2020/12/17

Apple responde ao Facebook - que ameaça "fim da internet gratuita" em novo anúncio

O Facebook continua com a sua campanha publicitária anti-Apple a propósito das medidas de privacidade no iOS 14, com novo anúncio de página inteira nos jornais, desta vez a ameaçar com o fim dos serviços gratuitos na internet.

Estava a Apple a responder ao primeiro anúncio do Facebook que lhe aponta o dedo como sendo uma medida que irá penalizar os "pequenos negócios", referindo que se trata apenas de dar aos utilizadores a visibilidade do que normalmente era relegado para os bastidores, e a opção se desejam ou não ser seguidos; quando o Facebook avança já para a segunda fase da sua ofensiva, com novo anúncio que segue as regras do manual "FUD" (Fear, Uncertainty and Doubt), prevendo que esta medida da Apple represente o fim os serviços gratuitos na internet.

Se dúvidas houvesse quanto ao estado de desespero do Facebook, e ao ponto a que estaria disposto a chegar para combater esta medida, esta ofensiva mediátia com anúncios nos jornais será suficiente para deixar claro que não vai olhar a meios para o fazer - e seguramente isto será apenas o início.

Não deixa de ser imensamente estranho que o Facebook esteja a recorrer à imprensa escrita para lançar estes anúncios - um meio que tem enfrentado grandes dificuldades, e para o qual muito contribuiu a publicidade online (em grande parte feita pelo Facebook). Mas esta é uma campanha que terá sido meticulosamente planeada pelo Facebook, e que deverá estar a guardar os seua "trunfos" - como notificações ou popups no seu site, para tentar incitar os seus utilizadores a mobilizarem-se contra esta medida da Apple.

Por outro lado, se calhar não o faz por ter receio de esta ser uma batalha perdida à partida, e de não querer arriscar em contar com a "solidariedade" dos seus próprios utilizadores; em parte por saber que é uma batalha completamente sem sentido, e que ninguém vai na cantiga das ameaças que está a lançar. A figura que o Facebook está a tentar fazer passar seria o idêntico a ter os restaurantes a reclamarem do fim da cobrança pelos extras colocados na mesa dos clientes sem que eles os tivessem pedido.

A Apple não está a impedir o tracking de que o Facebook tanto depende para monitorizar e seguir os utilizadores. O que o iOS 14 fará a partir de Janeiro será somente apresentar um popup de pedido de autorização sempre que uma app os desejar seguir através do identificador do equipamento (ao estilo dos popups de confirmação que surgem quando uma app quer aceder aos seus contactos, à câmara ou microfone). Trata-se apenas de colocar na mão do utilizador a decisão de deixar que isso seja feito ou não. Quem achar que tem a ganhar com este tracking (com a tal promessa de que verá publicidade mais relevante, em vez de publicidade irrelevante) terá total liberdade para aceitar ser seguido... Mas na prática, é contra essa decisão dos utilizadores que o Facebook está contra, e o seu estado de pânico revela que está consciente que a maioria dos utilizadores não estará muito receptiva a ser seguida.

Não me custa imaginar chegarmos a um ponto em que teremos serviços, como o Facebook, a tentarem extorquir esse acesso dos utilizadores, com algo do estilo "para continuar a aceder a este serviço terá que aceitar ser seguido", ao estilo dos sites que apresentam mensagens "para poder aceder ao site tem que desactivar o bloqueador de publicidade". O que acabará por ser revelador da forma como vêem os seus utilizadores, como mera "carne para canhão" que apenas serve para ser espiada em detalhe, e ter as suas preferências vendidas em leilão a quem pagar mais.


Actualização: Tal como se fazia prever, as queixas já começaram a chegar a notificações na app do Facebook.

3 comentários:

  1. Mais um polvo que não olha a meios.

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  2. Ainda bem que não uso essa m---@!

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  3. Do grupo Facebook só uso o WhatsApp e provavelmente até a agosto, pois estou a migrar para outra plataforma

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