2020/11/29

NSA apanhada em novo escândalo de espionagem na Dinamarca

Enquanto vão apontando o dedo à Huawei como sendo um risco de espionagem, os EUA voltam a ser apanhados em mais um escândalo de espionagem, com a NSA a ter um data center dedicado na Dinamarca, através do qual têm espiado os países nórdicos e a Alemanha.

Comecem a ser cada vez mais os casos em que se apanha os EUA a espiar os seus aliados, e neste caso em concreto fica demonstrado que o objectivo não é apenas aquele que é usado como desculpa habitual, o do "combate ao terrorismo", já que desta vez o objectivo era garantir que a Dinamarca optava por caças de combate norte-americanos F-35 em vez dos Eurofighter europeus. Mais embaraçoso (e escandaloso) para a Dinamarca, é o facto dos seus próprios serviços de segurança e inteligência estarem envolvidos, tendo facilitado esta monitorização e espionagem, e acedendo às ferramentas da NSA para espiarem ministros e outras pessoas de interesse envolvido nesta decisão de milhares de milhões de euros.


Pode ser que os EUA simplesmente não tenham compreendido a velha máxima "mantém os amigos perto, mas os inimigos ainda mais perto", e estejam a aplicar a espionagem de proximidade a tudo e todos, quer sejam amigos ou inimigos. Ou pode ser apenas que as ditas entidades de inteligência, tão somente estejam de tal forma viciadas no poder oferecido por estas ferramentas de espionagem proporcionadas por este mundo digital, que sejam incapazes de resistir a usarem-nas em seu benefício contra todos. Afinal, depois se de tomar o gosto pelas capacidades de um "Big Brother" que tudo pode saber, é compreensível que seja incomodativo não saber o que se passa por trás de certas paredes.

Obviamente que isto não é algo que se limite à NSA. Quer seja a China, Coreia do Norte, ou qualquer outro país, toda e qualquer agência de espionagem faria exactamente o mesmo, se tivessem oportunidade e/ou capacidade para tal. A única forma com a qual se poderá retaliar, dentro do possível, é optar por serviços que ofereçam encriptação end-to-end e exigir que todos os outros também a implementem. Mas mesmo isso não será uma táctica assegurada, pois o tal "vício" de querer espiar tudo e todos também já vai chegando ao ponto de querer proibir a encriptação end-to-end que não disponibilize backdoors para acesso.

2 comentários:

  1. Não sabia que era um escândalo a NSA estar a vigiar tudo e todos, e a tentar obter proveitos financeiros e de influência militar... o mesmo fazem os chineses, alemães, russos, ingleses, espanhóis, turcos e todos os outros com capacidade para tal... dezenas de países estão associados entre si para se espiarem mutuamente e partilharem informações que legalmente os próprios serviços não poderiam obter, mas que se forem os outros a dizer-lhes já não há problema (hipocrisia).

    Podem apontar culpas quanto muito é à contrainteligência que pelos vistos fez um péssimo trabalho a defender os governantes dos espiões internos e externos.

    No fundo a questão é só saber qual(ais) era(m) o(s) avião(ões) que os pilotos realmente consideravam o melhor para eles... porque no final do dia serão provavelmente eles os melhor capacitados para dar a opinião final.

    Quanto à encriptação ponto-a-ponto não serve de nada se os dispositivos em si estiverem comprometidos... que deve ter sido o caso, já que os governantes têm sempre acesso a telefones seguros mesmo que não permitam que o resto da população tenha... se optam por utilizá-los é outra conversa.

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  2. Onde está o Paulo Portas?
    Ele poderia ensinar aos dinamarqueses e aos americanos (explicando com o caso prático dos submarinos) como se fazem este tipo de coisas...

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