2021/06/22

Amazon destrói centenas de milhares de produtos bons por semana

Enquanto na linha da frente a Amazon nos incentiva a comprar coisas, nos bastidores também vai destruindo centenas de milhares de produtos por semana, no pior exemplo do consumismo mundial.

Empresas como a Amazon têm-nos habituado a ter tudo o que se possa querer comprar à distância de um clique e um ou dois dias de distância, mas há outras coisas menos positivas que poderiam ser repensadas. Uma investigação revelou que, só num dos armazéns que a Amazon detém no Reino Unido, há centenas de milhares de produtos que são destruídos todas as semanas. Alguns deles são produtos defeituosos, mas muitos deles são produtos devolvidos que ainda estão funcionais, ou até produtos completamente novos cujas caixas nem sequer foram abertas.
Se no caso dos produtos defeituosos a coisa será compreensível (tendo em conta que em muitos casos, o custo de reparação excede o preço do produto), muitos outros há em que isto é completamente inaceitável. Com se pode justificar que milhares de livros sejam destruídos, em vez de doados a bibliotecas, ou o mesmo feito a propósito dos produtos novos, ou devolvidos?

Infelizmente, a situação é que a Amazon cobra bem pelo espaço ocupado nos seus armazéns, o que coloca uma enorme pressão sobre os vendedores. Se não conseguirem vender os seus produtos de forma rápida, deixa de lhes ser economicamente viável manter os produtos parados, ficando mais barato libertar o espaço destruindo-os. Este cenário não se limita à Amazon - temos também os infelizes exemplos dos produtos alimentares, perecíveis, que são destruídos em vez de serem doados, representando toneladas de alimentos por dia - e acaba por ser um retrato bastante mais vasto da sociedade de consumo em que vivemos, que se foca na produção e no consumo, mas pouca ou nenhuma atenção dá aos excessos.

Não deixa de ser bastante preocupante, e também desanimador, que se estejam a gastar recursos a produzir coisas, que irão directamente para uma pilha de destruição, que posteriormente irá contribuir para preencher aterros. É literalmente estar a produzir "lixo" só porque sim.

4 comentários:

  1. É o custo da disponibilidade imediata. Mas a mudança recai sempre sobre o consumidor. É preciso deixar de "alimentar" gigantes como a amazon e comprar no local. Uma loja local arranja todo o produto que existe na amazon, se forem à loja especializada do produto que procuram, mesmo que o consumidor tenha de esperar 1 ou 2 semanas.

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    1. O problema são as economias de escala.. um local dificilmente ganhará em preço a uma Amazon. Não tem hipótese de praticar os mesmos preços de venda nem oferecer o mesmo pós-venda

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  2. Não pode ser aceitável.

    A busca por lucro não pode justificar tudo.

    Empresas deste tipo necessitam de *muito* mais regulação de forma urgente.

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  3. Mais uma vez os lucros acima dos interesses dos consumidores dão origem a aberrações que não passa pela cabeça de ninguém... e isto é só o que se sabe...

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