2018/05/17

Localização dos utilizadores é "bomba relógio" prestes a rebentar


No outro dia falamos como os operadores de telecomunicações estão a vender os dados de localização dos utilizadores, mas este problema é bem mais vasto e preocupante, e há quem esteja a tentar alertar o público para o potencial escândalo de privacidade a que estão alheios.

Se nada se pode fazer quanto ao tracking feito pelos operadores (a não ser retirar a bateria ao smartphone) ou aplicar mais restrições ao que podem fazer com os dados recolhidos dos utilizadores; a coisa não está muito melhor quando passamos para o tracking que pensamos ser consensual.

Quando se usa um smartphone com os serviços de localização activados - o que não é feito em segredo, e nos dá vantagens como poder saber onde ele está, no caso de ser roubado, ou de criar um histórico da nossa localização - estamos plenamente conscientes de que esses dados estão a ser recolhidos pelo serviço respectivo, quer seja a Google (no caso dos Android), a Apple (no caso dos iPhones), ou outro qualquer serviço terceiro que providencie algo idêntico. No entanto, há quem alerte para que estes dados de localização também são partilhados, por obrigação contratual, com o fabricante do equipamento, o fornecedor do hardware do mesmo, e até o fabricante dos chips GPS.

Estes dados são supostamente "anonimizados" mas, mas como já foi demonstrado por diversos investigadores ao longo dos anos, esses dados continuam a poder ser utilizados com facilidade para identificar indivíduos, com base nos padrões de onde moram, onde trabalham, e que sítios frequentam. E é precisamente isso que está a ser feito a uma escala sem precedentes, a centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, diariamente - segundo este "whistleblower" e outras pessoas que dizem trabalhar "no ramo".



Estes dados traduzem-se directamente em dinheiro, ao permitir fazer análises detalhadas de mercado (com facilidade se pode estimar se uma determinada zona comercial está a ter a afluência pretendida); mas também permitem todo o tipo de cenários sombrios... permitindo identificar pessoas que estiverem numa manifestação ou outro tipo de eventos, e ir compilando um perfil social de cada utilizador, mesmo que este nunca sequer tenha posto os pés numa rede social (se mora na área X, trabalha na empresa Y, visita os restaurantes Z e vai às lojas W... a par de tudo o resto que visite, como escolas dos filhos, etc.) e que nos faz pensar se realmente não serão coisas que não estaríamos dispostos a partilhar... Não esquecendo, como referido no início, que mesmo que não se queira utilizar estes serviços ou se desligue o GPS, o mesmo poderá ser feito, com precisão um pouco reduzida, pelos dados recolhidos pelos operadores.

Esperemos que com a atenção redobrada dada aos nossos dados devido ao RGPD/GDPR, esta situação venha a ser clarificada... mas não me parece que seja fácil, já que vai mexer em áreas que movimentam "biliões" e que têm interesse em manter o acesso a estes dados.

7 comentários:

  1. Vivemos num tempo extraordinário. Se isso tem um preço? Claro. Trocaríamos tudo o que temos para não ter que pagar esse preço? Julgo que não.

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  2. Gostei foi da utilização do sensor de pressão para saber em que piso estamos (no caso falava-se do Android e da Google, mas não será caso único).

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  3. É o big brother, Salvado Fernandes, a questão não é trocarmos é definir regras de privacidade, sei que as empresas na área movimentam biliões, mas alguém tem de ter a coragem de parar com isto.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. É um mundo assustador sem duvida...essas empresas que procuram lucrar milhões só pensam nisso mesmo ganhar milhões com a "inocência e ingenuidade" de muitos (a maioria?)...explorar a privacidade das pessoas de tal forma que chega a ser desumano, é a sensação de poder que os alimenta no fim de contas é sempre o "mais e mais".

    Gostava de saber como é que se pode impedir disto acontecer? Muitas vezes existe uma revolta e um sentimento de querer mudar porque "é errado" mas no final...como? como é que alguém dito normal consegue mudar isto? É assustador nao me ocorre mais nada...

    Se não me engano na China e Índia já existe um sistema de video que monitoriza os utilizadores de tal forma que basicamente alguns são proibidos de usar determinados transportes públicos, porque existem multas a pagar ou infrações, e ajudar a policia a encontrar pessoas...e claro certamente outras coisas que nem nos passa pela cabeça.

    http://www.businessinsider.com/china-facial-recognition-technology-works-in-one-second-2018-3

    http://www.bbc.com/news/world-asia-china-43751276

    http://www.bbc.com/news/world-asia-india-42575443

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  6. Espero que a UE caia em cima desta máfia com mão pesada!!
    Quanto aos USA...a privacidade de cada um, é das empresas...triste!

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  7. Ainda tenho ali o velhinho 3210 :P

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