2020/07/22

Análise ao Huawei P40 lite E


A Huawei aposta na linha "Lite" como sendo uma forma mais acessível de ter acesso aos smartphones da sua gama. Desta vez vamos ver que tal se comporta o Huawei P40 lite E.

A aposta em valores mais acessíveis é uma fórmula de sucesso quase sempre garantido, e foi isso que aconteceu com o lançamento do P8 lite, que acabou por ter um grande sucesso no mercado, dando origem a uma família que se prolonga até a este P40 lite. Curiosamente (ou não...) o preço do P lite foi sofrendo incremento ao longo dos anos, aproximando-se vertiginosamente dos 400€, deixando o segmento de origem (200-300) sem uma representatividade, a qual acabou por surgir com outra linha de produto, o P Smart, tendo o modelo mais recente sido alvo de análise, passando no teste com distinção.


O P40 lite E tem por isso uma missão difícil, concorrendo com outros modelos da própria marca.

Unboxing



A caixa segue o design utilizado na série P, com a particularidade deste P40 lite E se apresentar sem as aplicações e serviços da Google, facto que fica bem patente no grafismo impresso na zona inferior, com referência à AppGallery da Huawei.


Dentro da caixa encontramos ainda um carregador, cabo USB, clip para instalação dos cartões e a documentação de referência. De salientar a ausência de auriculares e uma sempre útil capa de protecção, se bem que neste caso o plástico seja mais resistente a quedas que o vidro que tenta (e bem) imitar, com um gradiente de cor.


O carregador está limitado a uma potência de 10W, numa relação de carregamento de 5V/2A. O cabo microUSB é ainda uma constante, com a Huawei a tardar em fazer acompanhar a gama de entrada com uma ligação USB-C.


O P40 lite E



O plástico é o elemento dominante mas este facto não tem qualquer impacto negativo nos acabamentos do smartphone, com o P40 lite E a apresentar-se com um corpo que transmite solidez quando se segura o terminal com apenas uma mão.


O bloco do corpo apresenta uma curvatura que termina em dois anéis, um que protege o vidro frontal, outro o plástico da traseira. A protecção extra acaba por ter repercussões na espessura do terminal, com este a apresentar uma espessura de 8,13mm. Não sendo um valor muito superior à média, acaba por dar essa impressão devido às arestas laterais do acabamento traseiro.



A frente do smartphone é dominada pela simplicidade, com o furo em cima à esquerda a ser o único elemento a destacar-se.


Igualmente nesta zona, mas numa posição mais central, uma coluna para as chamadas de voz.



Na lateral direita temos os botões de volume e power. Na lateral oposta, o adaptador para instalação de dois cartões SIM e microSD, sendo que o equipamento permite a instalação dos três em simultâneo.



A traseira prima igualmente pela simplicidade. Em cima, à esquerda, o módulo de câmaras e flash. Numa zona mais central, o sensor de impressões digitais, para um desbloqueio rápido e seguro do smartphone.

Para um equipamento de gama baixa, este P40 lite E apresenta um conjunto de hardware que à primeira vista é verdadeiramente generoso, mas uma análise mais atenta revela um detalhe que poderá colocar este smartphone fora das opções dos consumidores.

O processador é o já velhinho e bem conhecido Kirin 710F, unidade que se ajusta na perfeição ao segmento de mercado em que este P40 lite E se insere. Os 64GB e sobretudo os 4GB de RAM são adequados, complementados por um ilustre trio de câmaras que já deu mostras da sua valia numa análise por nós publicada. A completar o conjunto temos uma generosa bateria de 4000 mAh e um actualizado Android 10 com EMUI 10, como se exige a um equipamento agora lançado no mercado.

Relativamente a câmaras, o P40 lite E conta com uma tripla câmara na traseira com 48 MP (grande angular, f/1.8) + 8 MP (ultra grande angular) f/2.4 + 2 MP (profundidade) f/2.4. Na frente, um sensor de 8 MP, com abertura f/2.0

O ecrã é o elemento que fica a destoar deste interessante conjunto de especificações, pois acaba por ser relativamente grande em tamanho, com 6.39", mas com uma resolução HD+ com apenas 720x1560 pixels, numa relação de 19.5:9 com 269 ppp. Embora seja um gama média baixa, esperava-se outra opção por parte da Huawei.


Em utilização



As expectativas não eram elevadas, considerando que se trata de um smartphone com preço abaixo dos €200. As marcas têm de cortar em múltiplos aspectos pata garantir que o produto final fica dentro dos custos estabelecidos, mas com o cuidado de manter um nível de desempenho que seja minimamente satisfatório.



Em termos de utilização, o anel de protecção na traseira acaba por introduzir uma quebra na curvatura do corpo, provocando uma diminuição do conforto quando se segura o smartphone com apenas uma mão. Este elemento está bastante bem conseguido a nível estético, mas o seu bom aspecto visual acaba infelizmente por se intrometer na comodidade de utilização.




Com um processador HiSilicon Kirin 710F acompanhado de 4GB de RAM não há lugar a preocupações, garantindo uma experiência de utilização sem atrasos.

O ecrã com apenas 720x1560 pixels acaba por ficar aquém do esperado. Esta opção por parte da Huawei não é propriamente novidade, tendo já sido utilizada por parte de outras marcas, com destaque para a Xiaomi e do seu Mi A3. Por muito que tenham tentado defender esta opção com a qualidade do ecrã AMOLED, a diferença para o Full HD a faz-se notar bastante, ainda mais tendo em conta a dimensão do ecrã, prejudicando a nitidez do texto. Pela positiva, o facto da resolução exigir menos do processador e GPU, contribuindo para uma maior fluidez da interface.



A Huawei aposta forte em termos de software, repetindo a fórmula utilizada nos outros smartphones da série P40, com a App Gallery a ser a alternativa disponível face da ausência das aplicações e serviços da Google. Para ficarem a conhecer o impacto desta decisão, convida-se à leitura da análise do Huawei P40 Pro, havendo apenas uma alteração face ao apresentado anteriormente.

Uma das lacunas apresentadas na nossa análise prendia-se com a limitada oferta disponível na App Gallery, não existindo uma forma simples e rápida de aceder a conteúdos de outras lojas. A aplicação Petal Search vem colmatar esta lacuna, apresentando ao utilizador opções para as apps e jogos que pretenda instalar, servindo igualmente para gerir as actualizações das aplicações instaladas.

Não sendo ainda uma solução à altura daquilo que a Google disponibiliza com os seus serviços e aplicações, a App Gallery em conjunto com a Petal Search resolve a questão da variedade de aplicações disponíveis, assim como a sua actualização. No entanto, continua a ser uma proposta pouco apelativa para os fãs das apps Google, como o Gmail, Youtube e afins.


As câmaras



Ao apostar numa tripla câmara traseira herdada do P30 lite, o P40 lite E recebe um upgrade de alguma forma inesperado, com um sensor de 48 MP (grande angular, f/1.8) + 8 MP (ultra grande angular) + 2 MP (bokeh). Este trio é capaz de produzir resultados de qualidade em diferentes cenários, graças à interligação do hardware com os múltiplos modos de fotografia disponibilizados: Abertura, Noite, Retrato, Pro, Câmara Lenta, Panorama, Pintura de Luz, HDR, Time Lapse, Imagem em movimento, Autocolantes e Alta resolução. O vídeo está limitado a uma resolução Full HD, algo que não surpreende num equipamento de gama média-baixa..

A câmara frontal com sensor de 8MP apresenta uma abertura f/2.0. Em termos de funcionalidades, este sensor está bem mais limitado, com apenas o modo beleza e um conjunto diversificado de filtros.



O modo automático, assistido pela AI, consegue responder adequadamente na grande maioria das situações, se bem que limitado a uma relação 4:3. Quem assim preferir, pode optar pelo modo de fotografia Pro, ficando com a possibilidade de configurar manualmente os diferentes parâmetros.

Huawei P40 lite E

Em termos de qualidade de imagem, a câmara frontal não consegue acompanhar a prestação do trio traseiro, com este último a sair bastante bem na fotografia, literalmente falando. Este facto não será propriamente novidade, pois o mesmo trio já tinha mostrado que vale na análise do P30 lite. O modo noite foi uma boa surpresa, pois não é habitual conseguir-se um resultado deste nível no segmento dos €200.


Apreciação final



Com o avanço da tecnologia, os smartphones de gama média começam a apresentar cada vez mais e melhores funcionalidades. Os atrasos na resposta os toques são já coisa do passado, com os terminais a disponibilizarem uma fluidez assinalável sem comprometer a experiência de utilização. Este P40 lite E é disso exemplo, havendo apenas que contar com um ecrã que apresenta uma resolução inferior ao que seria recomendável. Para contrabalançar este facto, as câmaras traseiras dão boa conta do recado, disponibilizando imagens com qualidade bastante interessante para este segmento de preço.



Já o software, fruto das limitações impostas pela Google, acaba por sair penalizado. É certo que a App Gallery está cada vez mais preenchida e a app Petal Search vem preencher algumas das lacunas que as soluções da Huawei apresentavam, mas para quem vive e respira sobre os serviços da Google, continuará a ser um factor de eliminação.



Em termos de design e qualidade de construção, o smartphone apresenta linha interessantes, sobretudo nos efeitos que a traseira disponibiliza com a incidência da luz. O anel de protecção do plástico traseiro acaba, no entanto, por tornar o smartphone menos confortável de utilizar com apenas uma mão.

O P40 lite E acaba por ser vítima do veto imposto pelo EUA e curiosamente pela concorrência que outros equipamentos da marca lhe oferecem (ver análise ao P smart 2020), ficando-se por isso por um sustentado "Morno", que deverá ser visto com bons olhos por parte de quem procura um conjunto equilibrado de câmaras por um preço simpático para a carteira (já se pode encontrar por valores próximos dos €150).




Huawei P40 lite E
Morno


Prós

  • Câmaras traseiras
  • Desempenho vs €€€

Contras
  • Sem apps e serviços Google
  • Design da lateral
  • Ecrã apenas HD+



Huawei P40 lite E

Morno (3/5)

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