2018/11/11

Quanto tempo dura um smartphone com ecrã dobrável?

Recentemente ficamos a conhecer aquele que, tecnicamente, é o primeiro smartphone / tablet com ecrã dobrável a ser comercializado - o Royole FlexPai - e embora se trate claramente de um produto de primeira geração, será interessante avaliar a longevidade que dele se poderá esperar.

Em primeiro lugar importa relembrar que este FlexPai está longe de ser um produto à altura do que se imagina ser um produto com ecrã dobrável: o ecrã apresenta "rugas" quando está a ser aberto; o software, pelos relatos que chegam de quem o experimentou, faz com que muitas apps sejam lançadas acidentalmente pelo simples acto de se segurar no dispositivo, etc. etc. É o tipo de coisas que caracteriza um produto "protótipo", mas que se tornam inevitáveis no processo evolutivo que, eventualmente, nos trará produtos com ecrãs dobráveis funcionais.

Mas vamos ignorar estes aspectos, para nos focarmos naquele que será o mais característico neste dispositivo: o número de vezes que se poderá abrir e fechar o ecrã.

A Royole diz que o ecrã do FlexPai poderá ser dobrado 200 mil vezes. Ora, para efeitos de referência, se apenas se abrir o FlexPai uma única vez por dia, temos um dispositivo cujo ecrã aguentaria mais de 5 séculos(!) de funcionamento. Mas, mesmo não se sabendo ainda que tipo de uso seria dado a um equipamento deste tipo, podermos tentar inferior o pior cenário possível.

Há alguns anos, um estudo indicava que os utilizadores desbloqueavam os seus smartphones cerca de 80 vezes por dia, em média. Vamos arredondar isto para as 100 vezes por dia; e vamos também considerar que os utilizadores iriam abrir o ecrã todas estas vezes (o que não será provável acontecer, pelo menos neste tipo de aparelho em que os ecrãs continuam visíveis por estarem dobrados "para fora" - o caso seria diferente no caso de ficarem dobrados "para dentro", a não ser que existisse um ecrã adicional no exterior). Assim, mesmo que se abrisse e fechasse o ecrã 100 vezes por dia, seria capaz de suportar quase 5 anos e meio de utilização intensiva.


Portanto, em termos de resistência à dobragem... não será por aí que os utilizadores terão que se preocupar com os ecrãs dobráveis; e não nos podemos esquecer que esta tecnologia irá seguramente melhorar de ano para ano, fazendo com que - à semelhança do que aconteceu com a longevidade dos ecrãs OLED - deixe de ser um "problema" com que nos tenhamos que preocupar.

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