2020/01/01

O que a década de 2020 trará?


Estamos a entrar numa nova década, e por isso torna-se "necessário" fazer uma espécie de previsão sobre o que eventualmente poderemos aguardar para os próximos dez anos.

Smartphones

A cada ano que passa podemos achar que não há muitas coisas a mudar ou melhorar significativamente, mas é preciso ter consciência que há dez anos atrás estavam a ser lançados smartphones como o Google Nexus One (numa altura em que a HTC ainda era uma referência), que vinham com um "fantástico" ecrã de 3.7" com 800x480 pixeis, um Snapdragon S1, 512MB de RAM, 4GB, uma única câmara de 5MP, e ainda uma trackball!


Dez anos mais tarde, temos smartphones com ecrãs sem margem que se aproximam das 7" (para não falar dos modelos dobráveis), alguns que chegam a ter resolução 4K ou que funcionam a 120Hz, com 12GB de RAM, com quatro ou cinco câmaras (e chegando a 108MP) e sensores 3D Time of Flight, reconhecimento de impressões digitais no ecrã - e em breve, até a câmara frontal invisível sob o ecrã.

Mas, dito isto, por muito mais rápido e melhor que seja um smartphone actual, a verdade é que um smartphone continua a ser um smartphone e a proporcionar o mesmo tipo de coisa que se fazia há uma década atrás. E a tentativa de encontrar a grande revolução que se segue não tem sido fácil...


Apresentado em 2012, o Google Glass pretendia ser a coisa que se seguia, libertando as nossas mãos do vício dos smartphones. No entanto, foi uma aposta que falhou em concretizar essa promessa. O Glass continua a existir para segmentos bastante específicos (empresariais e educativos), mas nunca se veio a tornar no substituto dos smartphones e a lançar a próxima era da relação entre humanos e computadores. Talvez esta nova década possa vir a ter novidades nesta área (sendo que até a Apple parece estar para lançar uns óculos nos próximos anos).

Inteligência Artificial



Esperemos também que esta nova década nos traga reais avanços a nível da Inteligência Artificial. A A.I. tem sido aplicada a tudo e mais alguma coisa, mas continua a falhar em termos de realmente nos entender. Veja-se a Siri, que pouco ou nada tem evoluído ao longo dos últimos 8(!) anos em termos de (real) compreensão das pessoas - basta tentar fazer algo um pouco mais complexo do que qualquer comando directo ou pergunta simples para descobrirmos que a sua "inteligência" é muito pouco inteligente. E no caso da Alexa e Google Assistant as coisas não são muito melhores - embora coisas como ter o Google Assistant a fazer telefonemas de voz para marcar restaurantes sejam promissoras do que poderá surgir ao longo desta década.

Automóveis

A Tesla foi uma das surpresas da década, e demonstrou (e continua a demonstrar) como uma empresa "novata" podia ascender a uma marca mundial e surpreender todos os fabricantes de automóveis. Com a abertura da Gigafactory na China e outra a iniciar-se na Europa, a Tesla continua a ser a marca líder nos automóveis eléctricos - e por agora enfrentando apenas as promessas de que as outras marcas irão ter modelos para a combater "para o ano". Ao longo desta década iremos ver se essas alternativas realmente aparecem e se serão realmente alternativas, ou se essas promessas irão ficando continuamente "para o ano" até à próxima década (esperemos que não, pois seria bom que daqui por dez anos já só se vendessem carros eléctricos, fosse de que marca fosse).

Por outro lado, a prometida capacidade de condução autónoma da Tesla tem sido também uma das promessas falhadas que vai sendo continuamente adiada - e que por agora continua a ser algo sem qualquer data concreta para se torna realidade.

Energia


Com a transição para os automóveis eléctricos será também inevitável uma procura acrescida de fontes de energia renováveis, com os painéis solares a serem a opção mais natural. Com isso esperamos também ver um aumento e maior aposta em redes de distribuição mais inteligentes, capazes de melhor gerir a geração e utilização de energia de forma distribuída. Por agora ainda parece utópico imaginar que se pague zero euros de electricidade ao final do mês e que não se tenha que gastar centenas de euros em combustível, mas esperemos que daqui por dez anos isso já comece a ser o que se considera normal.

Seria também simpático que durante esta década se assistisse a uma qualquer revolução nas baterias como as que vão sendo timidamente prometidas de tempos a tempos.


As "surpresas"?


Há muitas outras coisas que se podem prever para estes novos anos "20". O 5G poderá vir a permitir que se tenha finalmente tráfego móvel ilimitado e marque um fim nos tarifários com limites. A Internet of Things inevitavelmente fará com que "tudo" esteja ligado à internet (não vamos falar das questões de segurança que com isso se levantam). A Realidade Virtual / Aumentada poderá finalmente começar a aproximar-se de um público mais generalista. Mas, mais interessante, é imaginar tudo aquilo que poderá vir a acontecer e não ser previsível.

Ninguém imaginaria em 1998 como a Google viria a mudar o mundo, ou em 1994 aquilo em que a Amazon se viria a tornar, ou a Netflix em 1997. Também não era previsível que uma empresa que esteve em risco de falência pudesse ter sucesso ao lançar um smartphone dispendioso sem botões e apenas com um touchscreen, chamado iPhone, que viria a marcar toda uma década.

Espero que nesta década de 2020 se possa voltar a assistir a situações idênticas. Por pouco provável que possa parecer, nenhum dos actuais gigantes tem a sua longevidade garantida e poderão vir a tornar-se nas futuras Nokia. É algo que é assustador de pensar... mas também nos faz olhar para o futuro com um sorriso, sabendo que há ainda muito mais para fazer e descobrir. :)

10 comentários:

  1. Sobre os últimos 10 anos:
    https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/dec/29/decade-technology-privacy-tech-backlash

    ResponderEliminar
  2. Sobre os próximos 10 anos:
    https://retina.elpais.com/retina/2019/12/27/talento/1577443136_721761.html

    ResponderEliminar
  3. Respostas
    1. Ainda sou do tempo em que uma década significava 10 anos, agora parece que significa 9 anos, são 3651 dias em vez de 4017 dias (mais um dia para cada se quiserem contar o próprio último dia)... sempre se poupam uns dias... deve ser destas coisas da tecnologia e tal... onde por exemplo os operadores de Internet móvel parecem ter também redefinido o significado de "ilimitado" para um: "limitado ao nosso gosto e conforme nossa conveniência só porque sim".

      Eliminar
    2. Uma década são 10 anos; quando a começar no 0 ou 1, não levo a mal quem queira optar por qualquer uma delas, desde que também deixem que as demais pessoas tenham essa opção.

      Pessoalmente, opto por referir as décadas começando no "0" - da mesma forma que digo "a década de 80", "a década de 90", e não a década de "81" ou década de "91". :)

      Eliminar
    3. Tendo em vista que nunca chegou a existir o ano 0 (zero), não faz sentido contar as décadas a partir dos anos com zero como algarismo das unidades. Ajuda, mas não é racional.

      Quanto à nomeação das décadas, não há o mínimo problema referirmo-nos à década de 80 como aquela que iniciou no ano 1981 e terminou no final do ano 1990. E consequentemente, referirmo-nos à década de 90 como aquela que iniciou em 1991 e terminou em 2000.

      Troca-nos as voltas? Claro, a nossa mente é coisa bizarra e tende a preferir as coisinhas redondinhas e "bonitinhas" em vez das racionais. Mas assim a aritmética não falha.

      Nota: Confrontar "década" com "decano".

      Eliminar
    4. Existiu ano 0, e -1, e -2... Estamos apenas a contar períodos de tempo referenciado a um determinado momento. :)

      Considero isto do mesmo estilo do que as semanas, que são 7 dias que uns consideram ser de 2ª a domingo, e outros de domingo a sábado... :)

      Eliminar
    5. Existiram 365 dias antes do ano 1, mas a cronologia atual (calendário gregoriano) não considerou isso como sendo ano zero.

      Todas as pessoas que nasceram nesse período, para todos os efeitos (e erroneamente do ponto de vista aritmético) nasceram no ano -1.

      Portanto, aritmeticamente (e racionalmente) não se pode dizer que tenha existido ano 0 (zero).

      Mas é verdade que a ciência prefere ignorar essa falha da igreja católica e considere o ano -1 como sendo zero de facto, embora, mais uma vez, a verdade é que a cronologia atual não considera assim...

      Não tenho problemas em dizer: É mais racional considerar o ano -1 como zero.

      Mas depois todos os livros de história teriam que ser corrigidos, pois toda a contabilização do tempo antes do ano zero necessitará de considerar essa alteração.

      Eliminar
    6. ... E não esquecer que o calendário Gregoriano só foi adoptado em 1582...

      Eliminar
    7. Pior ainda. O calendário anterior (Juliano) também não considerava a existência do ano zero.

      Terá sido por isso que a igreja católica achou por bem manter a cronologia que até então era tida como oficial, de forma a não alterar a contagem de toda a história anterior ao ano 1 (um).
      (a meu ver, um erro - ou uma oportunidade perdida - pois nessa altura já se conhecia e usava plenamente o numero zero para todo o tipo de cálculos e referências aritméticas / matemáticas.)

      Eliminar

[pub]