2013/06/11

Análise ao ASUS FonePad

Confusos entre o Asus PadFone e FonePad? O nosso veterano Luis Costa esteve a experimentar o que este mini-tablet com 3G incorporado (e que até serve de telefone) é capaz de fazer, e vai dizer-nos se a Asus acertou - ou falhou - nesta aposta.


O mercado dos tablets Android é dominado por duas grandes marcas, Samsung e Asus. Cada uma, à sua maneira, procura apresentar soluções diferenciadoras. A Asus, tem-se primado por apresentar propostas inovadoras, no que ao formato diz respeito.  Não se limita a lançar tamanhos diferentes. Tem optado por diferentes possibilidades de utilização, sendo a linha transformer disso um exemplo perfeito.

O FonePad (esta questão dos nomes começa a ser complicada, uma vez que a ASUS também comercializa um PadFone) não é um transformer, mas não é por isso que não deixa de apresentar uma solução diferente dos tablets tradicionais.

Este modelo, é um tablet de 7"... que também é um telefone!

Especificações



  • Ecrã - 7" LED Backlight WXGA (1280x800) Screen com painel IPS
  • CPU - Intel® Atom™ Z2420 1.2 GHz
  • Memoria - 1GB
  • Armazenamento - 16GB acompanhados de 5GB Life Time ASUS Webstorage Space
  • Conectividade:
    • Standards HSPA+ UL:5.76 Mbps/DL:21 Mbps
    • WLAN802.11 b/g/n
    • Bluetooth V3.0
  • Câmara
    • 1.2 MP Frontal
    • 3 MP Traseira
  • Ligações:
    • 1 x Micro USB
    • 1 x 2-em-1 Jack Áudio (Headphone / Mic-in)
    • 1 x Micro SD até 32GB
    • 1 x 3.5mm saída de som
    • 1 x Micro SIM
  • Sensores - GPS & Glonass,G-Sensor, E-compass, P, Luz Ambiente

O tablet, para além da possibilidade de realizar chamadas, tem ainda outra particularidade: em vez do habitual CPU ARM usados nos equipamentos Android temos um CPU Intel Atom.

A versão comercializada em Portugal acaba por estar bastante mais composta do que as apresentadas em outros mercados, pois combina os 16GB de armazenamento com a câmara traseira. Na parte frontal, temos uma câmara e ao seu lado, uma coluna de som  para as chamadas de voz. Do lado esquerdo, botões de power e volume. Na parte inferior do tablet, encontramos a saída de som 3.5mm e uma porta Micro USB.



A traseira, tem uma tampa facilmente removível para dar acesso aos slots dos cartões SIM e microSD. Tem um acabamento liso, tipo metálico. Apresenta ainda 2 microfones, coluna de som e a já referida câmara.

Confesso que a primeira vez que peguei no tablet, pareceu-me que me ia escorregar da mão devido à superfície lisa e com pouco atrito. Mas passado o choque inicial, o "problema" deixou de o ser: numa semana e meia de utilização, nunca me escorregou , ou esteve em vias disso.



FonePad vs Nexus 7 (ecrã)

A comparação é inevitável.

Depois de um muito bem sucedido Nexus 7 (curiosamente, também produzido pela Asus), todos os tablets são obrigatoriamente comprados com este modelo.


Os padrões de qualidade e funcionalidade subiram para patamares bastante elevados, cavando um fosso entre a gama de entrada e os topos de gama, passando o preços deste últimos a ser difícil de justificar.

Em termos de dimensões, não há diferenças dignas de registo. São quase iguais.

A principal diferença está no ecrã, ou melhor dizendo, no reflexo deste. No caso do FonePad, o ecrã é mais propenso a reflexos, o que dificulta a utilização em ambientes com muita luz.


Confesso que se não tivesse um Nexus 7, nunca iria dedicar tanto tempo à questão do ecrã.
O facto de ter um termo de comparação, levou-me a realizar vários testes, em diferentes situações , a fim de esclarecer a diferença que os ecrãs apresentam em alguns tons.


Se no caso do FonePad, o branco foge para um branco sujo, os seus pretos são mais fortes que os do Nexus 7. Mais uma vez, não fosse o facto de poder comparar (tal como aconteceu durante as primeiras horas de utilização), não iria estranhar esta questão das tonalidades.


É no texto que se nota a principal diferença. O FonePad, devido às tonalidades utilizadas, apresenta como que um sombreado à volta das letras, tornando-as "menos bem definidas" que no Nexus 7.
Com isto não quero dizer que o texto não tenha qualidade, apenas prefiro a forma como é apresentada no Nexus 7.


A diferença, só se manifesta se não fizermos zoom. Na imagem em cima podem ver a comparação em zoom máximo, e neste caso, pessoalmente, não identifico diferenças. Curiosamente, na imagem da direita, o Nexus parece ter um branco menos limpo que o FonePad.

As variações nas imagens devem-se às condições terem (propositadamente) variado entre os testes. Utilizei iluminação natural e artificial, e recorri à aplicação Asus Splendid que o FonePad tem para controlo do tom de cor. Resumindo e concluindo, o ecrã tem uma boa qualidade. A aplicação Asus Splendid permite ajustar as cores ao nosso gosto.


Actualizações


Este é sempre um ponto quente, especialmente no que aos utilizadores mais exigentes diz respeito.
Durante a semana e meia em que tive o tablet, recebi três actualizações(!), o que demonstra uma preocupação da marca em corrigir problemas e melhorar funcionalidades.

Resta agora aguardar pela "verdadeira" actualização para 4.2.2, e posteriormente, para 4.3(?). Na minha opinião (logo por isso subjectiva), a Asus, não tendo um comportamento exemplar, até tem mantido uma politica de actualizações aceitável, bem melhor que os restantes players

Vamos ver como se irá a Asus comportar neste aspecto das actualizações a longo prazo.


Software


Confesso que este é um dos pontos que me é mais sensível. A razão da minha escolha pelos Nexus, prende-se também com a possibilidade de ter um Android "limpo".

A Asus tem uma política que considero... interessante. Não carrega o Android em demasia, mas não deixa de adicionar algumas aplicações e funcionalidades.

A lista ainda é numerosa: App locker, Asus Splendid, ASUS Studio & Story, Audio Wizard, Cópia de segurança de aplicações, Dicionário, Gestor de ficheiros, Lista de bloqueados e tarefas, My Library, My Painter, Poupança de energia, Sticky Memo, Super Note (lite) e WebStorage.



Float App

As aplicações flutuante começam a estar na moda, ou pelo menos, há mais fabricantes  a apostar nas mesmas.
No caso da Asus, podemos utilizar um conjunto de aplicações pré-definido, às quais podemos juntar os widgets que estejam instalados no equipamento.


Editor de fotos

Neste caso, temos uma funcionalidade melhorada. Podemos utilizar o botão de "multi-tasking", terceiro em baixo a contar da esquerda, para obter uma captura do ecrã. Basta premir o botão o icon durante alguns segundos.


Após a captura do ecrã, podemos editar a imagem, e posteriormente gravar ou partilhar através das aplicações que tenhamos instaladas.

No campo das aplicações e funcionalidades, ainda mais alguns destaques.


O menu dropdown (quem possua um Asus, não vai estranhar este menu), é onde se notam as maiores diferenças em relação à interface padrão do Android.

Para além dos atalhos para ligar/desligar serviços e funções, no topo temos um atalho para as definições, Wi-Fi e configurações de som.
O controlo do brilho do ecrã, com configuração automática ou manual e acesso a dois modos de funcionamento "normal" ou "exterior" completam o leque de funcionalidades.

A Asus por certo que lê o Aberto até de Madrugada e o Apps do Android.
Esta afirmação não é desprovida de cabimento, bem pelo contrário! Atentem na imagem em cima ao meio.

Ainda há poucos dias o Carlos Martins falava sobre este assunto, e eis que a Asus avança com uma solução. Falta só afinar a coisa de forma a que após a primeira validação, o processo passe a ser automático (nem que seja só para as redes conhecidas).

Outra funcionalidade interessante, é o gestor de clipboard, muito útil em determinadas situações.
Tenho previsto um artigo sobre uma app para este fim, mas esta funcionalidade implementada pela Asus tem ainda um bónus: a possibilidade de definir informação permanente no clipboard, sendo que os email passam automaticamente para esta lista. Bem visto Asus. ;)

A terminar este assunto, algo que de forma recorrente é discutido na ML do AadM: roubaram-me o meu equipamento Android! E agora?



A Asus avança com uma solução, que embora não seja diferente das propostas que já existem  no mercado, é sempre bem vinda.
Basta associarmos um email, e passamos a ter acesso à localização do nosso equipamento, histórico de actualização, ou até mesmo repor a configuração de fábrica.
Para lá destas, estão disponíveis outras funcionalidades. À altura do teste, o site ainda não estava finalizado.


Bateria


Numa semana e meia de utilização intensiva, em que (quase) deixei de lado os meus Nexus 4 e 10, o FonePad aguentou sempre dois dias sem problemas, isto com 3G e GPS sempre ligado, Wi-Fi, quando necessário. Perto de 6 horas de ecrã ligado, é digno de registo.


Câmara

Estou longe de ser um especialista em fotografia, e nem tenho pretensões para tal, no entanto, cabe-me pronunciar sobre a câmara deste FonePad.

Fotos ao fim do dia, já com pouca luminosidade,


FonePad vs Nexus 4

No mesmo local, mas com mais luz solar.


Fotos a curta distância


Estamos na presença de uma câmara de 3MP com auto focus  e gravação de vídeo a 720p. Como referi anteriomente, a câmara traseira não é comum a todos os modelos/mercados, muito menos quando combinada com os 16GB de armazenamento.

Não fazendo milagres, a câmara consegue reunir as condições necessárias para uma fotografia de ocasião. Foi exactamente isso que fiz a quando do último almoço do AadM. A francesinha não escapou, o momento ficou registado e devidamente publicado no G+.

Não podendo ser comparada às câmaras que equipam os smartphones de topo, esta 3M pixels, acaba por cumprir os serviços mínimos.


Em funcionamento




Tinha um aspecto que à partida queria testar: desempenho do SoC Intel.

Durante o período de testes,  abdiquei do Nexus 10, e pouco usei o Nexus 4. Aliás, não fosse não ter todas as minhas apps  no FonePad, poderia ter mesmo deixado o Nexus 4 em casa, pois este não é o meu telefone principal.
As 340g deste equipamento acabam por tornar a sua utilização bastante confortável. É de fácil manuseamento, e não cansa quando o agarramos só com uma mão.

Em termos de toque, e quando comparado com o Nexus 7, o ecrã do FonePad requer um pouco mais de pressão. Nada que ao fim alguns minutos de utilização já passe despercebido. A utilização decorreu sem sobressaltos, e consegui correr todas as apps e jogos a que me propus. O desempenho foi bastante satisfatório, em linha com aquilo que um Nexus 7 proporciona. Ao fim de algumas utilizações, comecei a achar estranho o tempo de carregamento dos jogos. No jogo propriamente dito, não detectava nada de anormal.

Resolvi colocar os dois irmãos lado a lado e aí sim, tirar conclusões. Se no caso das aplicações "normais", a haver diferenças no tempo de carregamento, são imperceptíveis, no caso dos jogos, o assunto muda de figura. O Fonepad demora bastante mais tempo a carregar os jogos. Esta diferença deve-se ao facto das aplicações serem originalmente escritas para ARM e terem de ser traduzidas para x86(intel). Fora os tempo de carregamento, o desempenho foi exemplar.

Chamadas. Sim, tive de testar e fazer aquela figura pouco habitual de ter um tijolo junto ao ouvido, nada que me fizesse confusão, ou já não tivesse eu utilizado um espectacular Qtek 9000. Podem sempre optar por um auricular ou pelo alta-voz. O dialer inteligente facilita bastante a vida ao utilizador, algo que a Google bem poderia melhorar na versão base do Android.

Basicamente, é como utilizar um telefone mais pequeno. Como é relativamente leve, não se torna desconfortável.


Apreciação Final


Com este FonePad, a Asus alarga (ainda mais) o seu leque de equipamentos Android. Ao fazê-lo, optou por apostar num conceito vencedor, Nexus 7, e adicionou-lhe mais alguns "condimentos". Cai o NFC, entra o Micro-SD e para alguns mercados, a câmara traseira. O SoC muda do Tegra 3 para um Intel Atom  Z2420. O software recebe algumas inovações face ao Android "original". A autonomia é bastante melhorada quando comparada com os smartphones. O ecrã tem a resolução padrão para esta dimensão de ecrã (claro que em breve pode ficar desactualizado, já se sabe...).

Não são muitas diferenças, pelo que o resultado final não é de estranhar. A Asus consegue com este FonePad um equipamento equilibrado, que possibilita uma utilização bastante agradável. Havia claramente um equipamento a dominar o segmento das 7". Agora passam a haver duas claras opções, soluções diferentes, que podem responder a um maior leque de utilizadores.

Pergunto-me se esta dimensão de ecrã poderá concorrer com as 5/6" que começam a inundar o mercado. É bastante provável que os novos equipamentos apresentem um hardware renovado, mas será este suficiente para justificar a diferença de preço que os separa dos 249€ a que a Asus (e muito bem, na minha opinião) colocou o Fonepad?

Quem pretenda trazer consigo apenas um equipamento, tem agora neste FonePad uma opção interessante.




Asus FonePad


Prós
  • Conjunto equilibrado
  • Capacidade 3G (e possibilidade de fazer chamadas )
  • Preço

Contras
  • Ecrã propenso a reflexos
  • Tempo de carregamento dos jogos
  • Android 4.1.2

3 comentários:

  1. Chato é ser um processador Intel, o que de facto proporciona a fragmentação da plataforma Android. Isto porque será complicado ter ferramentas para um root deste aparelho, mesmo que algum developer se dedique a arranjar forma de o fazer, isto porque todas as ferramentas existentes estão desenvolvidas para a arquitectura arm. Uma pena, já que daria jeito ter um tablet a fazer as vezes de um segundo telemóvel, para aproveitar as melhores tarifas em todas as redes.

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  2. "As 340gr deste equipamento"

    Atenção: Os 340g
    assim é correcto.

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  3. Lá vou aprendendo mais qualquer coisinha sobre o assunto. E estou a ficar com água na boca.

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