2014/08/02

NASA comprova funcionamento de motor espacial "impossível"


A internet veio facilitar que toda uma nova geração de "inventores" divulgasse os seus pseudo-mecanismos ultra-revolucionários, prometendo movimento perpétuo ou geração de energia infinita. São coisas que se avolumam com tal magnitude que é fácil simplesmente descartar tudo o que apareça que prometa algo semelhante. Foi isso que aconteceu com um motor espacial chamado EmDrive... só que desta vez, parece que quem se vai rir por último é mesmo o seu inventor, pois depois da China ter demonstrado que o motor funcionava mesmo, foi agora a vez da própria NASA também o confirmar... mesmo não percebendo como funciona.

Para se ter uma ideia de quanto este motor é revolucionário (e porque motivo ninguém lhe dava sequer qualquer credibilidade), o EmDrive, inventado por Roger Sawyer, consiste em fazer reflectir microndas dentro de um invólucro fechado, e conseguir gerar propulsão exterior com isso. Algo que à partida parece violar as leis de conservação de energia - embora o seu criador diga que não.

Seria o equivalente a ter no espaço alguém dentro de uma caixa fechada, e que conseguiria empurrar a caixa no vácuo correndo lá dentro e batendo contra a parede, e depois caminhando para trás e repetindo o processo. Esta é uma técnica que funcionaria na Terra, com o atrito do solo a "segurar" a caixa no sítio enquanto a pessoa no seu interior fazer o percurso de regresso - mas no vácuo, seria teoricamente impossível, pois a energia necessária para se deslocar no sentido inverso anularia o movimento no sentido oposto. Mas com este motor isso não acontece, aparentemente devido ao facto das microondas se movimentarem a velocidades próximas da da luz, e nesse caso aplicam-se as Leis da Relatividade Especial de Einstein, em que cada lado do motor passa a funcionar como sistema independente. (Não me perguntem mais que isso, afinal, se a própria NASA não consegue explicar a coisa...)

O que é certo é que a China construiu um destes motores e obteve resultados muito promissores em 2012, que já seriam suficientes para servir como motores de manobra de um satélite; e agora também a NASA se convenceu de que deveria explorá-lo, e embora com valores de propulsão bastante inferiores, obteve resultados que deixaram os cientistas intrigados - comprovando que o motor funciona... mas nem sequer entrando no tema de explicar como.

A grande vantagem é que um motor deste tipo não tem partes móveis nem necessita de combustível, bastante energia (proveniente de painéis solares, por exemplo) para que funcione de forma contínua por tempo ilimitado. Mesmo que a sua propulsão seja diminuta quando comparada com um foguete, o facto de funcionar de forma contínua torna-o bem mais veloz, permitindo uma aceleração continuada durante metade do percurso até ao seu destino (e sendo a restante metade passada a fazer a desaceleração).


Actualização: dois anos depois, o resultado da experiência parece ter sido validada o suficiente para merecer a publicação num jornal científico.

Actualização (22/06/2019): irão ser feitos novos testes com instrumentos mais sensíveis para determinar se os resultados são válidos ou não.

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