2022/04/11

Análise ao Samsung Galaxy S22+


Depois de um Galaxy S21 FE fora de tempo, a Samsung regressou ao seu habitual plano de início de ano, com o lançamento da nova série Galaxy S22 que se apresenta em 3 versões, Galaxy S22, S22 + e S22 Ultra. Este último a assumir o lugar anteriormente ocupado pelo Galaxy Note, não faltando a sua icónica SPen. O equipamento em análise, o Galaxy S22+, partilha muitas das suas especificações com o S22.

Unboxing


A opção por um empacotamento minimalista já não é surpresa, com a marca Sul-Coreana a dar continuidade a uma política que visa ser mais ecológica, diminuindo o desperdício ao não fazer acompanhar o smartphone por um carregador.


Para que o consumidor não tenha dúvidas relativamente a esta questão, a informação é apresentada na traseira da caixa.


Ao retirar-se a tampa, surge o smartphone em primeiro plano.


Por baixo deste último, "os acessórios".


Serviços mínimos como já previamente referido. Apenas a documentação de referência, um clip para instalação do cartão SIM e um cabo USB-C, o que não deixa de ser curioso, visto a Samsung ter prescindido do carregador e mantendo o referido cabo.


O Galaxy S22+

O ano de 2022 marca a continuação de um regresso ao passado: linhas curvas a saírem de moda, dando lugar às linhas rectas, mais uma vez com a Apple a conseguir impor tendências em termos de design. Depois de um Galaxy S21 em que o ecrã curvo deu lugar ao ecrã plano (excepto na versão ultra) foi agora a vez do corpo (lateral) recuperar espaço face à traseira. 


Se no Galaxy S21 este processo tinha ficado a meio caminho, com o Galaxy S22 a Samsung opta por suprimir a curvatura da traseira (agora plana), ficando apenas uma reduzida zona curva no corpo, que quase já parece também ele plano.


O bloco de câmaras, em cima, à esquerda, domina a traseira, que se distingue pela sua simplicidade, mostrando que por vezes, em termos estéticos, menos pode ser mais

Os botões de volume e power estão à direita, com a lateral esquerda a ficar "limpa".


A entrada para os cartões SIM, microfone, porta USB-C e grelha para o coluna de som principal povoam a lateral inferior, ficando a lateral oposta com apenas um microfone.



Na frente, em cima, um furo para a câmara na zona central e por cima desta, a saída de som para as chamadas de voz e saída de som secundária para o som estéreo. As margens, não sendo as mais reduzidas, acabam por não ser relevantes face à dimensão do ecrã.


No terço inferior, o sensor de impressões digitais.

Especificações técnicas

  • Processador
    • Octa-Core Exynos 2200 (4 nm)
    • GPU Xclipse 920
  • Ecrã AMOLED
    • 6,6" 2340 x 1080 (FHD+)
  • Câmaras
    • Traseira
      • 50 MP, f/1.8, 23mm (wide), 1/1.56", 1.0µm, Dual Pixel PDAF, OIS
      • 10 MP, f/2.4, 70mm (telephoto), 1/3.94", 1.0µm, PDAF, OIS, 3x zoom óptico
      • 12 MP, f/2.2, 13mm, 120˚ (ultrawide), 1/2.55" 1.4µm, "Super Steady vídeo"
      • Resolução de Vídeo (gravação)
        • UHD 8K (7680 x 4320) @24fps
        • Câmara Lenta
        • 960fps @HD, 240fps @FHD
    • Frontal 
      • 10 MP, f/2.2, 26mm (wide), 1/3.24", 1.22µm, Dual Pixel PDAF
  • Memória
    • 8 (GB)
  • Armazenamento (GB)
    • 128 GB (Disponível 101.5GB)
  • Rede
    • Dual-SIM (Nano-SIM)
  • Conectividade
    • Interface USB Tipo-C 3.2 Gen 1
    • Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac/ax 2.4G+5GHz+6GHz, HE160, MIMO, 1024-QAM
    • Bluetooth v5.2
    • NFC
  • Sensores
    • Acelerómetro, Barómetro, Leitor de Impressões Digitais, Sensor Giroscópio, Sensor Geo Magnético, Sensor de Posicionamento, Sensor de Luz, Sensor de Proximidade
  • Dimensões
    • 157.4 x 75.8 x 7.6  (AxLxP, mm)
  • Peso
    • 195 gramas


Em utilização


A redução nas dimensões do corpo (161.5 x 75.6 x 7.8 no S21+, para 157.4 x 75.8 x 7.6 no S22+), tornam este Galaxy S22+ mais pequeno e confortável de utilizar com apenas uma mão, algo que poderia afastar consumidores adeptos de equipamentos mais compactos. 

A qualidade de construção e os materiais utilizados neste Galaxy S22+ estão ao nível do que a marca Sul-Coreana tem apresentado nos seus topo de gama. A traseira, agora em vidro está bastante bem conseguida (com um toque muito agradável) e a espessura, apesar de um pouco maior que aquilo que vinha a ser habitual nos equipamentos premium, não dificulta a utilização com apenas uma mão, se bem que o formato escolhido, acaba por ser menos confortável fruto da ausência da curvatura, sobretudo na ligação à traseira. Acaba por ser uma opção que fica a meio caminho, não sendo direita, nem curva, algo que poderá ser revisto no próximo modelo, com uma opção pelo corpo sem curvatura traseira.


O botão de power está bem posicionado para uma utilização com apenas uma mão, havendo que deslizar o polegar para pressionar os botões de volume. Para os esquerdinos, a utilização será  bastante menos confortável, com o indicador a posicionar-se sobre a aresta do bloco de câmaras. Desbloquear o smartphone fica à distância de um toque no ecrã, com o sensor de impressão digital a disponibilizar um nível de desempenho superior, sendo rápido e eficaz no reconhecimento das linhas que nos identificam.



O processador é uma das grandes novidades desta série Galaxy S22. Durante anos, o mercado Europeu viu-se "limitado" aos smartphones Galaxy S com processadores Exynos. A chegada das GPU pela mão da AMD, veio inverter esta situação, com o mercado Americano a criticar o facto de a Samsung limitar estas GPU às versões com processador Exynos, permanecendo os modelos com processador Snapdragon com a habitual GPU Adreno.

Os resultados obtidos nos testes de desempenho são interessantes, com a versão Exynos a conseguir aproximar-se de um modelo equipado com processador Snapdragon 8 Gen 1. Sendo esta a primeira iteração desta colaboração Samsung-AMD, fica a curiosidade em perceber como a mesma poderá evoluir. Tendo em conta os resultados que a Apple tem vindo a apresentar, esta opção por parte da Samsung poderá muito bem constituir-se como suporte para novos produtos, com uma larga vantagem de desempenho face ao que a concorrência tem acesso.


A marca Sul-Coreana não sai contudo desta situação sem algumas criticas, pois o abrandamento de jogos e aplicações e os relatos de smartphones a arrastarem-se estão longe de ser um bom cartão de visita para os equipamentos acabados de chegar ao mercado. A situação já foi confirmada pela Samsung, com a marca a garantir a disponibilização de uma actualização que irá corrigir esta situação, algo que teve lugar em meados de Março.



Conseguiu a Samsung manter o seu Exynos dentro de limites que não comprometessem a autonomia, ou seria este um pecado semelhante ao que a Qualcomm já varias vezes cometeu?


O teste de autonomia no PCMark confirmou um bom nível de desempenho, quando comparados os valores obtidos com um smartphone equipado com o Snapdragon 8 Gen 1. O Galaxy S22+ obteve um resultado de 12 horas e 44 minutos, ligeiramente inferior ao disponibilizado pelo conjunto com processador Snapdragon de última geração, com uma bateria de 5000 mAh, algo que não abona em favor da Qualcomm. Curiosamente, o Snapdragon 888 porta-se bem melhor, conseguindo uma autonomia muito superior (15h), com uma bateria de menor capacidade (4800 mAh). Se tivermos em conta esta diferença na capacidade da bateria e extrapolando para os 4800 mAh, o Galaxy S22+ chegaria a umas hipotéticas 13,6 horas, suficiente para bater um Snapdragon 8 Gen 1 com bateria de 5000 mAh, mas ainda assim, insuficiente para um equipamento com processador Snapdragon 888 e GPU Adreno 660. Os processadores de 2022 a perderem largamente no confronto directo com o de 2021, mostrando que no teste em questão, o desempenho energético sofreu um retrocesso, ao invés de apresentar uma expectável melhoria. 


Depois de uma utilização ligeira, com 4 horas de ecrã ligado, colocar o smartphone a carregar ainda com 20 a 40% de carga, garante um dia de autonomia. Em termos práticos, poderá ser suficiente, mas um utilizador mais exigente, vai por certo sentir-se defraudado, com a redução da bateria a colocar este Galaxy S22+ em desvantagem face ao Galaxy S21+, lançado em 2021.


Com cabo e sem carregador, o Galaxy S22+ fica dependente do que já tenham em casa ou em alternativa, que estejam dispostos a adquirir, com a Samsung a comercializar um carregador que permite ir até aos 45W. 


Nos testes efectuados com carregadores de diferentes potências e marcas (que não o da Samsung), o resultado pouco variou, com a bateria a levar cerca de uma hora a completar um carregamento (~0 até aos 100%). Tendo em conta o que outras marcas disponibilizam nesta área, e ao contrário daquilo que a marca anuncia no seu site, não se pode dizer que este seja um carregamento super rápido.

O ecrã AMOLED de 6,6" com uma resolução 2340 x 1080 (FHD+) apresenta uma excelente qualidade de imagem, com tons fortes e quentes, um verdadeiro deleite à vista, que surge complementada com o suporte de um sistema de som com bons níveis sonoros, isto apesar da coluna secundária ser manifestamente inferior à principal.


Nota negativa para o vidro que protege o ecrã, com a tecnologia Corning Gorilla Glass Victus+ a continuar a ser mais marketing que outra coisa, facto comprovado pelos riscos ao fim de duas semanas de utilização, isto com extremo cuidado, não colocando o smartphone em locais com outros produtos potencialmente "perigosos". Uma capa para protecção do ecrã é, por isso, altamente recomendada.

Outro aspecto a considerar, prende-se com o sistema de som. Durante as chamadas, em diferentes locais, por diversas vezes referiram que não me conseguiam ouvir bem, algo que não se passa com outros equipamentos, nos mesmos locais. Este poderá ser um caso isolado, mas caso estejam a considerar a compra do equipamento, é algo que deverá ser aprofundado, antes de efectuarem a aquisição.


A interface OneUI, agora na versão 4.1 corre sobre Android 12, mas de uma forma subtil, sem os exageros que acompanhavam o TouchWiz (que não deixou saudades). 


O bloatware que outrora asfixiava os smartphones da Samsung, surge agora mais comedido, estando limitado a cerca de 10 apps que o utilizador, na grande maioria, não consegue desinstalar, restando-lhe a opção as desactivar.



Na configuração inicial, é possível dispensar a instalação de uma palete e meia de aplicações, sendo que deverão ter atenção a pelo menos uma delas, pois se não instalarem a calculadora que a marca oferece, terão de recorrer ao Google Play, para instalar uma aplicação para esse efeito. 


Mesmo dispensando a totalidade das aplicações, vão ter sempre vários serviços Samsung a correr, quer os utilizem, ou não...


A integração com o Android 12 teve o condão de integrar as novidades apresentadas pela Google, com destaque para a gestão de temas e cores, dando ao consumidor a possibilidade de configurar o smartphone a seu gosto, ao mesmo tempo que continua a ser possível utilizar a loja da marca Sul-Coreana para adquirir temas, fundos, ícones e layouts para o ecrã de bloqueio.




Nota máxima para as actualizações, pelo menos do que diz respeito a esta série Galaxy S22 e a outros equipamentos premium, com a Samsung a fazer a própria Google corar de vergonha, ao oferecer até quatro actualizações do Android e OneUI, com as actualizações de segurança a terem direito a mais uma (5 no total).


As câmaras



A escolha de sensores foi a mais consensual, com um trio wide, telephoto e ultra-wide, a disponibilizarem, na maioria das vezes, resultados de excelente qualidade. O sensor principal passou dos 12MP para 50MP, com a possibilidade de criar uma imagem, com base na junção do conjunto de quatro pixels em um. Esta tecnologia, em conjunto com a dimensão do sensor, o vidro "Super Clear" (redução dos reflexos) e o software de processamento de imagem (Nightography), possibilitam uma melhoria de qualidade da captura de imagem e vídeo em ambientes pouco iluminados, ainda que inferior ao que a Google apresenta nos Pixel. De referir que nos locais com menos luz, a câmara tem a habitual tendência para puxar pelo brilho, distorcendo os tons, para garantir mais detalhe.

Samsung Galaxy S22+

O zoom óptico de 3X permite bons resultados, mas a partir daí, até às 30X é sempre a descer, com os resultados a serem questionáveis. A imagem de apoio ao zoom facilita de sobremaneira o posicionamento da câmara, sendo um auxiliar bastante útil, se bem que, sem impacto na qualidade da imagem.


A interface da aplicação da câmara está em linha com o que a Samsung tem vindo a apresentar, com uma secção de atalhos à esquerda, modos de fotografia , atalho para fotos, botão de disparo e alternar câmara à direita. O sempre útil enquadramento para o zoom, surge em cima à esquerda, quando recorrem a um zoom mais elevado.

Apreciação final

 

A série Galaxy S22 surge na continuação de um regresso ao passado, com a Samsung a optar por abandonar as linhas mais curvas. O ecrã plano e a traseira com uma curvatura muito menos acentuada, levam a que a margem lateral pareça maior do que efectivamente é, opções que acabam por ser menos confortáveis, durante uma utilização mais prolongada do equipamento.

Em termos de desempenho, pelo que foi possível observar ao longo do período de análise, a dupla Exynos 2200 / Xclipse 920 mostrou-se competente em termos de desempenho. A autonomia é talvez o ponto menos conseguido. Numa utilização com 3-4 horas de ecrã, a bateria de 4500 mAh será suficiente para chegar ao final do dia, mas caso puxem mais pelo equipamento, poderão ter de o carregar a meio do dia, algo que não seria expectável num smartphone topo de gama.

As câmaras disponibilizam bons resultados na maioria dos cenários, mas com a tendência para puxar pelo brilho, algo que acaba por distorcer as cores (gostos). O modo Nightography ainda está a dar os primeiros passos, ficando aquém do esperado. Tratando-se de uma funcionalidade assente em software, é de esperar que a Samsung consigo apresentar melhorias significativas neste campo.

Em termos globais, o Galaxy S22+ é uma opção segura para quem procura um smartphone no segmento premium. Não desaponta em termos de desempenho e a longo prazo, com as actualizações até 5 anos (4 updates do Android), a serem garante de longevidade, onde só a bateria poderá vir a comprometer a longo prazo, fruto da esperada degradação, resultante de meia década de utilização. Pode ser encontrado na Amazon Espanha com preço na ordem dos 980 euros.


Samsung Galaxy S22+
Quente
Prós:
  • Ecrã
  • Qualidade de construção
  • Actualizações
Contras:
  • Autonomia
  • Falhas nas chamadas de voz
  • Formato lateral questionável


Samsung Galaxy S22+

Quente (4/5)

1 comentário:

  1. Desculpem mas dúvido completamente da resistência do ecrâ.
    "...facto comprovado pelos riscos ao fim de duas semanas de utilização, isto com extremo cuidado, não colocando o smartphone em locais com outros produtos potencialmente "perigosos..."

    Certo!

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