2019/07/29

Google confirma Pixel 4 com Soli e "Face ID"


A Google confirmou aquilo que se suspeitava sobre os curiosos furos no vidro do futuro Pixel 4, revelando que contará com uma câmara frontal 3D estilo Face ID, e também estreará a utilização do Project Soli para detectar com precisão gestos feitos no ar.

Parece que a Google não quer deixar surpresas para o lançamento do Pixel 4, agora com a confirmação de que o Pixel 4 terá efectivamente um chip de radar Soli, a par de um sistema idêntico ao Face ID da Apple para ver uma cara em 3D para desbloquear o smartphone. Ou seja, exactamente aquilo que tínhamos previsto que poderia ser pela quantidade de furos no vidro frontal - incluindo a parte do chip do Project Soli não precisar de "furo" já que se trata de um chip de radar, capaz de detectar movimentos no ar.


Por agora a Google refere que as capacidades do Soli serão bastante modestas, para coisas como silenciar chamadas ou alarmes, ou para passar para a música seguinte; mas que essas capacidades irão ser expandidas no futuro.

Parece-me um erro a Google lançar o Soli sem ter uma demonstração "de fazer cair o queixo", já que desta forma o Soli irá ser equiparado ao tipo de reconhecimento de gestos básicos que temos tido desde sempre, e que utilizam coisas como a câmara frontal ou até sensores mais básicos - do estilo dos sensores de proximidade. Se for lançado com algo ainda em desenvolvimento, mesmo já se tendo passado mais de três anos(!) desde que a Google mostrou o Soli pela primeira vez, arrisca-se a ser mais uma daquelas curiosidades que depressa cairá no esquecimento (ao estilo do que está a acontecer com o 3D Touch da Apple).


Quanto à utilização da câmara frontal 3D estilo Face ID com projector de pontos IR, penso que será um erro nesta fase. Este sistema era o possível quando a Apple lançou o iPhone X, mas é um sistema bastante complexo e dispendioso, especialmente face às câmaras Time of Flight que entretanto começaram a ser utilizadas. Ainda por cima, a Google aplicou não só uma câmara IR para este efeito, mas duas, para além da câmara frontal convencional. Com projecção de pontos e duas câmaras é de esperar que o sistema tenha ainda mais fiabilidade e robustez... mas será que se justifica complicar tanto algo que poderia ter sido feito com uma só câmara?


Esperemos que a Google esteja a guardar alguns trunfos para mais tarde. Pessoalmente, penso que teria feito mais sentido estrear o Soli num smartwatch ou num Google Nest Hub do que num smartphone. É que contrariamente ao que a Google nos quer fazer convencer, de usar o smartphone "sem mãos" (e já outras marcas no passado o tentaram fazer, sem sucesso), um smartphone é um dispositivo que passa a maior parte do tempo nas mãos, e poderá ser um erro fatal insistir no contrário.

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