2020/04/28

Câmaras de vigilância podem começar a controlar distância entre pessoas


Não são só as apps de contact tracing que fazem soar alarmes quanto a potenciais riscos de invasão de privacidade - também com as câmaras de vigilância se arriscam a manter um olhar mais atento sobre o comportamento de tudo e todos, que se poderá manter de forma duradoura para além do período do Covid-19.

Com a desculpa do Covid-19, são várias as empresas que aproveitam o momento propício para promover novas ferramentas e capacidades para câmaras de vigilância, incluindo a capacidade para determinar se / quando as pessoas poderão estar demasiado próximas.

De frisar que a análise das imagens das câmaras de vigilância não é nada de novo, havendo muitos sistemas que já utilizam diferentes técnicas (incluindo AI) para coisas como diferenciar entre pessoas e animais, detectar quando deixam encomendas à porta de casa; e isto para não falar dos sistemas de reconhecimento facial, de matrículas, ou outros mais avançados que já analisam o tipo de comportamento social, para detectar coisas como comportamento suspeito em estações e aeroportos.



A questão é que, com a "justificação" de que estas ferramentas são benéficas para auxiliar na prevenção para a disseminação do Covid-19, se dá mais um passo para que seja considerado "natural" este tipo de monitorização. É mais um passo no perigoso sentido de criar os estados "Big Brother" que promovam a monitorização contínua de todos os cidadãos, primeiro por causa do Covid-19, mas quando o Covid-19 for ultrapassado, mantendo-se a monitorização com a desculpa de que é para a sua segurança ou para acautelar contra pandemias futuras.

É algo demasiado tentador para que muitos Estados comecem a pensar em regras como a notificação automática sempre que se juntem mais de três ou quatro pessoas durante mais de alguns segundos, ou para seguir o percurso de todas as pessoas que entraram ou saíram da sede do partido X ou instituição Y.

1 comentário:

  1. Perigoso... "É mais um passo no perigoso sentido de criar os estados "Big Brother" que promovam a monitorização contínua de todos os cidadãos"

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