2021/10/12

Apps continuam a fazer tracking dos utilizadores mesmo quando não deviam

Alterações ao iOS lançaram o pânico entre empresas de publicidade por darem aos utilizadores novas opções para reduzir o tracking - só que o panorama real pouco mudou, podendo dar aos utilizadores uma falsa sensação de segurança que, na verdade, não existe.

Os utilizadores com iPhones e iPads podem agora ver um popup quando as apps querem obter permissão para fazerem tracking entre outras apps, sendo que na maioria dos casos poucos motivos haverá para que os utilizadores o permitam. Só que, como já era de esperar, as empresas de tracking rapidamente se adaptaram, e mesmo que os utilizadores digam que não querem esse tracking, isso continua a ser feito através de outras técnicas, como o fingerprinting.
Apps populares como o Subway Surfers enviam para empresa de tracking coisas como o endereço IP do iPhone, espaço livre, nível de volume, nível de bateria, se está ligado a um carregador, nome do operador de telecomunicações, e mais dados. Dados esses que possibilitam identificar o mesmo iPhone com uma precisão bastante elevada quando o utilizador abrir outra app, que envie os mesmos dados para a empresa de tracking, e que sejam coincidentes. Ou seja, um iPhone específico continua a ser identificado e individualizado, mesmo não recorrendo ao tracking tradicional que a Apple impediu.

E se pensam que isto é um exagero, outras apps vão ainda mais longe, enviando informação que inclui definições de acessibilidade (contraste, tamanho das letras), teclados instalados, nível de brilho do ecrã, saída e entradas de áudio, e muito mais. Tudo pontos de identificação adicional que permitem individualizar equipamentos e utilizadores num universo de milhões de pessoas.

Esta técnica não é nova e é usada há muito nos browsers para combater os ad-blockers e bloqueio de cookies que se vai tornando cada vez mais comum; mas infelizmente continua a ser algo para o qual a maioria dos utilizadores não estará sensibilizada, podendo ficar com a ilusão de que, ao escolher "não quero tracking", ficará protegido contra este tipo de coisa - quando na realidade, não fica. A ter em conta da próxima vez que abrirem qualquer app, ou site ou, na prática, fizerem qualquer coisa que seja com um smartphone, tablet ou computador.

1 comentário:

  1. Existe outra perspectiva do problema que acho ainda pior, hoje quase todas as apps precisam do consentimento de partilha de dados para o utilizador as poder usar, apps do tipo calculadora que não precisam sequer de de conectar à internet para funcionar em condições.

    ResponderEliminar

[pub]