2017/01/12

Alfândega tenta silenciar caso da Qatar Airways?


As nossas queixas contra o surreal processo de funcionamento da nossa alfândega são bem conhecidas, mas aparentemente há quem não tenha idêntico direito de partilhar as suas frustrações, como parece acontecer relativamente ao caso da caixa negra da Qatar Airways.

No final do ano passado descobrimos que as nossas frustrações ao lidar com os serviços alfandegários não eram partilhadas apenas por quem gosta de comprar alguns gadgets vindos da China, como também por quem se via envolvido nessa teia de surrealismo, mesmo quando se tratam de caixas negras de aviões!

O episódio descrito por um director do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves fez surgir um raio de esperança, de que uma queixa a este nível pudesse dar origem a mudanças no funcionamento do serviço alfandegário (ou pelo menos, chamar a atenção para isso) - mas afinal, parece que nem assim. Embora os PDFs dos seus relatos continuem disponíveis no site (aqui e aqui) todas as referências a este incidente foram removidas do site do GPIAA.

Claro que sem um comunicado oficial não se podem saber quais terão sido os motivos que levaram ao desaparecimento destas referências, pelo que a gama de possibilidades vai do simples lapso técnico, à mudança de opinião do director, ou - e nem seria bom contemplar esta eventualidade - a pressões internas que estejam a tentar silenciar o caso.


Pessoalmente, penso que a alfândega tem lidado com tudo isto com uma atitude diametralmente oposta àquela que deveria adoptar. Não acredito que os serviços alfandegários funcionem mal "por que querem"; sendo que me parece mais provável que apenas o façam por falta de recursos, excesso de trabalho, etc. Situações como estas deveriam ser usados por eles próprios como forma de pressão para exigirem melhores condições que lhes permitissem funcionar como deveriam. Afinal, num mundo global será de esperar que tenham cada vez mais trabalho e não menos.

Agilize-se o processo para casos como a das compras de gadgets online, disponibilizem formas de permitir o pré-pagamento das taxas por lojas online de fora do espaço comunitário, mostrem um pouco mais de pro-actividade e uma atitude mais positiva para resolverem os problemas... e em troca, vão ver que do lado dos consumidores isso também será recompensado.

Em alternativa... vão beneficiando países vizinhos, que facilitam todo o processo de importação e que terão todo o gosto em receber as milhares de encomendas feitas pelos Portugueses, e que depois são reencaminhados para o nosso país sem passar pela alfândega.


Actualização: afinal parece que o senhor era incómodo demais, e não só foi para a rua, como o próprio organismo vai desaparecer, sendo integrado num que tratará tanto dos acidentes aéreos... como os ferroviários (e já agora, porque não os acidentes marítimos, rodoviários, de bicicleta, e de patins?)

18 comentários:

  1. Que referências ao acidente é que foram "removidas"?

    http://www.gpiaa.gov.pt/upload/membro.id/ficheiros/i006809.pdf

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Embora os PDFs dos seus relatos continuem disponíveis no site (aqui e aqui) todas as referências a este incidente foram removidas do site do GPIAA."

      Até há poucos dias atrás, tinhas no site as "notícias" que apontavam para esses PDFs. Neste momento, não encontras no site forma de chegar até eles.

      Eliminar
  2. A Holanda e a Espanha até foguetes mandam com as importações que os Portugueses fazem da China.

    A GearBest PPR exemplo viu essa facilidade e ganhou n clientes a mais recorrendo à priority line via Espanha.

    Conheço n casos de pessoas que não mandavam vir coisas de fora da UE que passaram a mandar vir.

    Cá em Portugal reina a taxa dos chulos e as dificuldades que daí advêm. Sempre foi assim.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Podem-me explicar melhor como posso fazer isso dos reencaminhamentos por Espanha?

      É que estou farto de ser gozado pela alfândega. Entre outras tropelias, encomendei uns dvds dos EUA em Agosto. Em Outubro fizeram o favor de perder a encomenda. A loja, felizmente, mandou uma nova, que chegou duas semanas depois, mas que só consegui libertar em Dezembro. Quase 5 meses para libertar uma encomenda. Impressionante. Não atendem os telefones, não respondem aos e-mails, é como falar com uma parede.

      Eliminar
    2. No caso da Gearbest, é um dos métodos que eles implementaram: vai para Espanha e depois é que segue para Portugal. Não sei se usando um serviço de reencaminhamento de morada em Espanha o processo funcionará de forma idêntica.

      Eliminar
    3. Obrigado pela resposta. Então basta fazer a encomenda e eles fazem isso automaticamente, certo?

      Obrigado!

      Eliminar
    4. Na Gearbest, tens que escolher a opção Priority Line, vai por Espanha e não passa pela alfândega. Informa-te em outros forums (zwame p.e)

      Eliminar
  3. Não é só os alfandegários que criam problemas... os estivadores também...
    Por essas e por outras, é que não somos uma porta maior de entrada de comércio, do que actualmente somos...

    ResponderEliminar
  4. Não sejam tão ingénuos, se a alfandega está a fazer todas essas cobranças tão abusivas é porque quer fazê-lo e os funcionários devem ter algum beneficio nisso...

    ResponderEliminar
  5. Recebi hoje uma carta para fazer um desafaldegamento e é claro que não farei isso pelo correio e irei lá entregar o documento pessoalmente porque só assim eles me irão cobrar uma quantia legal (espero que ainda sejam 10%!) porque se o fizer por correio aproveitam-se para me sacar uma soma absurda. E penso que essa gente está a agir como se fazia antes do 25 de Abril em que os serviços do estado cobravam o que bem entendiam e as pessoas eram obrigadas a pagar e calar. Resta saber até quando a alfandega vai poder continuar a manter essa atitude abusiva e arrogante! Mas até lá estão a encher os bolsos á vossa custa! E digo á "vossa" custa porque a mim eles não roubam!

    Este tipo de pedidos de desenfaldegamento são uma fantochada porque eu estou farto de comprar produtos no site vitacost.com e eles nunca me pediram para enviar este tipo de documentação por isso não entendo porque se lembraram de o fazer agora ? Acho que só pode ser para depois terem um motivo para me cobrarem um valor abusivo. Mas comigo não têm chances porque na próxima semana vou lá e terão que me aplicar a taxa legal, como sempre!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isso é muito bonito, mas se não fores de Lisboa fazes como? Ah pois!

      Eliminar
    2. Lol sonha com esses 10%... Mínimo uns 23% do Iva e..e..

      Eliminar
    3. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    4. Sim tens razão, eu tenho sorte de ser de Lisboa e fica-me aqui perto. Mas cabe a todos nós fazer alguma coisa para acabar com esse tipo de abusos. E não entendo porque ainda nenhum jornalista decidiu investigar o que se passa com as alfandegas. E eu gostava de saber onde vão parar as milhares de encomendas que as pessoas abandonam por não quererem ou não poderem pagar "o saque" exigido pela alfandega ???
      Nunca mais me esqueci de uma das vezes em que estive na alfandega e vi uma senhora brasileira muito aflita porque a mãe dela tinha-lhe enviado um presente do Brasil e não lho queriam entregar porque não havia um valor á vista e queriam á força toda obrigar a senhora a dar um valor, mas como lhe deram a entender que ficaria sempre muito caro, ela teve de desistir do presente. Fiquei muito chocado e achei demasiado desumano. Porque uma pessoa honesta e com sentimentos nunca poderia impedir uma pessoa de receber um presente da mãe...

      Mas eu acho que a culpa é de todos os que calam e não fazem nada. Na próxima semana quando for á alfandega se me pedirem um valor abusivo eu irei reclamar e como sempre faço não me contentarei com uma simples reclamação e irei gritar alto e em bom som tudo o que penso. E mais uma vez irei ser olhado de lado (para não dizer com desprezo) pela maioria das pessoas que lá estarão porque infelizmente parece que fica muito mal reclamar, principalmente quando temos a coragem de dizer tudo o que pensamos, mesmo que isso possa expor-nos ao ridículo. Mas acredito que se muita gente reclamasse com a mesma indignação alguma coisa teria de mudar!

      Eliminar
    5. Ordep otnemicsan, as coisas que entram extra-UE têm de pagar IVA a 23% isso é certo.

      A questão e o problema é a forma ineficiente como é feito.

      Eliminar
  6. Neste país de corruptos ganham sempre os mais fortes.
    Aqui está a razão do silêncio: http://www.dn.pt/portugal/interior/aeronaves-diretor-exonerado-por-desrespeito-de-estatuto-5602591.html

    ResponderEliminar
  7. sou brasileiro e tenho acompanhado a novela da caixa negra x alfandega e tenho a dizer que o diretor foi alvo de perseguissão politica, aqui, quem reclama tambem é demitido sem conversa.

    ResponderEliminar
  8. Outra estratégia da Alfândega é atirar para cima dos CTT, em quem delegaram a execução do serviço nas encomendas via postal esquecendo que num processo de delegação de poderes a responsabilidade é, sempre, da Alfândega. E a saga, continua...

    ResponderEliminar

[pub]