2019/04/19

Boeing 737 Max com defeito de concepção?


A queda dos dois Boeing 737 Max 8 tem sido atribuído a uma falha de software, mas uma investigação mais cuidada revela que a verdadeira origem do problema poderá estar relacionada com a pressa da Boeing em ter um avião para competir com a Airbus.

A queda dos aviões terá sido causada por um sistema que visava corrigir o grau de inclinação do avião, fazendo baixar o nariz se achasse que o avião estava a levantar demais - e que terá entrado em operação devido a leituras erradas dos sensores. Mas o motivo pelo qual a Boeing teve que criar esse sistema foi devido à troca dos motores para poder ter um avião que fosse alternativa à da sua rival Airbus.

A Boeing queria trocar os motores no Boeing 737 Max por motores maiores, mas não tinha espaço sob as asas para o fazer. Por isso, em vez de redesenhar o avião, decidiu montar os motores numa posição superior, afectando o comportamento do avião e fazendo com que este tivesse tendência para "levantar o nariz" - levando à criação do tal sistema MCAS para compensar esta situação.

Adicione-se a isto os relatos de que a Boeing tem encostado os engenheiros preocupados com a segurança de modo a acelerar a saída dos aviões... e fica permanentemente manchada a reputação de um dos gigantes aeronáuticos.


12 comentários:

  1. Bom artigo relacionado com o assunto: https://www.nytimes.com/2019/04/08/business/boeing-737-max-.html

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  2. Não concordo. Concordo com a parte da Boeing querer lançar avioes à pressa mas não me parece que tivesse de redesenhar o avião todo. Temos muitos exemplos de aviões que só conseguem voar devida à terem software. O erro deles foi terem lançado o avião à pressa e sem a redundância suficiente.

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    1. Boa tarde, não sei se tens bases técnicas para afirmares o que escreves, mas a realidade diz de fato outra coisa, não foi só a pressa
      para terem um avião da mesma categoria do A-320 e poderem competir com as versões ''NEO'' da Airbus, o problema que a Boeing tinha em mãos era complicado e percebe-se o porquê de não terem partido para um avião completamente novo, ou seja no caso dos Airbus cuja concepção original é mais recente que o Boeing 737 a altura ao solo permitiu colocar os motores numa posição correcta na asa sem que a altura ao solo do motor apesar do seu maior diâmetro colocasse algum problema relacionado com a segurança , mas no caso do 737 já não foi assim , de fato o ano de concepção da aeronave faz com que ela seja muito mais baixa que o Airbus e como ambos usam exactamente os mesmos motores a altura ao solo dos mesmos colocaria a aeronave em risco, por essa razão a Boeing resolveu colocar os motores na asa na parte mais alta e avançada possivel para minimizar os riscos, esta é a explicação.

      Agora a explicação da razão que levou a Boeing a não produzir um modelo completamente novo, a Airbus agarrou nos seus modelos actuais e aplicou novos materiais compositos muito mais leves , fez a alteração dos motores e ganhou 15% de economia de combustível no mesmo avião sem que os pilotos tivessem que fazer qualquer curso adicional para pilotarem a família NEO , ou seja só benefícios para as companhias e isto num avião que nos últimos anos está a vender mais que o 737, a Boeing pressionada pelas vendas ( há que perceber que este modelo é o que mais vende em toda a família da Boeing ) acabou por ter de seguir a mesma formula, apresentar um avião que mostrasse claramente uma economia de combustível e sem os tais custos adicionais de cursos e treinos, só que agora todos nós sabemos que afinal este avião está a sofrer com todos os remendos que tem tido desde a sua criação, levando aos problemas que redundaram nas 2 quedas e em muitas queixas de pilotos em relação há forma errática como este avião se comporta, depois de fato a redundância , no caso dos sensores responsáveis por estas leituras a redundância não existia e mais uma vez se pode apontar o dedo há Boeing que tentou a todo o custo ter um produto há altura da família NEO da Airbus , mas que se esqueceu que a altura ao solo do avião não era compatível com estes motores de maior diâmetro e mais económicos, portanto concluo que não foi uma questão de pressa , mas sim de uma politica comercial desmesurada e que não levou em linha de conta a segurança dos passageiros e das suas tripulações , mais grave , quando caiu o Lion Air em Outubro de 2018 já os relatórios apontavam para estes problema a Boeing resolveu ignorar e até foi há boleia da teoria que esta companhia da Indonésia não dava a devida formação aos pilotos, não sei se de fato a Boeing ainda não terá de responder por um processo crime nos tribunais.

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    2. Ele tem razão, falhou a redundância na leitura de dados apenas de um dos sensores.

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    3. Boa noite,

      Agradeço que leia este artigo, o problema é muito mais vasto e tem várias vertentes que eu tentei abordar no meu post.

      https://spectrum.ieee.org/aerospace/aviation/how-the-boeing-737-max-disaster-looks-to-a-software-developer

      Este artigo é muito interessante porque é escrito por alguém que é piloto e simultaneamente programador.

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    4. Antes desse artigo ser publicado eu já tinha adequirido conhecimento de que a Boeing
      não só não se esqueceu como teve plena consciência do problema de compatibilidade do 737 com motores de maior diâmetro e por isso implementou o dito MCAS no MAX8 como remendo, mas falhou redondamente na sua concessão.

      Veja este vídeo https://youtu.be/zi7bmvGPyuc que fala de forma simplificada sobre o que aconteceu no voo da Etiópia com base no relatório preliminar do acidente que infelizmente aconteceu não só por uma razão.

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    5. Eu sei, mas depois o CMAS não deixa que os pilotos tomem o controle da aeronave, a luta dos pilotos com o sistema automático de inclinação do nariz do aparelho foi de tal forma que os pilotos ficaram literalmente exaustos, ninguém merece morrer desta forma, mais uma vez o problema desta aeronave não é somente um como a Boeing quer transmitir, esta aeronave tem vários problemas de concepção, aconselho que leiam o artigo que deixei o link no meu post anterior, ficarão esclarecidos.

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    6. Há aqui infelizmente ainda mais variáveis...
      Para mim uma falha extremamente grave foi a Boeing não ter colocado o sistema e explicação do mesmo no FCOM (Flight Crew Operating Manual). Manual que nós pilotos usamos para estudar o avião.
      Não só não era mencionado no FCOM, como também nunca foi mencionado no curso de diferenças entre o 737NG e o 737Max.

      Eu sou piloto no 737NG e futuramente no 737 Max e não entendo como é que a Boeing desenhou o avião desta maneira. Remendos atrás de remendos acaba por infelizmente dar nisto.

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  3. Pessoal essa reportagem me cheira a concorrência a denegrir a Boeing,.

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    1. Pessoal uma coisa que eu nao entendo e que parece que todo mundo quer deixar cair a boeing por causa do que aconteceu, nao entendo. Falha todos cometemos e a boeing esta a corrigir os erros detectados neste modelo 737Max, mais por favor deixemos eles corregirem os erros. Agora diz se que o aviao 737Max nao e seguro para voar, deixemos a boeing trabalhar para torna os mais seguros. Sou um amante da aviao e gosto de aprender sempre

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  4. Mas é verdade! Foi para concorrer com o 320neo, mas como o Airbus tem uma altura de asa ao solo grande não houve problema. A Boeing estava a perder encomendas para o neo e lançaram o max, mas ao contrário do neo, tiveram de recolocar os motores noutro sítio para não baterem no chão...desequilibrando o avião

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