2020/12/10

Google usa Gmail para fazer "chantagem" sobre partilha de dados

Os utilizadores do Gmail estão a ser confrontados com novo pedido / exigência para o uso de dados, para melhorar os serviços Google.

Não é segredo que a Google recolhe imensa informação sobre todo e cada utilizador (uma visita ao Google Takeout para pedir os nossos dados pode ajudar a ficar com uma melhor ideia disso), mas sendo algo que ao estilo de outros serviços na internet, é feito "nos bastidores", e do lado dos utilizadores a única face visível é que as coisas funcionem como funcionam. Por qualquer motivo (talvez uma qualquer nova exigência europeia - actualização: confirma-se que é isso, ver actualização no final) a Google está a apresentar um novo pedido de consentimento para o uso e partilha desses dados, e faz com que essa questão seja relembrada aos utilizadores.

Ao entrar no Gmail, muitos utilizadores estão a ser confrontados com uma janela que lhes pergunta se querem manter as "smart features" que permitem ter acesso a coisas como a separação automática do email por categorias, sugestão de texto inteligente nos emails, informação adicional sobre envios, etc. Enfim, o tipo de coisas que a maioria dos utilizadores já estará habituada que o Gmail faça - mas que está dependente da Google vasculhar os nossos emails para saber ainda mais coisas sobre a nossa vida. E é seguido de uma segunda janela a pedir autorização para que esses dados possam ser partilhados com os restantes serviços Google.

Ora bem, isto acaba por ser uma não questão, já que quem se arriscar a dizer que não aceita estas funcionalidades verá o seu Gmail (e demais serviços) regredirem a um ponto em que os tornará praticamente inutilizáveis ou, no mínimo, muito mais limitados.

Mais preocupante é que embora a Google relembre que quem não aceitar estas condições, poderá activá-las mais tarde nas definições do Gmail; mas depois de as terem activado, a opção para as desactivar desaparece, impedindo que no futuro possam vir a mudar de ideias (actualização: afinal continuam acessíveis).

Desde o tempo em que a Google fez questão de remover o seu famoso Don't be evil que a relação de confiança da empresa com os utilizadores tem piorado; e infelizmente, situações como esta, que começam a não deixar margem para dúvidas de que o principal propósito da Google e dos seus serviços é recolher o máximo de informação possível sobre os utilizadores - e agora até a pedir que os utilizadores paguem por isso.


Actualização: Já está explicada a origem deste pedido para a Google fazer no Gmail aquilo que sempre fez. Há efectivamente nova legislação europeia que vai entrar em vigor a 20 de Dezembro, e que vai proibir que os serviços de email possam "espreitar" os emails dos utilizadores sem o seu consentimento expresso.

6 comentários:

  1. Iep… Lamentável…
    Na opção dos "outros produtos" até se dão ao descaramento de ressalvar que podem deixar de dar alertas sobre os prazos de pagamento das faturas!!!!! ..da-se!
    A grande questão, também é, se desativando isso, realmente fica inativo… Ou se levamos apenas com areia nos olhos.

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    1. Provavelmente fazem na mesma a recolha de dados mas não em benefício do utilizador

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  2. Chantagem? Estão a perguntar se queres partilhar os dados e em troca eles dão uma experiência personalizada. Como é que era suposto a Google dar-te essas ferramentas se não pedisse os teus dados? Tu tens a escolha. Acho que precisam de rever o significado de "chantagem" ao Priberam.

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    1. Chantagem: Pressão para conseguir alguma coisa (ex.: chantagem emocional; chantagem sentimental).

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  3. Eu desativei na minha conta e até agora, a única coisa que noto de diferente é que deixei de ter o separador "Mensagens importantes" acima das restantes mensagens.

    De resto, como também não dava muita (nenhuma!) utilidade às outras funções, acho que irei conseguir viver sem isso.

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  4. Tudo isto começa a cheirar mal logo se vai ver o que isto vai dar mas o que sei é que privacidade não existe

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