2019/10/07

A cidade chinesa com 2.5 milhões de câmaras de vigilância


A cidade de Chongqing na China pode ser desconhecida da maioria dos ocidentais, mas é um autêntico balão de ensaio para uma sociedade "Big Brother", sendo a cidade mais vigiada da China com mais de 2.5 milhões de câmaras de vigilância.

Situada bem no coração da China, Chongqing é uma das mega-cidades chinesas com longa tradição, e que alberga mais de 15 milhões de pessoas (se considerarmos todo o município, são mais de 30 milhões). É também a cidade mais vigiada da China, com mais de 2.5 milhões de câmaras de vigilância que monitorizam constantemente todos os aspectos da vida diária: da análise do fluxo de trânsito à detecção de carros estacionados ilegalmente, ao estado de espírito dos transeuntes enquanto caminham pelas ruas da cidade.

Aqui, alguém que deixe o seu carro mal estacionado sujeita-se a receber automaticamente um alerta passados poucos minutos; seguido de uma multa e penalização na carta de condução. Mas aquilo que parecerá um cenário de terror para os apologistas da privacidade está a ser promovido pelo governo Chinês como sendo o exemplo a seguir, e que os cidadãos "estão satisfeitos".

As frases são bem conhecidas de quem se preocupa com este tipo de situações: "Quem não tem nada a esconder não precisa recear as câmaras de vigilância"; ou "assim sinto-me mais seguro porque sei que está sempre alguém a ver-me". Mas, como Edward Snowden e outros já demonstraram, o grande problema é o poder que estes sistemas detêm, e que inevitavelmente acabarão por ser abusados.

Tal quantidade de câmaras permite recriar virtualmente os passos de todos estes milhões de pessoas, permitindo saber onde estava, para onde foram, que caminho tomaram, e tudo o mais, a cada segundo do dia. Será assim tão descabido assumir que a natureza humana rapidamente se encarregará de fazer com que alguém o use para saber o que um rival político, a esposa, namorada, vizinho ou qualquer outra "pessoa de interesse" anda a fazer? Ou talvez, todos os que frequentam determinado café, ou local de culto, ou clube... enfim, as possibilidades são imensas, como de resto George Orwell já fez questão de explorar há 70 anos quando publicou o seu 1984.

... O seu único erro foi talvez ter falhado na sua previsão por algumas décadas.

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