2019/12/23

Protecção Civil dispensou SMS de alerta por considerar que não eram eficazes


Depois de ter gasto quase 1 milhão de euros com os operadores num contrato para o envio de SMS de alerta às populações, a Protecção Civil considerou que os recentes eventos de cheias não justificavam a sua utilização, dizendo que havia outros métodos "muito mais eficazes" para alertar as populações.

Portugal continua algo "perdido" quanto à forma como deve lidar com situações climatéricas adversas, a as cheias causadas pela tempestade Elsa voltam a demonstrar essa incapacidade. Desta vez, o tão defendido (por alguns) sistema de envio de alertas por SMS - que custou cerca de 1 milhão de euros - nem sequer foi activado, aparentemente devido à falta de pessoal (estaria a pessoa responsável por essa tarefa em férias?) mas também com a desculpa de que existem "meios muito mais eficazes" para alertas as populações.

A questão é que, independentemente de se efectuarem esses alertas por todos os demais meios, o envio de alertas para os telemóveis nas zonas de maior perigo continuaria a fazer sentido como medida de alerta adicional - e é precisamente para isso que se pagou 900 mil euros às operadoras nacionais. Mas numa coisa podemos concordar, os SMS não são de facto o meio mais eficaz, e todo este episódio volta a relembrar a necessidade de se repensar o sistema e reconsiderar a utilização do "Cell Broadcast" para esta função!



As mensagens Cell Broacast são usadas num número crescente de países para o envio de mensagens de alerta de todos os tipos, incluindo tempestades, e têm evoluído no sentido de se tornarem ainda mais direccionados para zonas geográficas com maior precisão - e nem vamos falar na questão dos alertas via SMS poderem ser falsificados com extraordinária facilidade.

Visualmente pode parecer um mero SMS, mas ao contrário destas as mensagens Cell Broadcast podem chegar a milhões de pessoas em segundos (um teste na Holanda fez chegar uma mensagem a 13.7 milhões de pessoas, 90% da população, em menos de 10 segundos!) - e nem sequer necessitam que um telemóvel ou smartphone tenha um cartão SIM instalado para serem recebidas (ou que tenha um tarifário activo com a mensalidade paga).

Efectivamente, a Protecção Civil está correcta ao dizer que os SMS não são eficazes... deveria era ter chegado a essa conclusão antes de ter oferecido 1 milhão de euros às operadoras nacionais para usar esse método para o envio de alertas, e exigido a utilização do Cell Broadcast para isso.

1 comentário:

  1. Este artigo é estranho.
    Não interessa puxar o assunto do Cell Broadcast, um sistema que não foi escolhido, quando nem sequer utilizam o sistema que escolheram, contrataram e pagaram.

    A ProCiv não quer saber disso para nada.

    ResponderEliminar

[pub]