2021/02/16

Computadores escolares "oferecidos" não podem ser usados para diversão

O programa de "oferta" de computadores aos alunos pode ser um passo positivo, mas vem associado a um conjunto de condições que o torna restritivo ao ponto de fazer com que muitas pessoas que deles poderiam beneficiar os tenham que recusar.

É fim-de-semana, e após uma semana de estudos, um aluno acha que seria boa ideia descansar um pouco jogando um jogo no seu portátil. O problema é que, se o fizer, já estará a violar o contrato que rege a oferta do portátil, que na verdade não é uma oferta mas apenas um empréstimo, já que tem que ser devovido no final do ciclo.

As condições para usufruir deste programa são de tal forma restritivas que a Associação D3 Defesa dos Direitos Digitais recomenda a recusa da "oferta".
  • É proibido instalar qualquer programa (ou hardware), salvo programas exclusivamente para fins do processo de ensino previamente fornecidos ou autorizados pelo Ministério ou Director.
  • É proibido o computador sair de casa ou da escola, salvo para fins de aprendizagem ou quando autorizado pelo Ministério ou Director.
  • O computador tem de ser devolvido no final do ciclo de estudos.
Mesmo que se possa aceitar que um portátil ou tablet cedido pela escola devesse ser devolvido no final do ano (ou de um ciclo escolar de vários anos), no mínimo deveria ser dada maior amplitude aos alunos (ou pais) sobre aquilo que podem fazer com ele. É certo que se trata de uma ferramenta escolar, mas porque motivo não deverá poder ser usado também para outras actividades que permitam ao aluno divertir-se ou expandir os seus conhecimentos?

Tendo em conta que actualmente já podemos encontrar tablets funcionais por cerca de 100 euros ou pouco mais, ou portáteis por menos de 300 euros, será boa ideia pensar se efectivamente se justifica estar a aceitar a tal "oferta" que, garantidamente, vai exigir que os alunos violem as condições do contrato ao simplesmente darem um uso normal ao equipamento.


P.S. Melhor efeito teria se, em vez de continuarem a insistir no fornecimento e utilização de um sistema operativo como o Windows ou ferramentas proprietárias, o programa adoptasse a utilização de sistemas operativos livres e gratuitos, fomentando também a utilização de ferramentas open-source.

35 comentários:

  1. Convenhamos que se o portátil não é deles, o estado pode e deve restringir o acesso a certo tipo de software ou ferramentas. Isto porque se o PC é do estado, a responsabilidade pelo software instalado também. Do ponto de vista legal, é tão mau como eu instalar o software que me apetecer no PC empresa.
    O que deveria era existir um perfil do estudante sem permissões para instalar seja o que for, e uma espécie de repositório/app store onde pudesse ser instalado qualquer software lá existisse, com compiladores e IDEs, GIMP, e outras ferramentas que permitam o desenvolvimento de conhecimentos.

    Quanto ao uso do Linux, acho que já todos chegamos à conclusão que forçar ou impingir não leva a lado nenhum. Aliás, se a maior fatia do mercado usa Windows e ferramentas como o Word e o Excel, não existe motivo nenhum para privar os mais novos desse conhecimento e experiência.

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    1. O problema do último ponto que referes é que isso se deve a um ciclo vicioso. Aprendes "Windows+Office" na escola (ou é exigido), e isso faz com que quando de lá saíres vás usar quase obrigatoriamente as ferramentas que aprendeste, e ter resistência a usar outras.
      A transição de muitos serviços para a web já permitiu fugir um pouco a isso (veja-se nos EUA os Chromebooks que têm dominado os tops de vendas nos últimos anos), mas penso que seria igualmente benéfico demonstrar que é perfeitamente possível e eficiente usar software open-source e/ou gratuito.

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    2. Tens toda a razão no "ciclo" vicioso, mas também é inegável que o Office 365 está a anos-luz da concorrência. Parte da culpa do ciclo é essa mesmo.

      Quanto aos Chromebooks, não se vendem porque são exímios no que toca a ferramentas, vendem-se principalmente porque são muito baratos.

      Agora claro que é benéfico fomentar o uso de ferramentas free e open-source(eu faço a minha parte há mais de 15 anos). Mas isso podes fazer na mesma, usando Windows sem teres de obrigar as pessoas a se adaptarem a um paradigma diferente, seja MacOS ou as suas 1001 interfaces. Só terias de disponibilizar as ferramentas através do software center da microsoft (julgo que é assim que a MS chama à ferramenta).

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    3. Também acho que era muito mais saudável incentivar a aprendizagem do funcionamento de plataformas e software livres e open source.. Todo o mundo iria evoluir para um melhor entendimento dos problemas informáticos uns dos outros.
      Por ex, cá em casa só usamos Linux e a prof de musica envia Powerpoints com musicas que mostram pauta com um cursor a passar e musica a acompanhar para o miudo aprender na flauta, mas no LibreOffice sai tudo baralhado e não se consegue sincronismo, ou toca a musica ou mostra a pauta que estão em slides diferentes... fiz uma pesquisa no Google e dizem que gravando o respetiva aprensentação em ODP (Open Document Presentation) e fazendo um rename para Zip consegue-se aceder aos ficheiros de media, fiz isso e voila, lá estava um MP4 e MP3 com o video e audio e bastava abrir com o VLC que tocava o que se pretende... para quê complicar o que estava simples?...se é para ver um video partilhem o video em vez de powerpoints com vídeos dentro dos slides.
      Para aprender não é preciso muita sofisticação e embelezamento, na maior parte das vezes um ficheiro TXT puro é mais que suficiente para mostrar o conhecimento, e em vez de ocupar uns MB ocupa KB (que usa menos recursos de rede e memoria, etc)..

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  2. Bom dia. O referido equipamento tem, como objetivo, permitir o acesso a formação e recursos educativos, daí tudo o resto estar limitado (até pelas suas características acredito que o instalar, desinstalar e reinstalar constantes limitariam rapidamente o seu desempenho). Para além disso (acredito que à imagem dos manuais gratuitos) a devolução implicará reutilização por outros alunos (se é que isso será, sequer, viável), daí tantas restrições (pessoalmente, concordo com elas)

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  3. Vamos a ver..bom senso, é como os ipads e computadores da maioria dos empregados, não se pode meter software não autorizado e tem de haver um minimo de cuidados a ter na sua manutenção... já bastou o exemplo dos magalhães que foram vendidos pelos pais nas feiras ou que os miudos os partiam todos, não?

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  4. Tens noção que esses tablets de 100 euros ou pc abaixo de 300 para pouco mais servem que para andar na net e que mesmo assim os pais não terão dnheiro para os comprar ?

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    1. Como é que não tem dinheiro para comprar?? Os putos hoje em dia tem telemóveis muito superiores,que servem para muito mais que andar a navegar na NET. Só o Snapchat gasta mais recursos que um simples word ou PDF.

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    2. Alguns putos, não são todos os putos. A realidade de uns é, infelizmente, o completo oposto da realidade de muitos outros.

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    3. Meu caro, há muitos putos neste país, a começar pelo interior do mesmo sem telemoveis e sem computador...abre a pestana para o mundo real.

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    4. @carlos fernandes: não generalizes. Em parte tens razão, mas não é o todo. Infelizmente há muitos alunos que não têm os 300€ e não usam telemóveis de topo.

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  5. Bom dia,
    Oferecer computadores é um disparate e demonstra bem ao ponto que o país chegou. Temos um Estado que acha normal oferecer tudo e mais alguma coisa à população e a população acha normal esta situação.
    No fundo o que está a acontecer são um conjunto de funcionários públicos acharem que devem escolher aquilo que o povinho analfabeto e dependente deve ter. Típico de países socialistas ou salazaristas (vai dar ao mesmo) como demonstrarei muito rapidamente.
    O processo que tão poucas pessoas contestam (tal é a cultura estatista neste país) está a seguir o seguinte: o poder político de turno define uma comissão de "sábios" que definem que equipamentos é que são bons para o povo, depois desta definição segue-se outra comissão de sábios que tratará de fazer as operações de comprar e por aí fora. Depois da compra feita esses equipamentos terão que ser distribuídos para as escolas e depois estas terão que fazer a sua distribuição pelo povo. Entretanto foram gastas milhares de horas de trabalho absolutamente parvo com o dinheiro do contribuinte português e europeu. E eu só estou aqui a falar do hardware core. Porque a isto há que juntar software, formação e até mais hardware de telecomunicações.
    Um processo destes levará inevitavelmente a compadrios, nepotismo, corrupção etc, mesmo que todos os envolvidos não o queiram.
    Um processo muito mais natural em países com uma cultura democrática muito maior e sem este sentido estatista, seria, obviamente, as famílias comprarem os seus equipamentos livremente à sua escolha e depois fariam o desconto de uma parte no IRS. As famílias com mais dificuldades económicas descontariam um cheque no ato da compra.

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    1. bolas e apenas se falou de poder ou não usar o portátil para outros fins a não ser o estudo, vai la vai e não leves a manta.

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    2. Democraticamente estás a dizer que posso comprar um iPad para mim, com o apoio do Estado. Quanto aos compardios espero que estejas a referir aos familiares e amigos empresários que estão na assembleia dos Açores.

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    3. Concordo, era muito mais eficiente , as famílias com dificuldades receberem um cheque e tinham uma lista de dispositivos recomendados .. ou até um acordo com uma superfície comercial que teria 2 ou 3 modelos recomendados dentro do valor dos cheques ... E ter um PC que funcionasse durante os anos escolares ... Assim miúdos tinham responsabilidade de ter cuidado dos PCs

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    4. ...e depois tinhamos n pais que compravam merdas diferentes com esses cheques ou que compravam errado devido a iliteracia informatica...

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    5. Para depois venderem o portatil e terem 1 lucro de 100%... Acho muito bem o portatil nao é deles, nao podem usar para mais nada que estudar e deveriam entregar sem estar estragado, se tivesse teriam que pagar.

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  6. Sou pai de 2 crianças que estão a usar equipamentos emprestados pela escola e estou totalmente de acordo com as condições impostas pela escola.

    Para os devidos efeitos, os equipamentos estão a servir na perfeição. Não poderia estar mais agradado.

    No final do período de empréstimo, será com grande satisfação, reconhecimento e agradecimento que irei devolver os equipamentos o mais próximo possível do estado em que me foram entregues.

    Sobre as diversões, ensino às minhas crianças que não terá de ser o equipamento emprestado a servir para o efeito.

    Ensinar também é isto.

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    1. Concordo plenamente... sou pai de 1 criança, por acaso temos condições em casa que dispensam a necessidade de recorrer a equipamentos emprestados (deixo-os para quem verdadeiramente necessita deles); se necessitasse, tinha essa mesma postura.

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    2. Concordo a 100% contigo.
      Ensinar e educar é isso mesmo.
      Infelizmente muitos pais, delegam a educação dos filhos na escola (ou noutros).
      Na minha opinião a "educação base/primária" deveria/deverá vir sempre dos pais/encarregados de educação.

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  7. São computadores emprestados pelo estado para os alunos conseguirem assistir e participar nas aulas, já que o estado cedeu à pressão da comunicação social e redes sociais para fechar as escolas... já que arranjou o problema nada mais justo que soluccioná-lo.

    Para quem quer ramboia, compre os seus próprios dispositivos.

    Não sei como mandam os ditos computadores, mas se não vier bem trancado aquilo vai ser o vê se te avias com tantos problemas que a criançada e jovens arranjam.

    Em última análise suponho que a malta possa remover o disco que vem e meter outro para instalar as coisas que quer, e voltar ao outro para as coisas da escola. Implica ter material e algum conhecimento, mas talvez não seja impossível. Tecnicamente é capaz de ser uma violação do contrato e tal, mas duvido que metam alguém na cadeia por isso... embora negarem futuramente participar em alguma coisa de apoio do estado não esteja colocado de parte... assim como a pessoa não contribuir mais para o estado já que não vai obter mais nenhum benefício do mesmo.

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    1. Uma PEN com LiveCD de uma qualquer distro de Linux poderia servir esse propósito :)

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    2. depende, eu posso impedir essas PENs e posso impedir a troca de Discos. Se for bem feito, não tem como dar a volta.

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  8. Não querendo incendiar mais os comentários, acho que temos de começar por utilizar os termos corretos para não criar falsas questões... posso estar errado, mas do que li o Estado está a emprestar computadores aos alunos (não está a oferecer), como forma de permitir que estes acedam à escola à distância, devido ao COVID.

    Não sei de que forma esta situação de empréstimo é diferente relativamente a anos pré-COVID onde o estado também emprestava os manuais escolares a título gratuito, sendo que os mesmos tinham de ser devolvidos no final do ano e cujo objetivo dos mesmos era servir de apoio ao estudo e exercícios das matérias respetivas e não para fins recreativos.

    De igual modo, o objetivo atual creio ser disponibilizar equipamento que minimamente possa ajudar as crianças sem meios a manter-se ligadas ao ensino/professores, o que me parece justificado (já a implementação certamente não será a melhor e não percebo porque é que o governo não tratou a questão atempadamente de modo a não estarmos a discutir isto agora).

    Tendo em conta que há escolas a recondicionar o velhinho Magalhães, a opção de "proibir" a instalação de software adicional parece-me razoável - qualquer coisa extra que se instale só contribui para falhas futuras no equipamento na certa.

    Depois já se lêm notícias onde a velocidade de acesso dos alunos às aulas online está muito lenta... isso porque em vez de utilizarem o tráfego disponibilizado para as aulas (de forma responsável), queimam o plafond no Tik Tok, Netflix, Youtube e outros, fazendo diminuir enormemente a velocidade decorrido esse plafond.

    Vamos culpar o governo pela utilização irresponsável dos equipamentos? Por isso é que o governo tem de apresentar linhas orientadoras, com proibições para que as pessoas saibam o que devem ou não fazer.

    Já não compreendo, por exemplo, que no agrupamento onde a minha filha anda, não permitiram (na altura em que as aulas eram presenciais) que os alunos utilizassem um tablet em substituição dos manuais escolares (tendo em conta que o peso máximo da mochila recomendado é de 10% do peso do aluno, com vários dias da semana a atingir os 25%, a redução do peso seria bem vinda).

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  9. Quantos gb tem de plafond ? se for video chat hd 8 horas por dia da a volta de 0,9gb hora, basta multiplicar por dias uteis, e passam os 200gb na boa mês

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  10. Acho muito vem. Estou completamente de acordo com as condições.

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  11. Qual é o preço médio de uma tatuagem que quase toda a gente tem?

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  12. Sei de situações de pessoas que vão à escola "pedir" um computador porque não têm condições... Quando lhes dizem que o computador é "emprestado" com uma série de condições dizem que afinal se desenrascam com o que têm em casa...
    Até nesta situação há tentativas de aproveitamento, acho muito bem que sejam estipuladas condições de acesso a esses equipamentos.

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    1. concordo plenamente..é a chico espertice, pedro

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  13. é uma não noticia. Há alunos sem nada para acompanharem as aulas e uma site da área está preocupado com as instalação de jogos.

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  14. Podemos ter:
    1. um sistema simples com alguns defeitos ou

    2. um sistema perfeito mas tão complicado que depois não chega a funcionar.

    Somos especialistas numa destas escolhas ;)

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