2020/07/27

Análise ao Lenovo ThinkBook 15-IML

O Lenovo ThinkBook carrega consigo o peso da tradição dos ThinkPad, e o nosso Luis Costa conta-nos que tal se comporta este portátil da Lenovo.


No mundo da informática há alguns ícones que atravessam décadas de história acompanhando os utilizadores no dia-a-dia. Os ThinkPad são disso exemplo, transportando consigo a nostalgia de uma IBM de tempos idos, conseguindo trazer até à actualidade as linhas que marcaram os portáteis a que ninguém fica indiferente.

O sector empresarial acaba por ser o principal alvo da linha ThinkPad, com muitas empresas a apostarem nesta linha para equipar o seu parque informático. O mercado de consumo tem por norma outras tipologias de produto mas a Lenovo acredita que haverá neste segmento de mercado quem esteja interessado em utilizar um equipamento inspirado nos ThinkPad, tendo para isso criado uma nova linha cuja designação que não deixa margem para dúvidas: ThinkBook.

O ThinkBook 15-IML


O plástico cinza claro domina o portátil, com a tampa e a zona do teclado a apresentarem esta tonalidade que facilmente imita o metal. Já o mesmo não se pode dizer da moldura interior do ecrã e da traseira do corpo, com um tom mais escuro, que não consegue transmitir a mesma sensação de qualidade e robustez. Uma acção mais forte nas extremidades dá origem a alguns estalidos que não inspiram muita confirança quanto à sua durabilidade.


As margens do ecrã, não sendo reduzidas, acabam por não ser exageradamente grandes, com 8mm na lateral e um pouco mais na margem superior (14mm). A margem inferior, tal como em outros modelos no mercado, continua a ser que apresenta maior dimensão (20mm), que acaba assim por não ter outra utilidade prática que não dar mais alguns centímetros à zona para apoio das palmas da mão.


O corpo apresenta três zonas distintas. Em cima, à direita, o botão de power com sensor de impressão digital incluído.


Em baixo, descentrado para a esquerda, o touchad. Ao centro, o teclado retroiluminado (dois níveis de brilho) com teclado numérico incluído e teclas de função partilhadas.


Em termos de portas, na lateral esquerda encontramos uma entrada ficha áudio de 3,5mm, uma porta USB 3.1 Gen 2 Type-C (USB + DisplayPort + Power Delivery), uma porta USB 3.1 Gen 1 Type-C, uma porta USB 3.1 Gen 1 Type-A (com always-on), porta HDMI e uma porta RJ45 low profile. Nesta lateral, encontram-se ainda os LEDs de estado da bateria e actividade do disco.



Na lateral direita temos o leitor de cartões 4 em 1 (SD, SDHC, SDXC, MMC), uma porta USB 3.1 Gen 1 Type-A, porta para ligar o carregador e uma entrada para Kensington lock. Ao lado da porta para carregamento temos também um LED de estado para assinalar o mesmo.



Nesta zona encontra-se ainda um porta USB 2.0 Type-A que está escondida no corpo, ideal para um receptor de sinal para rato sem fios, ou uma pen low profile.



A traseira apresenta dois pés de borracha e uma barra no mesmo material para garantir a estabilidade do equipamento. Ao longo de quase toda a largura, duas filas de grelhas para saída de ar. Nas extremidades, mais duas pequenas zonas de grelhas, para saída de som.



Este portátil conta com um processador Intel até i7-1065G7 (1.30GHz, máximo 3.90GHz com Turbo Boost, 4 Cores, 8MB Cache), ecrã IPS mate de 15,6" com resolução FHD (1920x1080), até 16GB DDR4 2666MHz, SSD PCIe-NVMe M.2 até 512GB, WiFi 802.11AC (2 x 2), Bluetooth 5.0 e uma bateria de 45W que suporta carregamento rápido. Mede 364mm x 245mm x 18.9mm e pesa 1,8Kg.



A webcam 720p HD apresenta um pormenor simples, mas muito prático e interessante, com um elemento deslizante a permitir ocultar a câmara manualmente e garantir a privacidade sem receios de fazer partir o ecrã.


Em utilização


O ecrã apresenta uma generosa dimensão se bem que apenas com resolução Full HD. O detalhe de imagens e texto acabam por ser penalizados, sobretudo a curta distância. O ângulo de visão lateral é inferior ao habitual, mas este facto acaba por não ter grande influência com a utilização a ser maioritariamente efectuada com o ecrã em posição frontal. Os 250nits de brilho permitem uma visualização confortável, mesmo em ambientes com luz solar, com o acabamento mate do ecrã a mostrar a sua mais valia nestas situações.


O processador Intel i7-1065G7 de 10ª geração tem uma velocidade máxima de 3,9GHz, mas em se puxarem muito pelo mesmo a velocidade irá baixar drasticamente após alguns segundos, acompanhado pelo sistema de arrefecimento a fazer-se ouvir de forma bem audível. Infelizmente, esta começa a ser uma prática transversal a muitas marcas...


Numa utilização "portátil" as ventoinhas não se fazem ouvir, isto a menos que estejam a executar tarefas que puxem pelo processador. Para uma utilização normal, ao consultar sites ou redes sociais, o sistema é perfeitamente silencioso, não perturbando a utilização do equipamento. Esta situação deve-se ao facto de o processador apenas necessitar de funcionar a uma frequência inferior a 1000MHz, marca suficiente para que o ThinkBook apresente uma boa capacidade de resposta, sem que tenha de puxar pelo sistema de arrefecimento.


O SSD PCIe-NVMe M.2 com 512GB esteve ao nível do que se espera de uma unidade de topo, disponibilizando ~3.4/2.9 GB/s em leitura/escrita. Não será por este elemento que haverá lugar a qualquer quebra de desempenho.

O botão de power incorpora um sensor de impressões digital, elemento que se revela extremamente útil para desbloquear o portátil sem que para isso exista necessidade de recorrer à câmara frontal ou introdução de uma password. De referir que a leitura da impressão digital é feita aquando do toque para ligar o equipamento, não havendo necessidade de efectuar um segundo toque para a referida leitura.



O teclado tira partido da quase totalidade da largura que as 15,6" do ThinkBook proporcionam, tendo a Lenovo aproveitado este facto para incluir um teclado numérico do lado direito do teclado. Este elemento que em determinados cenários se revela extremamente útil tem no entanto um impacto negativo no teclado, levando a que este fique descentrado para a esquerda.

Se numa mesa este aspecto poderá ser minimizada pelo posicionamento do utilizador, o mesmo já não acontece se trabalharem com o portátil sobre as pernas, situação em que o braço direito ficará numa posição menos confortável. Desta forma, a eficiência de escrita sairá afectada e será necessário um período de adaptação mais prolongado.

O curso das teclas permite uma excelente cadência de escrita, a qual poderia ser ainda mais eficiente com teclas um pouco maiores - algo que seria possível abolindo o teclado numérico.



A retro-iluminação do teclado está limitada a dois níveis. É activada através da pressão da tecla de função em conjunto com a barra de espaços. O primeiro nível é demasiado forte quando comparado com o segundo nível, diferindo pouco em termos de intensidade. Um terceiro nível, com menor brilho e um reajustamento dos outros dois, disponibilizaria um leque mais variado (e interessante) de opções para o utilizador.



O touchpad, não sendo grande, apresenta uma dimensão suficiente para uma utilização confortável, permitindo a correcta execução dos gestos que o Windows 10 disponibiliza. Apresenta um bom nível de sensibilidade ao toque mas, na execução de gestos com três ou mais dedos, por vezes o gesto não é detectado na primeira execução.



A bateria de 45W carrega efectivamente de uma forma rápida e, além do carregador de 65W que acompanha o portátil, é possível utilizar um outro carregador com um cabo USB-C para o mesmo efeito.




De referir que este processo vai depender da capacidade do carregador e qualidade do cabo utilizado, sendo que no caso de carregadores mais fracos poderá dar-se o caso de o carregador só conseguir carregar o portátil com este desligado. Com um carregador de 60W já será possível carregar e utilizar o portátil em simultâneo.

Com 1,8Kg, este portátil não é propriamente leve, sendo no entanto transportável com facilidade, acabando por não se fazer notar muito o seu peso.



Em termos de autonomia o comportamento não é brilhante. O ThinkBook obteve uma média de 5h-6h de autonomia, algo que acaba por ficar aquém das 7h que permitem um dia de trabalho sem preocupações. Tendo em conta o facto de que, na maioria das vezes, o processador esteve a funcionar abaixo de 1GHz, esperava-se uma autonomia superior. Curiosamente, o brilho do ecrã acabou por ter uma influência inferior ao esperado no tempo de utilização, com o brilho no máximo a só perder cerca de uma hora, face a uma utilização com 60% de brilho no ecrã.



A terminar este bloco, uma nota positiva para a ausência de bloatware, com a Lenovo a centrar as suas ferramentas e funcionalidades em apenas uma aplicação (Lenovo Vantage), ficando a sua utilização à consideração do utilizador.

Apreciação final



O peso da herança dos ThinkPad coloca desde logo bem alta a fasquia para este ThinkBook 15, com este a ficar um pouco aquém em alguns aspectos, saindo assim o equipamento penalizado na sua avaliação. O plástico domina a construção do portátil, sendo minimamente robusto, mas sem que evite alguns estalidos quando há solicitações mais fortes, algo que no entanto não deverá acontecer numa utilização sem excessos.


O ecrã tem um ângulo de visão bastante limitado, algo que no entanto não prejudica a visualização do utilizador, desde que este esteja bem centrado face ao ecrã. Os 250 nits são suficientes para permitir uma utilização em ambientes com forte luz solar, desde que não incida directamente ao ecrã. Já o SSD apresenta um desempenho bastante interessante, com velocidades que irão garantir suporte às acções de leitura e escrita, sem lugar a atrasos, algo que de resto era expectável numa unidade PCIe NVMe.

O processador acaba por ser um desilusão, com a Intel a avançar com velocidades estonteantes das quais, na prática, não se consegue tirar partido a não ser momentaneamente. Processamento intensivo mais demorado irá fazer com que o CPU reduza a velocidade para níveis que permitam manter as temperaturas dentro dos valores aceitáveis - o que acaba por ser difícil de aceitar numa unidade de topo.

O ThinkBook 15-IML é um equipamento equilibrado, ao qual faltam elementos que permitam a sua diferenciação de outros produtos no mesmo segmento de mercado, saindo desta análise com um "Morno". Actualmente no mercado, podem encontrar a versão ThinkBook 15-IML por um preço na casa dos 1000€. As versões como Intel i3 e i5 encontram-se disponíveis por valores bem mais simpáticos, a começar nos 600€.



ThinkBook 15-IML

Morno

Prós
  • Prestação do SSD PCIe
  • Ocultação da Webcam

Contras
  • Layout do teclado
  • Underclock frequente do CPU



Lenovo ThinkBook 15-IML

Morno (3/5)

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