2021/10/23

Facebook já promovia teorias da conspiração em 2019 - e sabia disso

As acusações da denunciante do Facebook Frances Haugen continuam a revelar informações internas da empresa, como a de que o próprio Facebook já tinha comprovado a promoção de teorias de conspiração a novos utilizadores em 2019.

Em 2019 o Facebook criou uma série de utilizadores falsos para testes, para analisar os conteúdos que lhes eram sugeridos. Uma dessas contas falsas era referente a uma Carol Smith, que se apresentava como uma mãe conservadora, interessada em parentalidade, política e cristianismo, e que seguira a conta de Donald Trump e da Fox News. Em poucos dias o Facebook estava a recomendar-lhe a adesão a grupos QAnon dedicados às mais alucinadas teorias da conspiração, apesar de nada no seu perfil indicar directamente que ela estaria interessada nesses conteúdos.

Mesmo não tendo aderido a esses grupos "recomendados", o Facebook continuou a inundá-la com sugestões de grupos e páginas dedicados a esses mesmos conteúdos, incluindo grupos e páginas que violavam as próprias regras do Facebook contra discurso de ódio e desinformação.

Portanto, não importa quantas desculpas o Facebook dê, isto era um problema que o próprio Facebook já conhecia pelo menos desde então. E a questão é que, mesmo pessoas que se possam considerar moderadas e ponderadas, facilmente podem ser arrastadas para esses cultos de conspirações se começarem a ser expostos continuamente aos mesmos - e seguramente o Facebook muita responsabilidade tem na disseminação e expansão dos mesmos - tudo porque deu prioridade ao tempo que os utilizadores passam na sua plataforma, em vez de se preocupar em combater os conteúdos que não deveriam ter qualquer tipo de recomendação automática.

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