2017/06/20

Análise ao Xiaomi Mi 6

A Xiaomi é uma marca que conseguiu diferenciar-se das demais marcas chinesas e conquistar uma legião de fãs por todo o mundo, e o seu novo Mi6 é mais um dos seus smartphones de sonho que o nosso Luis Costa fez questão de testar.


O Mi 6 é o novo topo de gama da Xiaomi, um smartphone que se segue aos Mi 5 e Mi 5s, equipamentos que tiveram (e ainda têm) um assinalável sucesso por todo mundo. Este Mi 6 é uma evolução dos anteriores modelos, apresentando um design mais refinado a que se junta um hardware de topo que lhe garante o lugar cimeiro em muitos testes de desempenho.

A marca Xiaomi é nesta altura sobejamente conhecida, não estando apenas do radar dos geeks, como demonstram as lojas físicas que vemos proliferar de norte a sul do país. Apesar de a marca não ter representação no ocidente, os smartphones e tablets da Xiaomi vão chegando até nós quer por estas lojas (embora a preços inflacionados) quer através das lojas online, como é o caso da Honorbuy, que nos estendeu o convite para testar o Xiaomi Mi 6.

Curiosamente, este acabou por ser o meu primeiro contacto com um Xiaomi e a interface MIUI ,que acompanha os equipamentos desta marca. Há muito que estava para testar um smartphone Xiaomi, tendo o Redmi Note 3 Pro e os Mi 5 e 5s estado no meu radar, mas por uma razão ou por outra, só agora se deu este frente e logo em grande estilo, diga-se.


O Xiaomi Mi 6



A Xiaomi opta por um empacotamento económico, sem lugar a grandes luxos. Dentro da caixa de cartão encontramos o smartphone, um manual de instruções que também traz acoplado o clip para abrir o compartimento do cartão SIM, um cabo USB Type-C e o carregador. Este é capaz de carregar o smartphone a 5V/3A, 9V/2A ou 12V/1.5A, valores que estão dentro do definido pela especificação Quick Charge 3.0 da Qualcomm. A capa de silicone, apesar de simples, é bastante útil para proteger o equipamento, pois pode ter tendência para escorregar.

Uma nota ainda para a presença de um adaptador USB-C para ficha de headphones de 3.5mm, algo que pretende minimizar o impacto da sua ausência no corpo do smartphone. Este acaba por ser um dos poucos pontos negativos a apontar ao Mi 6, pois embora a tendência seja de abdicar desta ficha, ainda há muitos utilizadores que não a dispensam - e dizer que esta medida permitiu aumentar a capacidade da bateria, acaba por parecer uma desculpa de última hora que não irá convencer o consumidor.


Em termos de design, o Mi 6 não apresenta nenhuma novidade, mas tendo em conta que estamos a falar da Xiaomi, este aspecto não é surpreendente. Para termos inovação, teremos de olhar para o Mi Mix, esse sim um equipamento que iniciou uma nova tendência com um ecrã sem margens. O Mi 6 acaba assim por ser uma feliz mistura de conceitos, com um ecrã 2.5D, laterais curvas para melhor encaixe na mão e uma traseira em vidro (ou cerâmica), que transmite ao conjunto um toque de requinte.


Do lado direito do smartphone encontramos os botões de power e volume. Do lado oposto, apenas o slot para os cartões nano-SIM, não sendo possível instalar um cartão microSD.



Em cima, um microfone e o sensor de infra-vermelhos, em baixo, as grelhas para saída de som, com a porta micro USB Type-C a aparecer no meio destas.



Na frente, em cima, a câmara frontal, uma grelha para o som da coluna frontal e o led de notificações, à direita. O destaque vai para o sensor de impressão digital, que aparece em baixo, embutido no vidro frontal. De cada lado, dois botões touch para as acções de voltar e menu, podendo o utilizador definir qual a utilização para cada um dos botões.


A traseira, neste caso em vidro, apresenta em cima à esquerda o flash e a dupla câmara traseira e na zona inferior o logótipo da marca e algumas informações técnicas. Se não utilizarem uma capa, as dedadas na traseira vão acabar por ficar marcadas, mas nada que uma passagem pelo bolso das calças não resolva.

Em termos de hardware, o Mi 6 tem um ecrã de 5.15" com resolução Ful lHD 1080 x 1920 pixels (428 pixels por polegada). Numa altura em que as grandes marcas apresentam um ecrã QHD, a Xiaomi (a par da OnePlus) mantém-se fiel ao Full HD que continua a ser mais que suficiente para a esmagadora maioria dos utilizadores. O ecrã do Mi 6 tem uma excelente qualidade de imagem, com elevado detalhe e cores fortes. A Xiaomi disponibiliza um ecrã com 600nits de brilho máximo, o que possibilita uma utilização no exterior sem preocupações com a luz solar. Por outro lado, 1nit como brilho mínimo é excelente para uma visualização nocturna, em ambientes pouco iluminados.

O Qualcomm MSM8998 Snapdragon 835, um Octa-core com 4x2.45 GHz Kryo & 4x1.9 GHz Kryo, é nesta altura um dos melhores processadores para o mercado mobile, batendo-se de igual para igual com o Exynos 8885 e o Kirin 960, pelo que poderão contar com um desempenho de elevada qualidade. Tem 6GB de RAM e o armazenamento tem duas opções, 64GB ou 128GB, o que acaba por compensar a ausência do cartão microSD.

As câmaras traseiras têm 12MP (27mm, f/1.8, OIS 4-eixos & 52mm, f/2.6), acompanhadas de um duplo flash led. A frontal tem "apenas" 8MP e grava vídeo a 1080p, ao passo que as traseiras vão até a 4K. A bateria tem 3350mAh, suficiente para um dia de utilização sem grandes preocupações.


Em utilização



A utilização de um smartphone Xiaomi fica naturalmente marcada pela interface MIUI. Esta situação recorda-me a Huawei e a sua EMUI, a qual tem vindo a evoluir de forma bastante interessante. No caso da MIUI, neste momento na versão 8, há pormenores interessantes, mas é clara a opção pelo mercado oriental, sendo esta opção compreensível pois a Xiaomi ainda não está disponível de forma oficial (smartphones) no Ocidente.

Não que a MIUI não seja interessante, é apenas... diferente. O pacote de apps de que se faz acompanhar é que é altamente dispensável, sendo possível desinstalar algumas delas. Pelo lado positivo, as constantes actualizações que a Xiaomi vai disponibilizando, algo que não tem igual nas outras marcas.

Quando testei o Mi 6, ainda não havia uma ROM Global (oficial) para o Mi 6, pelo que para utilizarem o Google Play, tivede efectuar a sua instalação de forma manual. Actualmente, já podem instalar esta ROM Global, para terem acesso aos serviços da Google.


O processador Snapdragon "apenas" tem de  alimentar um ecrã Full HD, pelo que desempenha esta missão com facilidade. Os 6GB de RAM garantem que se possa correr várias apps pesadas sem preocupações e o armazenamento está ao nível do melhor que já testei, com a instalação dos jogos e apps a ser bastante rápida.

O Mi 6, fruto do seu reduzido tamanho e graças ao formado curvo das laterais, acaba por ser um equipamento bastante conformável, podendo ser utilizado com apenas uma mão. A utilização de uma capa é altamente recomendável, pois o equipamento acaba por ser algo escorregadio, e ver a traseira de vidro a cair no chão, não deve ser nada simpático.





As câmaras



A Xiaomi não quis ficar para trás na corrida à dupla câmara traseira e apresenta neste Mi 6 um conjunto de câmaras com 12MP (27mm, f/1.8, OIS 4-eixos & 52mm, f/2.6), uma com grande abertura e outra telephoto. O modo retrato, permite obter um efeito bokeh com o fundo desfocado, algo que é sempre interessante para umas fotos cheias de estilo. O zoom 2X será por certo útil quando não for possível uma aproximação à zona a fotografar.

A interface é bastante simples de utilizar, estando dividida em três zonas. Na parte superior, flash, modo retrato e HDR, na zona inferior, filtros, zoom, modos de fotografia e mudança entre câmara frontal e traseira. Na parte inferior, acesso às fotos e vídeos, botão de disparo e alternância entre fotografia e vídeo.

A velocidade de focagem talvez seja o ponto menos conseguido, mas não serão uns milissegundos que farão grande diferença no resultado final das fotografias.



Mi 6 vs Mate 9

Comparando as fotografias na mesma situação, o Mi 6 consegue igualar os resultados do Mate 9, havendo situações em que se obtém mais algum detalhe nas fotos com o Mi 6.



Mi 6 vs Mate 9

Numa situação com pouca luz, o Mi 6 surpreendeu, ao conseguir um resultado bastante interessante, com muito pouco ruído. Quem optar pela compra deste Mi 6 da Xiaomi, tem garantido um bom conjunto de câmaras, capaz de proporcionar excelentes resultados.


Apreciação final



Este Xiaomi Mi 6 é o resultado de uma evolução que os equipamentos da marca têm vindo a apresentar. Estamos na presença de um equipamento que está ao nível dos melhores em termos de desempenho, disponibilizando uma experiência de utilização sem lugar a atrasos. Há no entanto que estar preparado para utilizar a interface MIUI, a qual difere bastante do Android que a Google disponibiliza. Para terem acesso ao Google Play terão que instalar o firmware Global, ou em alternativa optar pela aquisição do smartphone com este já instalado.

A terminar, os nossos agradecimentos à Honorbuy pela disponibilização do Mi 6 para análise. De referir, para os interessados, que esta loja disponibiliza o Mi 6 através do seu armazém europeu, pelo que ficam salvaguardados os tão desagradáveis problemas de alfândega e atrasos nas entregas. Nesta altura, com os portes incluídos, poderão comprar este Mi 6 com 64GB de armazenamento por 460€, com entrega a ser efectuada em 2 a 5 dias úteis.

Quem simpatizar com a interface MIUI, ou não tiver problemas em conviver com esta, tem neste Mi 6 um smartphone de grande qualidade, com excelente qualidade de construção e um desempenho de elevada qualidade. Tudo isto, por um equipamento bem abaixo dos 500€, algo que é não é fácil de encontrar em outras marcas. Se estão confortáveis com estas limitações, então este é um smartphone que devem ter na vossa short list.


Face ao acima referido, consideramos que os aspectos positivos acabam por se sobrepor às questões do firmware, não devendo por isso penalizar a avaliação do equipamento, que é merecedor de um muito desejado "Escaldante".



Xiaomi Mi 6 

Escaldante

Prós
  • Desempenho de topo
  • Excelente qualidade de construção
  • Confortável em utilização

Contras
  • Interface MIUI não é para todos
  • Corpo tem tendência a escorregar

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Sim, mas fora dos grandes centros urbanos pode cair para o 3G. É a questão da banda 20 como referido no comentário anterior.

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  2. Respostas
    1. Esta versão "China" não, mas a Global já tem nas versões beta.

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