta as últimas notícias da Huawei e a espionagem (como já sucedeu anteriormente com os portáteis da Lenovo)? Obrigado.
    Mário Lemos

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